BARTH

[R.I.P.] Faleceu BARTH RESCH, o baixista que marcou a era mais intensa dos BELPHEGOR

Bartholomäus “Barth” Resch, o músico que fez parte dos BELPHEGOR entre 2002 e 2006, tinha apenas 49 anos.

A notícia não chegou de imediato. Correu primeiro pelos canais regionais austríacos, quase sem eco no circuito internacional do metal, como tantas vezes acontece com as mortes que acontecem longe dos holofotes. Só agora, quando Helmuth Lehner — fundador, vocalista e rosto imutável dos BELPHEGOR — publicou um vídeo de homenagem no Facebook, a perda tomou a dimensão que merecia: a do luto por um músico que ajudou a moldar alguns dos registos mais violentos e singulares da banda austríaca.

Bartholomäus “Barth” Resch morreu a 8 de Maio de 2026, vítima de um acidente de viação. Tinha 49 anos e nascera na Áustria em 1977. A confirmação oficial chegou através dos BELPHEGOR, que durante semanas mantiveram silêncio público sobre o sucedido — uma discrição que poderá ter sido deliberada, um período de assimilação antes de partilhar a dor.

A banda formou-se em 1991 sob o nome BETRAYER, adoptando a designação BELPHEGOR em 1993. Foi mais de uma década depois que “Barth” entrou em cena: juntou-se ao grupo em 2002, num período em que a formação de Salzburgo se preparava para dar um salto qualitativo e discográfico que os colocaria definitivamente no mapa do metal extremo europeu.

A sua estreia em estúdio deu-se com «Lucifer Incestus», de 2003 — um álbum que condensava o melhor do black metal e do death metal num único bloco de brutalidade calculada. A seguir vieram «Goatreich – Fleshcult», de 2005, e o início das gravações de «Pestapokalypse VI», logo no ano seguinte, dois registos que consolidaram a reputação dos BELPHEGOR como uma das forças mais coerentes e implacáveis do metal extremo europeu.

Foi precisamente durante as gravações de «Pestapokalypse VI» que o percurso de Bartholomäus “Barth” Resch na banda chegou a um fim involuntário: uma lesão na mão impediu-o de continuar a tocar baixo, e obrigiu-o mesmo a abandonar o projecto em Abril de 2006. Helmuth viu-se forçado a gravar as restantes linhas de baixo do álbum ele próprio.

A saída não significou, porém, um corte total. Em 2012, enquanto Helmuth recuperava de uma operação “séria e difícil” e não estava em condições de assegurar a voz ao vivo, foi “Barth” quem assumiu o papel de vocalista dos BELPHEGOR durante as actuações do Extremefest — num manobra que levou Helmuth a descrevê-lo como “o nosso homem nos bastidores desde 1998” e alguém que “sabe exactamente como nós funcionamos“. Uma lealdade que transcendia os títulos formais, portanto.

Bartholomäus “Barth” Resch era também o principal rosto por detrás do festival House Of The Holy (anteriormente designado Funkenflug), um evento de metal austríaco que organizava com dedicação, mostrando o seu investimento contínuo na cena. Passou ainda por bandas como ARSGOATIA, TABULA RASA e OUR SURVIVAL DEPENDS ON US, onde continuou a explorar territórios do metal extremo depois de deixar os BELPHEGOR.

Era, nos termos mais simples, “um homem da cena” — não apenas um músico, mas um organizador, um agitador cultural, alguém que acreditava na comunidade que o metal extremo pode ser quando funciona de baixo para cima.

A homenagem de Helmuth Lehner nas redes sociais não deixa qualquer margem para equívocos quanto à profundidade da relação entre os dois. Escrita com uma franqueza pouco comum no registo habitual da comunicação de bandas de metal, a mensagem tocou em algo que vai muito para além da camaradagem de estúdio ou de digressão.

“29 anos de irmandade leal — que caminho magnífico e caótico percorremos juntos. Que tragédia. Ainda tinhas tantas visões para o futuro, Herr Goaßbock”, escreveu Helmuth, recorrendo ao apelido afectuoso pelo qual tratava “Barth”. “Estou devastado com a tua partida. Deixas um vazio enorme — e isso ainda é pouco. Em 2011, salvaste-me a vida, Barth. Obrigado por teres trazido tanta cor, paixão e fogo aos anos que partilhámos. Tenho milhares de memórias, meu amigo. Juro que nos voltaremos a encontrar… Amo-te, meu irmão! Pactum in Aeternum — que o teu espírito vagueie livre e sem amarras!”

A menção a 2011 — o ano em que Helmuth passou pela operação referida — sugere que o apoio de “Barth” nesse período foi determinante de formas que ultrapassam o que qualquer comunicado oficial poderia descrever. Há mortes que o mundo do metal absorve com naturalidade trágica — figuras que viveram intensamente e partiram como tal. A de Bartholomäus “Barth” Resch tem uma crueldade um pouco diferente: um acidente de viação, sem aviso, aos 49 anos, com projectos em curso e um festival para organizar. Uma vida interrompida a meio.

Para quem conhece a discografia dos BELPHEGOR, o nome de “Barth” está gravado em três álbuns que continuam a ser referências incontornáveis do metal extremo. Para quem o conheceu pessoalmente, fica a memória de alguém que, segundo as palavras do próprio Helmuth, trouxe cor e fogo a tudo o que tocou.