CHUCK RAGAN

CHUCK RAGAN, o líder dos HOT WATER MUSIC, chega por fim a Portugal em Dezembro de 2026

Três décadas de estrada, uma empresa de pesca e a mais pura das éticas punk — CHUCK RAGAN apresenta-se pela primeira vez em Lisboa com o novo álbum «Love & Lore» debaixo do braço.

Há artistas que se medem pelas vendas, pelas colaborações, pelos prémios. Chuck Ragan não é um deles. Mede-se pela consistência — pela capacidade de atravessar três décadas de carreira sem nunca ter traído o que sempre foi: um homem com uma guitarra, uma voz rasgada e uma honestidade difícil de fingir. É precisamente essa integridade que o tornará protagonista de um dos concertos mais esperados do final do ano em Lisboa: a 20 de Dezembro, pela primeira vez em Portugal, Ragan sobe ao palco do RCA Club numa noite que, pelo que a carreira do músico promete, não terá nada de protocolar.

Para compreender o peso deste momento, é necessário recuar um pouco. Chuck Ragan é, antes de mais, um dos fundadores e co-vocalistas dos HOT WATER MUSIC, banda de Gainesville, na Flórida, que desde meados dos anos 1990 se tornou numa das referências mais sólidas do punk-rock norte-americano — e, por extensão, mundial.

O som dos HOT WATER MUSIC, construído na interseção do hardcore melódico com o rock de garagem e a urgência emocional da cena associada à Lookout! Records, influenciou gerações de músicos dos dois lados do Atlântico. Bandas como os GASLIGHT ANTHEM, os BOUNCING SOULS e os DAVE HAUSE AND THE MERMAID devem muito ao caminho que a banda de Gainesville desbravou. Trinta anos depois, os HOT WATER MUSIC continuam activos e o seu legado permanece intacto.

No entanto, Chuck Ragan nunca se limitou à banda. A carreira a solo — iniciada em meados do Século XXI, quando a cena folk/punk norte-americana começava a reivindicar o espaço que merecia — revelou um músico capaz de despir o punk das suas armaduras e expor algo muito mais íntimo e vulnerável. Os seus discos a solo navegam por territórios de americana, blues agreste e canção de autor, com letras que falam de estrada, de dificuldade e de superação sem nunca cair na facilidade.

Por esta altura, Ragan conta já com cinco álbuns de estúdio em nome próprio na bagagem, todos muito coerentes, todos pessoais — e o mais recente, «Love & Lore», será o companheiro desta estreia lisboeta.

A saga não fica por aqui, no entanto. Chuck Ragan é também o criador e motor prinicpal da Revival Tour, iniciativa que reúne, em formato de tertúlia itinerante, alguns dos nomes mais respeitados da cena folk e punk norte-americana. Em vários anos de edição, a digressão incluiu figuras tão aplaudidas como Frank Turner, Dave Hause, Dan Adriano, dos ALKALINE TRIO, e Brian Fallon, dos GASLIGHT ANTHEM — uma constelação de músicos unidos por uma visão comum do que a canção pode e deve ser: directa, honesta, sem artifícios.

Fora dos palcos, Ragan dirige uma empresa de pesca sediada em Grass Valley, na Califórnia. Não é um pormenor anedótico — é revelador de um carácter. A mesma atenção e paciência que a pesca le exige aplica-se também à escrita de canções: trabalho artesanal, feito sem pressa, à margem da industria da espectacularidade.

O concerto no RCA Club promete ser tudo menos grandioso na forma — e precisamente por isso, tudo o mais. Um palco pequeno, audiência próxima, um músico que não precisa de mais do que a sua guitarra e a sua voz para fazer uma sala calar. Os bilhetes para o espectáculo vão ser colocados à venda já amanhã, quinta-feira, 14 de Maio, através do site da Clockwork Store.