SUN DONT SHINE

SUN DONT SHINE lançam vídeo-clip para «All You Wasted» [streaming]

Este é o mais recente single retirado de «From Birth To Death», o álbum de estreia dos SUN DONT SHINE, um supergrupo formado por actuais e ex-elementos dos TYPE O NEGATIVE, CROWBAR e DOWN.

São quatro décadas de riffs pesados, palcos varridos a suor e discos que definiram gerações — é esse o currículo colectivo que Kirk Windstein, Kenny Hickey, Johnny Kelly e Todd Strange carregam às costas quando entram numa sala de ensaios. Sob o nome SUN DONT SHINE, o supergrupo formado por actuais e ex-membros dos históricos TYPE O NEGATIVE e CROWBAR acaba de lançar o vídeo-clip oficial de «All You Wasted», o mais recente single retirado de «From Birth To Death».

O vídeo-clip, que podes conferir no player em baixo, foi uma vez mais realizado por Mike Holderbeast — também responsável pelos vídeos anteriores gravados ainda sob o nome EYE AM —, serve como cartão de visita para o álbum de estreia dos SUN DONT SHINE que chegou no dia 1 de Abril pela independente Corpse Paint Records.

Para os mais distraídos: este grupo surgiu publicamente em Junho de 2023, quando os EYE AM lançaram o seu primeiro single, «Dreams Always Die With The Sun», seguido de «Cryptomnesia» em Novembro do mesmo ano. Os vídeo-clips desses dois temas foram gravados e filmados nos estúdios OCD Recording And Production, com Mike Holderbeast a assinar a realização. Em Janeiro de 2025, já com o nome actual, SUN DONT SHINE, a banda apresentou «The Promise Song» como o primeiro avanço de «From Birth To Death».

A mudança de nome não foi, no entanto, a única alteração ao plano inicial. Em Junho de 2025, a banda já tinha anunciado um EP intitulado «Coming Down» com edição via Corpse Paint Records, mas esse registo acabaria por ser abandonado em favor do longa-duração. A decisão revelou-se acertada: «From Birth To Death» tem espaço para respirar, para as dinâmicas se desenvolverem e para a química entre os quatro músicos se manifestar sem pressa.

De resto, seria tentador — e redutor — apresentar os SUN DONT SHINE como sendo um mero exercício de nostalgia ou de prestígio acumulado. Até porque ambição declarada pelos próprios membros aponta noutra direção: “Não quero que a nossa música seja unidimensional”, diz Kenny Hickey num comunicado recente. “Não quero que seja apenas escura e pesada… Quero que seja tanto luz como sombra, dinâmica e imprevisível.”

É precisamente essa tensão entre o colossal e o etéreo que estrutura o som de «From Birth To Death». Os riffs telúricos de KIrn Windstein — o arquitecto sonoro que moldou o som dos CROWBAR e que faz parte dos DOWN, além de ter gravado dois álbuns com Jamey Jasta dos HATEBREED como KINGDOM OF SORROW — contrastam com as melodias evocativas de Kenny Hickey, que sempre soube muito bem como habitar esse espaço entre o sombrio e o transcendente durante os anos com os TYPE O NEGATIVE.

A secção rítmica, por seu lado, ancora tudo com precisão cirúrgica. Johnny Kelly, o baterista que esteve presente nos momentos mais definidores dos TYPE O NEGATIVE, mantém um swing que serve a música sem a engessar. Todd Strange, baixista fundador dos DOWN e CROWBAR, que regressou ao grupo em 2016 para o ciclo de digressão do álbum «The Serpent Only Lies», antes de se afastar novamente para se dedicar à família, traz uma ferocidade de fundo que só anos de estrada conseguem cultivar.

Importa aqui referir que a profundidade desta colaboração não nasceu do acaso. Hickey e Kelly já tinham trabalhado juntos após a trágica morte de Peter Steele e o fim dos TYPE O NEGATIVE, primeiro com os SEVENTH VOID — que editaram «Heaven Is Gone» em 2009 — e, depois, também com os SILVERTOMB, responsáveis por «Edge Of Existence» em 2019. Por seu lado, Windstein e Strange partilham décadas de trincheiras nos CROWBAR e nos DOWN — nesse sentido, quilo que os SUN DONT SHINE acrescentam é uma síntese nova, uma sala de espelhos onde todos esses percursos se refletem e se contaminam.

“Trata-se de romper com o que já existia”, explica Kirk Windstein sobre o espírito que orienta o projecto. Sejam riffs que fazem estalar os ossos ou os desvios melódicos e inesperados, esta banda parece menos preocupada em caber dentro de um género do que em criar música que ressoe com a sua experiência. As influências vão dos BLACK SABBATH aos THE BEATLES — uma amplitude que, nas mãos certas, não tem de ser contradição. Em «From Birth To Death» é uma dialéctica entre peso e leveza, ruído e silêncio, mas presente de forma orgânica, sem artifícios.