Em Berlim, os METALLICA tornaram-se a maior presença de sempre num palco circular — um feito que, há dezasseis anos, tinha sido conquistado pelos irlandeses U2.
Nem o betão do Olympiastadion, construído para os Jogos Olímpicos de 1936 ainda sob a sombra da Alemanha nazi, conseguiu conter os METALLICA. Na noite de Sábado, dia 30 de Maio, mais de 94.000 pessoas encheram o estádio de Berlim para assistir ao concerto dos norte-americanos no âmbito da M72 World Tour — a maior assistência de sempre naquele recinto, ultrapassando o recorde que os U2 tinham estabelecido em 2009, com 90.000 espectadores.
A confirmação veio dos próprios METALLICA, nas redes sociais: “Noite após noite, cidade após cidade, a família Metallica está a superar-se. Ontem, mais de 94.000 de vós ajudaram a bater o recorde do maior concerto de sempre no Olympiastadion. Obrigado!”
O Olympiastadion tem uma história que o tempo nunca vai apagar. Erguido sob os desígnios do regime hitleriano para os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, acolheu nessa época uma assistência que terá ultrapassado os 100.000 espectadores — um número que ficou, durante décadas, como uma referência mitológica. Em 2004, o recinto foi sujeito a obras de renovação profunda, ficando com uma capacidade permanente de 74.475 lugares.
É precisamente aqui que entra um dos elementos centrais da estratégia da M72 World Tour: o palco é circular, colocado no centro do campo, em formato in-the-round. Sem um palco convencional a cortar transversalmente o relvado e a inutilizar centenas de lugares, o espaço aproveitável aumenta de forma significativa. A configuração, que a banda tem mantido ao longo de toda esta digressão, revelou-se um trunfo não apenas estético, mas logístico — e os números provam-no.
A M72 World Tour começou a acumular marcas históricas muito antes de chegar a Berlim. Em Agosto de 2023, no SoFi Stadium, em Los Angeles, os METALLICA atrairam cerca de 78.000 espectadores em cada uma das duas noites no recinto — ultrapassando a assistência que Taylor Swift tinha registado no mesmo palco. Para quem acompanha a indústria musical, o feito não é de importância menor: a comparação com a artista mais comercialmente poderosa do planeta diz muito sobre a longevidade e o peso cultural da banda de James Hetfield e Lars Ulrich.
Já na fase europeia desta última vaga da digressão, iniciada a 9 de Maio, os METALLICA bateram também o recorde de assistência do Estádio Olímpico de Atenas, na Grécia, com mais de 90.000 pessoas. Agora, o concerto em Berlim foi o passo seguinte — e um passo bastante maior.
Na cidade alemã, os METALLICA apresentaram um alinhamento de dezasseis canções, abrindo com a já clássica «Creeping Death» e fechando com o êxito «Enter Sandman» — dois pilares incontornáveis da sua discografia, que funcionam, respectivamente, como declaração de intenções e despedida ritual. Entre eles, mais de duas horas de um catálogo construído ao longo de mais de quatro décadas. Entretanto, a tour europeia prossegue sem descanso.
Hoje, quarta-feira, 3 de Junho, os METALLICA actuam no Stadio Renato Dall’Ara, em Bolonha, na Itália. Seguem-se passagens por Budapeste, Dublin, Glasgow e Cardiff, antes da banda encerrar a sequência europeia com dois concertos em Londres, a 3 e 5 de Julho. No Outono, os METALLICA regressam aos Estados Unidos para inaugurar uma residência na The Sphere, em Las Vegas, a partir de 1 de Outubro — um dos espaços mais tecnologicamente avançados do mundo do espectáculo, e que promete ser um novo capítulo nesta sequência de apostas cada vez mais ambiciosas.




