GRAVEYARD

GRAVEYARD regressam com «Fever», novo LP chega em Outubro de 2026

Quinze anos depois de «Hisingen Blues» ter redefinido o rock sueco, os GRAVEYARD acabam de anunciar o seu sétimo álbum de estúdio — e garantem que é o melhor da sua já longa carreira.

Há bandas que resistem a qualquer definição cómoda, e os suecos GRAVEYARD pertencem claramente a esse grupo. Desde que emergiram de Gotemburgo e lançaram «Hisingen Blues» — um disco que soava simultaneamente a 1972 e a futuro —, os músicos suecos construíram uma discografia bem singular, feita de blues corrosivo, rock pesado e uma melancolia que não pede licença para entrar. Quinze anos depois, continuam a surpreender. O sétimo álbum de estúdio chama-se «Fever» e chega a 9 de Outubro de 2026.

O anúncio veio acompanhado de uma nota da própria banda — curta, crua, sem cerimónias — que diz muito sobre a natureza deste novo registo. “Desta vez decidimos não perder tempo. Sem produtor externo. Sem desvios. Apenas os GRAVEYARD, directos ao ponto, a fazer o que fazemos melhor.” A declaração não é arrogância. É uma tomada de posição.

Depois da névoa onírica de «Six», de 2023, LP elogiado pela crítica pela sua textura densa e atmosférica, os GRAVEYARD optam agora por uma abordagem mais crua e directa. As palavras usadas para descrever «Fever» — “mais pesado“, “mais directo” — sugerem, portanto, um regresso declarado às raízes do som que os tornou incontornáveis, sem abandonar a alma encharcada em blues que sempre os distinguiu.

O título não é inocente. A febre, como metáfora, atravessa o comunicado com uma urgência quase física: “A comichão, a queimadura e a inquietação. O impulso de avançar para o nevoeiro. Mesmo com os dentes do desespero a mordicar-nos e toda a encenação do nosso tempo a dizer-nos que não temos futuro.” É uma declaração de intenções tanto artística como existencial — e encaixa com perfeição numa banda que, ao longo dos anos, nunca soou confortável na sua própria época.

A capa de «Fever» é da autoria do artista neerlandês Maarten Donders, figura de culto no universo das artes visuais ligadas ao rock mais pesado e ao doom. Donders é presença habitual no festival Roadburn — uma das montras mais respeitadas da música experimental e pesada a nível mundial — e tem no seu currículo capas para mais de cinquenta artistas, numa lista que vai dos ACID KING a Frank Zappa.

Nas consolas, a missão de mistura ficou a cargo de Pelle Gunnerfeldt, nome já com um peso histórico indesmentível na cena alternativa e punk rock escandinava. Foi ele quem captou a ferocidade crua dos THE HIVES e a urgência política dos REFUSED — dois dos projectos mais influentes que a Suécia alguma vez produziu. Mais recentemente, Gunnerfeldt trabalhou com os VIAGRA BOYS, banda que tem mantido essa tradição de rock insubmisso e socialmente consciente. A escolha não é acidental: há uma coerência ideológica e sonora na equipa reunida em torno de «Fever».

Em paralelo com o anúncio do álbum, os GRAVEYARD confirmaram também a primeira fase da digressão 2026/2027, que terá os BLUES PILLS como companheiros de estrada. A banda sueca — que partilha com os GRAVEYARD uma afinidade profunda pelo blues psicodélico e pelo rock clássico — é uma escolha que faz sentido em vários planos, tanto musical como de público.

As datas europeias confirmadas são ainda parciais, sendo prometidos mais anúncios em breve. Portugal não figura por enquanto na lista, mas a história recente dos GRAVEYARD em território nacional — com passagens que deixaram marcas — deixa margem para o optimismo.

A própria banda não hesita em lançar o repto: “Este pode muito bem ser o nosso melhor álbum até hoje.” É uma afirmação que, noutras bocas, soaria a ruído de marketing. Vinda dos GRAVEYARD — banda pouco dada a autopromoção fácil —, merece ser levada a sério.

01. Back From The Grave | 02. Tongue Tied | 03. A Better Cut (Note To Self) | 04. Year Of The Horse | 05. A Means To An End | 06. Time To Tell | 07. Don’t Shoot! | 08. Room Tempered | 09. Dead Note