«Blame It On The Wind» é o quarto avanço de um disco que promete ser o registo mais pessoal da carreira dos BUTCHER BABIES — uma confissão a quatro quartas, filmada entre neon e sombras.
Foi de material intenso — concreto, sensorial, desconfortável — que Heidi Shepherd fez «Blame It On The Wind», o novo single dos seus BUTCHER BABIES, divulgado há uns dias no formato áudio, e agora com direito a um vídeo-clip oficial que coloca o tema definitivamente no centro das atenções da cena hard rock internacional.
A faixa é já a quarta de avanço para um álbum ainda sem título anunciado, que será editado pela Judge & Jury Records — editora fundada pelo produtor Howard Benson e por Neil Sanderson, baterista, fundador e compositor dos THREE DAYS GRACE. A gravação decorreu nos West Valley Recording Studios, que ficam localizados em Woodland Hills, na Califórnia, com o reputado Benson a assumir também a produção do single em questão.
«Blame It On The Wind» nasceu de um encontro nocturno em Los Angeles, em 2012 — uma noite que, nas palavras da própria Heidi Shepherd, “deveria ter desaparecido de manhã”, mas que se transformou numa ligação que a perseguiria durante anos. A letra não romantiza nem condena: descreve, com uma honestidade quase incómoda, o ciclo repetido de atracção, negação e desculpa que acaba por definir certas relações condenadas desde o início.
“Lembro-me de forma tão vívida: o cheiro dele, a forma como dizia o meu nome, as calças à boca-de-sino, a varanda do apartamento em Santa Mónica e esse primeiro toque”, recorda a cantora dos BUTCHER BABIES no comunicado de imprensa que acompanha a estreia do clip. “Esta canção fala de uma luxúria que não consegues largar, de uma recusa em aceitar responsabilidade e de uma lista interminável de desculpas para seguirmos o coelho branco. Às vezes culpamos o cenário pelas escolhas que fazemos porque é mais fácil do que admitir que alguém nos entrou verdadeiramente debaixo da pele.”
O álbum do qual faz parte foi descrito pelos BUTCHER BABIES como uma carta de amor ao passado de Shepherd — uma revisão dos últimos 25 anos de experiências, relações, desilusões e lições aprendidas. No entanto, mais do que um registo de lamentação, o longa-duração apresenta-se como um exercício de reconhecimento: honrar o caminho percorrido sem perder de vista a pessoa em que se transformou.
Musicalmente, «Blame It On The Wind» confirma a capacidade dos BUTCHER BABIES para habitarem de forma natural espaços de tensão. O tema começa em passo lento, quase sedutor, antes de acelerar para uma descarga de energia de alta voltagem que algumas referências da imprensa têm situado algures ali entre IN THIS MOMENT e JINJER — dois dos grupos mais influentes do metal contemporâneo. A voz de Shepherd movimenta-se com autoridade por esse espectro, ora contida, ora explosiva, nunca previsível.
Formados em 2009 e actualmente sedeados em Las Vegas, no Nevada, os BUTCHER BABIES construiram uma identidade num cruzamento entre thrash, groove e metal melódico, com influências declaradas que vão dos PANTERA e SLIPKNOT até aos NO DOUBT e PJ Harvey. Desde a estreia com «Goliath», de 2013 — que lhes valeu reconhecimento crítico imediato —, os sucessivos LPs foram consolidando exactamente essa linguagem. «Take It Like A Man», «Lilith» e o duplo «Eye For An Eye»/«’Til the World’s Blind» são marcos de uma discografia que raramente ficou parada.
Recorde-se que o contexto em torno deste disco é inevitavelmente marcado pela saída oficial de Carla Harvey, co-vocalista e cofundadora da banda, cujo último concerto aconteceu a 27 de Julho de 2024, no festival Stonehenge, em Steenwijk, nos Países Baixos. As BUTCHER BABIES regressaram ao palco nesse mesmo dia — uma transição pública, sem margem para equívocos — e desde então têm mantido um ritmo de trabalho que recusa a paralisia.
A digressão internacional que se seguiu percorreu os Estados Unidos e a Europa. O próximo destino é o Japão, em Junho, num conjunto de datas que reforça a dimensão global de uma banda que nunca deixou de circular por aí. A estrada, para as BUTCHER BABIES, não é apenas contexto: é método, é identidade, é a matéria-prima de discos como o que aí vem.
A data de lançamento do álbum completo ainda não foi ainda confirmada. No entanto, com um total de quatro temas já divulgados e uma narrativa coerente a unificá-los, as novidades aproximam-se. Com elas, a possibilidade dos BUTCHER BABIES escreverem o capítulo mais revelador de uma carreira que, ao fim de quinze anos, ainda não revelou tudo o que tem para dizer.




