OZZY OSBOURNE

Estátua gigante de OZZY OSBOURNE inaugurada no HELLFEST [vídeo]

Com seis metros de altura, fundida em bronze e colocada à entrada do HELLFEST, a efígie de OZZY OSBOURNE transforma-se no novo ícone do maior festival de metal da Europa — uma homenagem permanente a quem ajudou a inventar um género.

O Hellfest arrancou esta quinta-feira, dia 19 de Junho, com uma presença que não subiu ao palco nem empunhou um microfone: uma estátua de seis metros de Ozzy Osbourne, colocada à entrada do recinto em Clisson, França, fundida em bronze pelo artista contemporâneo francês Philippe Pasqua. A obra foi revelada na véspera da abertura do festival, e a imagem rapidamente começou a circular pelas redes sociais, suscitando reacções em todo o mundo do metal.

Sharon Osbourne, viúva e histórica gestora de carreira do músico, partilhou um vídeo da estátua antes da inauguração oficial, num gesto que misturou orgulho e pesar. “Lamento não ter podido estar no Hellfest para a inauguração da estátua do Ozzy. Infelizmente tive uma visita inesperada ao hospital no início da semana“, escreveu, agradecendo aos responsáveis do festival, Olivier Garnier e Ben Barbaud, e também ao escultor Philippe Pasqua, a quem dedicou um “agradecimento especial pela estátua absolutamente extraordinária“.

Philippe Pasqua não é um nome estranho ao universo do Hellfest. Artista multidisciplinar, famoso pelas suas pinturas, esculturas e desenhos de imagética frequentemente sombria e de grande escala, tem sido exposto em galerias privadas e espaços públicos de relevo. Retratar o “Príncipe das Trevas” em bronze é uma tarefa que encaixa organicamente no seu universo estético — e o resultado, segundo os primeiros testemunhos, é reconhecível à distância, o que, tratando-se de uma efígie, não é conquista menor.

A estátua instala-se assim num espaço simbólico do recinto de Clisson que já acolhia outra figura tutelar do metal: Lemmy Kilmister, líder dos MOTÖRHEAD, cujo busto foi inaugurado em 2016, poucos meses após a sua morte, e eventualmente substituído em 2022 por uma versão renovada da autoria da escultora Caroline Brisset. Com a chegada de Ozzy, a entrada do Hellfest transforma-se numa espécie de panteão a céu aberto do heavy metal — dois dos seus maiores fundadores a guardar o acesso ao festival que, em boa medida, eles próprios tornaram possível.

Ozzy Osbourne faleceu no dia 22 de Julho de 2025, aos 76 anos, de ataque cardíaco. O certidão de óbito, registada em Londres, no Reino Unido, indicou ainda doença coronária e a doença de Parkinson como as condições associadas. Um funeral privado realizou-se a 31 do mesmo mês, nos jardins da propriedade de 100 hectares que o cantor e Sharon adquiriram em 1993, em Buckinghamshire. Estiveram presentes 110 pessoas entre familiares e amigos próximos, entre os quais os mmebros dos BLACK SABBATH, Robert Trujillo (dos METALLICA), Rob Zombie, Zakk Wylde, Marilyn Manson e Corey Taylor (dos SLIPKNOT).

No dia anterior ao funeral privado, milhares de fãs percorreram as ruas de Birmingham para prestar uma última homenagem a Osbourne. Sharon, acompanhada pelos filhos Aimée, Kelly e Jack, juntou-se à multidão num momento de homenagem colectiva que paralisou parte do centro da cidade natal do músico.

Que o Hellfest tenha escolhido exactamente este momento — o primeiro festival após a sua morte — para inaugurar a estátua confere ao gesto uma dimensão que ultrapassa o protocolo comemorativo habitual. Clisson não é apenas o palco de quatro dias de metal por ano: é, cada vez mais, um lugar de memória do género, um território onde os grandes nomes que moldaram décadas de música pesada ganham existência permanente em pedra e bronze.

Ozzy Osbourne ajudou a dar forma àquilo que hoje se chama heavy metal, primeiro como vocalista dos BLACK SABBATH — com os riffs colossais de Tony Iommi a fundarem um vocabulário sonoro inteiro — e depois como aristista a solo capaz de reinventar a sua própria mitologia ao longo de quatro décadas. A estátua de Philippe Pasqua não é apenas uma homenagem a um homem. É um marcador civilizacional de um género que, muitas vezes, foi olhado com desconfiança, e que agora ocupa literalmente a entrada de um dos maiores festivais de música da Europa.


Título alternativo: «Em bronze e a seis metros, Ozzy Osbourne vigia a entrada do Hellfest»