Onze anos depois da despedida que ficou na memória de todos quantos a testemunharam, os norte-americanos NEUROSIS voltam ao festival nnerlandês num momento de resistência e reinvenção artística.
A organização do Roadburn Festival confirmou esta semana que os NEUROSIS vão regressar finalmente ao evento em 2027 para dois concertos distintos, mas cujos detalhes ainda não foram revelados. O anúncio surge poucas semanas depois da banda ter feito o seu primeiro concerto em quase sete anos, no festival norte-americano Fire In The Mountains, encerrando assim um interregno que muitos temiam poder ser permanente.
A relação entre os NEUROSIS e o Roadburn remonta a 2007, ano em que a banda actuou pela primeira vez no festival holandês — um concerto tão marcante que viria a ser editado em álbum, com o título «Live At Roadburn», por ocasião do vigésimo quinto aniversário da banda. Seguiu-se um regresso em 2009, quando os NEUROSIS curaram a sua própria secção do festival, intitulada Beyond The Pale, consolidando um estatuto que poucas bandas alcançam junto de um certame que se orgulha de ser construído em torno de artistas com uma visão própria e inconfundível.
O momento mais marcante dessa relação, até hoje, foi protagonizado em 2016, quando os NEUROSIS assinalaram trinta anos de com dois concertos consecutivos no evento, que percorreram a totalidade da sua discografia. Essa foi, sem qualquer dúvida, uma demonstração de fôlego artístico raramente igualada, e que deixou em aberto uma pergunta incómoda: após um momento assim, o que restaria à banda mostrar?
A resposta, durante largos anos, pareceu ser o silêncio. Pouco tempo depois dessa actuação, os NEUROSIS entraram num hiato prolongado que deixou o seu futuro em aberto. Foi por isso que o regresso da banda, no início de 2026, surpreendeu tanto quanto foi desejado pelos seus seguidores mais fiéis.
Esse regresso trouxe consigo uma nova era para os NEUROSIS, com a entrada de Aaron Turner — figura também bem familiar para o público do Roadburn — na formação da banda. E trouxe também «An Undying Love For A Burning World», álbum que reafirmou a capacidade dos NEUROSIS de produzirem peso emocionalmente carregado, expansivo e reflexivo, sem nunca soar a repetição do que a banda já fez no passado.
Segundo a organização do festival, o disco é “um acto de resistência, um sinal de resiliência, uma recusa em desaparecer com um gemido“, e ocupa hoje um lugar entre o melhor de um catálogo que, ao longo de quatro décadas, tem funcionado como veículo de catarse para gerações de aficionados de música pesada.
No comunicado divulgado pela organização, Steve Von Till, um dos rostos históricos da banda, justifica a escolha do festival para este regresso em solo europeu: “Há poucos lugares no mundo que sintam como uma casa para a nossa música da forma como o Roadburn sente; onde estamos na companhia de espíritos afins que partilham a nossa obsessão incessante pela música pesada e emocional, que desafia géneros e se mantém independente.
O Roadburn é um lugar onde a quarta parede, essa fronteira imaginária entre artistas e público, se dissolve à medida que nos tornamos todos um: uma comunidade que se reúne para honrar e celebrar o poder curativo da música intensa e sombria como forma de nos mantermos sãos num mundo insano. Agora, tendo ressurgido da escuridão com o álbum das nossas vidas, não conseguimos imaginar o nosso regresso à Europa em nenhum outro lugar que não o Roadburn.”
Do lado da organização, a mensagem é de reciprocidade. Recordando que muita coisa mudou — tanto dentro do universo da música pesada como no mundo em geral — desde a última vez que o nome dos NEUROSIS figurou num cartaz do evento, o Roadburn sublinha que o vínculo entre ambas as partes permanece intacto, e que esse facto é, por si só, motivo de celebração.
Para já, ficam por revelar os pormenores dos dois concertos que os NEUROSIS vão realizar em 2027. O que já se sabe é que, uma vez mais, será em Tilburg, e não noutro lugar, que a banda escolherá contar o mais recente capítulo da sua já longa história.



