Cinquenta anos de metal alemão celebrados com os ACCEPT transformados num supergrupo de luxo — e esta nova gravação do clássico de 1982 faz parte de «Teutonic Titans 1976-2026», o LP de aniversário que conta com 50 convidados e 19 temas revisitados.
Há músicas que resistem a tudo. A «Fast As A Shark», lançada em 1982 no álbum «Restless And Wild», é inegavelmente uma dessas. Antes do thrash metal existir enquanto categoria, os alemães ACCEPT inventaram ali qualquer coisa — velocidade, agressividade e uma certa brutalidade que soava a fábricas em chamas. Quarenta e quatro anos depois, a faixa regressa numa versão que, se não supera o original, tem tudo para entrar nos anais do metal como documento histórico de uma geração.
A nova gravação da «Fast As A Shark» coloca no mesmo espaço sonoro Philip Anselmo (vocalista dos PANTERA), Kirk Hammett (guitarrista dos METALLICA), Billy Sheehan (baixista dos MR. BIG, um dos virtuosos mais respeitados do instrumento) e Mikkey Dee, o baterista sueco que marcou passagem pela banda de KING DIAMOND e pelos MOTÖRHEAD, antes de integrar os SCORPIONS.
O guitarrista fundador dos ACCEPT, Wolf Hoffmann, mantém o comando do barco, acompanhado pelo vocalista Mark Tornillo, que atrás do microfone na banda desde 2009. Ainda assim, a questão coloca-se naturalmente: é possível melhorar um clássico deste calibre? A resposta honesta é que não se trata de melhoria, mas de sobreposição de camadas.
Como podes conferir em cima, Anselmo rosna o tema ao lado de Tornillo num dueto de gerações que evoca, ao mesmo tempo, o punk de New Orleans e o heavy metal europeu mais quadrado. Hammett, previsivelmente, serve-se do seu inconfundível wah numa entrada de solo antes de encaixar na harmonia com Wolff Hoffmann — dois guitarristas de escolas distintas, mas com décadas de riffs em comum. Para o membro dos METALLICA, participar neste projecto foi “uma honra muito séria, para retribuir a grande inspiração que os ACCEPT representaram para mim”.
No entanto, a maior surpresa da nova versão não está nos nomes que a assinam. Está na introdução. O timoneiro dos ACCEPT alargou a abertura da canção com um arranjo de música folclórica bávara: a tradicional «Ein Heller und ein Batzen», tocada por um conjunto de sopros de madeira do sul da Alemanha.
“Um amigo meu vive na Baviera e estava em contacto com um desses grupos tradicionais bávaros de sopros de madeira. Gravaram a canção folclórica alemã tradicional para nós, o que foi fantástico”, diz o guitarrista num comunicado, acrescentando com o humor seco que lhe é característico: “É um supergrupo bastante agradável, não é?”
A gravação insere-se num projecto de maior fôlego: «Teutonic Titans 1976-2026», um álbum duplo com 19 regravações dos temas mais emblemáticos da carreira dos ACCEPT, construído para assinalar o 50.º aniversário da banda. Com Wolf Hoffmann ao leme, reuniram 50 convidados distribuídos pelas 19 faixas do disco. A lógica subjacente é clara: cada canção apresenta uma formação diferente, tornando o álbum uma espécie de atlas do metal mundial — nenhum tema soa igual ao anterior.
A lista de participantes é extensa e representativa de cinco décadas de peso pesado: Rob Halford dos JUDAS PRIEST e Matthias Jabs dos SCORPIONS surgem na «Balls To The Wall»; o Sr. Tobias Forge dos GHOST e Ray Luzier dos KORN assumem «Save Us»; Billy Corgan dos SMASHING PUMPKINS e David Ellefson, ex-baixista dos MEGADETH, reinterpretam «Love Child». O álbum percorre cronologicamente o catálogo dos ACCEPT, de «I’m A Rebel», de 1980, a «Eat The Heat», de 1989.
Entre os convidados figuram ainda K. K. Downing, antigo guitarrista dos JUDAS PRIEST; Bobby Blitz, vocalista dos OVERKILL; Hansi Kürsch dos BLIND GUARDIAN; Chris Jericho, lutador profissional e vocalista dos FOZZY; Ola Englund dos THE HAUNTED; e Jeff Loomis, guitarrista dos NEVERMORE.
«Teutonic Titans 1976-2026» sai a 4 de Setembro e, como seria expectável, o disco chega ao mercado em múltiplos formatos. Entre as edições exclusivas disponíveis através da Napalm Records há um duplo-LP com líquido, uma edição white label numerada e com certificado de autenticidade, uma edição splatter em vinil preto e branco, e uma caixa deluxe com o CD-duplo, uma bandeira e numa série de outros extras. Haverá ainda edições standard em vinil prateado e preto, além de edições em CD-duplo e formato digital, com pré-encomendas já disponíveis.





