Os MONO decidiram transformar o luto em jardim: «Gerbera» é o segundo single retirado de um álbum anunciado como o mais íntimo da carreira dos japoneses, que regressam a Portugal em Fevereiro de 2027.
Sete minutos e quarenta e seis segundos de amor fiel. É isso que os japoneses MONO oferecem com o seu mais recente single «Gerbera», já o segundo tema a ser retirado de «Snowdrop», o 13.º álbum de estúdio da banda, que tem data de edição agendada para o próximo dia 12 de Junho pela Temporary Residence. O tema sucede a «Winter Daphne», o primeiro avanço divulgado em Abril, e vem reforçar a linguagem conceptual que atravessa todo o álbum: cada título é o nome de uma flor, cada flor carrega uma mensagem simbólica endereçada àqueles que partiram.
Como podes comprovar em baixo, «Gerbera» chegou acompanhada por um vídeo varrido pelo vento — imagens abertas, quase contemplativas — que complementa os sete minutos e quarenta e seis segundos de música instrumental que a compõem. Os MONO esclarecem o significado por detrás desta escolha: “A linguagem das flores para a gérbera é ‘amor fiel’ e ‘alegria’. As incontáveis memórias preciosas que partilho contigo nunca serão esquecidas. Fico tão feliz por te ter encontrado. Inocência, pureza, alegria, beleza — e nunca esquecerei o teu sorriso.”
A dimensão elegíaca de «Snowdrop» não é acidental. Quando os MONO gravaram o seu álbum anterior, «OATH», com o produtor e amigo de longa data Steve Albini em 2023, nunca imaginaram que esse seria o último LP que fariam juntos. Steve Albini acabaria por morrer tragicamente no ano seguinte, deixando um vazio incalculável na vida de todos os que o conheceram — e de todos os que têm uma ligação aos milhares de discos que ajudou a criar ao longo de mais de quatro décadas.
A perda colocou os MONO diante de uma dupla fragilidade: o luto pessoal e a incerteza prática. Albini tinha-se tornado uma parte fundamental do som inconfundível da banda, e a ideia de o substituir era, no mínimo, bastante assustadora. A solução chegou na figura de Brad Wood, reconhecido pelo seu trabalho com bandas como os TOUCHÉ AMORÉ e THE SMASHING PUMPKINS, mas também por uma amizade de décadas com o próprio Steve Albini — o que lhe conferia uma familiaridade com o universo criativo dos músicos japoneses.
Brad Wood entrou então nos míticos estúdios Electrical Audio, em Setembro de 2025, para registar o que viria a ser este «Snowdrop». Uma vez mais com a colaboração do maestro Chad McCullough, os MONO recrutaram uma orquestra de dez elementos e um coro de oito vozes para gravarem os oito temas que integram o álbum. Com a banda a tocar e Wood a gravar no mesmo espaço onde a maioria dos discos dos MONO foi criada ao longo dos seus 25 anos de história, as canções carregam um peso suplementar. A mistura foi concluída por Brad Wood no seu estúdio Seagrass, em Los Angeles.
Por tudo isso, «Snowdrop» afirma-se como o som de uma banda a transformar o choque e a tristeza em esperança e maravilha — a encontrar um novo foco na liberdade do desconhecido. Os títulos das oito faixas — «Snowdrop», «Winter Daphne», «Gerbera», «Statice», «Hedera», «Shion», «Bells Of Ireland» e «Farewell To Spring» — formam um jardim de despedidas, cada pétala uma memória, cada nome um epitáfio silencioso.
«Snowdrop» sai a 12 de Junho, mas as pré-encomendas dos formatos físicos estão disponíveis no site da editora, com edições limitadas em vinil colorido. Nos dias 10 e 11 de Fevereiro de 2027, os MONO vêm a Portugal para dois concertos em Lisboa e no Porto, respectivamente.





