O filme que detalha a mais recente digressão mundial dos GHOST chega como documento de um momento de charneira: o encerramento de um capítulo, a cristalização de uma rota que muitos consideram o ponto mais alto da carreira da banda, e um testemunho da aposta numa experiência ao vivo que recusa a mediação constante dos ecrãs.
O filme-concerto oficial da Skeletour, a digressão mundial dos suecos GHOST, estreia em salas de cinema e em formato IMAX em Agosto deste ano. O anúncio surgiu através de um pequeno teaser partilhado nas redes sociais da banda, onde a icónica máscara do Papa V Perpetua — coberta de brilhantes — avança a passo e passo, muito lentamente, para a lente até surgir a confirmação do lançamento.
As imagens que chegam aos cinemas foram captadas nas duas últimas datas da Skeletour, realizadas a 24 e 25 de Setembro de 2025 no Palacio de los Deportes, na Cidade do México — note-se que este é um dos maiores recintos cobertos de todo o continente americano, com capacidade para dezenas de milhares de pessoas. Já na altura, os GHOST tinham confirmado que estavam a filmar os concertos “para que o resto do mundo os pudesse ver em algum momento“. pois bem, esse momento vai chegar em breve.
Importa aqui notar que, neste caso, os detalhes técnicos não são secundários: ao contrário da maioria das produções audiovisuais do género, este filme foi rodado em película 16mm — uma opção deliberada que conferirá ao resultado final uma textura visual orgânica, granulada e marcadamente diferente da estética digital. Uma escolha que o distingue de entrada do seu antecessor.
Este é o segundo filme-concerto dos GHOST, após Rite Here, Right Now, estreado em 2024 e gravado no Kia Forum de Los Angeles em Setembro de 2023. Esse projecto estabeleceu um precedente importante: foi um dos primeiros grandes lançamentos do género a incorporar a política de proibição de telemóveis — todos os espectadores eram obrigados a guardar os dispositivos em bolsas Yondr antes de entrarem no recinto.
O êxito desta abordagem levou a banda a mantê-la ao longo de toda a Skeletour, e Tobias Forge, criador, compositor e figura central por detrás do universo GHOST, foi particularmente explícito sobre o impacto que isso teve no ambiente dos espectáculos. “A primeira coisa que nos atingiu, na primeira noite em que saímos do palco, foi que o público era fenomenal”, declarou o músico em Março de 2025. “O simples facto de não ver telemóveis foi literalmente como viajar no tempo. Não estou a falar de regressar aos anos 80 — estou a falar de talvez dez anos atrás, quando as pessoas não filmavam tanto.”
A Skeletour decorreu entre Abril de 2025 e Fevereiro de 2026, percorrendo a Europa, com passagem por LIsboa, a América do Norte, a América do Sul e também a Ásia. A digressão coincidiu com o lançamento de «Skeleta», o álbum mais recente dos GHOST, editado em Abril de 2025, e foi, em muitos sentidos, a maior e mais ambiciosa produção da história dos GHOST — tanto a nível de escala como de concepção cénica.
Como noticiado anteriormente, o final da digressão marcou também, pelo menos temporariamente, uma pausa na actividade da banda. Tobias Forge confirmou que precisa de “dar um passo atrás” e de explorar projectos fora do universo dos GHOST, afirmando que “precisa de estar em casa” depois de uma série de anos de actividade intensa e quase ininterrupta. A data exacta da estreia do filme ainda não foi divulgada, mas a janela aponta para Agosto de 2025. Os detalhes sobre a distribuição em Portugal não foram ainda confirmados.




