Anneke voltou a juntar-se aos antigos companheiros de banda para celebrar o 30.º aniversário anos de «Mandylion», mas não promete continuidade além desta digressão pautada pela nostalgia.
Já se passaram três décadas desde que a Sra. Anneke Van Giersbergen entrou para os THE GATHERING e gravou aquele que se tornaria um dos álbuns mais influentes do metal europeu dos 90s. Em entrevista a Paolo Phoenix, da Magenta TV, gravada este mês durante o festival Wacken Open Air, na Alemanha, a cantora neerlandesa falou sobre o significado de voltar a subir aos palcos com os seus antigos companheiros — e deixou bastante claro que não há garantias de que esta reunião se prolongue além da actual digressão comemorativa do 30.º aniversário de «Mandylion».
Questionada sobre o que representa regressar aos THE GATHERING, Anneke não tentou sequer esconder a estranheza inicial associada à experiência. “Tem sido bastante especial, porque quando éramos jovens, éramos jovens adultos, e tudo o que se faz nessa altura fica gravado como uma esponja, e levamo-lo connosco para o resto da vida”, começou por explicar ela para, de seguida, recordar os anos em que a banda vivia em regime de imersão total — estúdio, ensaios, estrada — “dia e noite, estivemos juntos durante tantos anos… e isso é algo que nunca se esquece”.
Após duas décadas de afastamento, o reencontro na sala de ensaios trouxe à tona uma sensação inesperada de continuidade. “É já comum ouvir músicos a dizer isto mas, quando voltámos a juntar-nos numa sala de ensaios, senti como se fosse ontem. É estranho que se consiga sentir a mesma coisa, e que as piadas sejam as mesmas… Sentimo-nos da mesma maneira. Eles são como irmãos para mim”, afirmou. Ainda assim, a cantora reconhece que o tempo deixou marcas: “Por outro lado, estamos todos mais adultos. A maioria de nós tem família, vivemos a vida, e somos um pouco mais sábios, mais velhos. E também levamos esse sentimento para a sala de ensaios e para o palco”.
O risco do reencontro correr mal existiu, admite ela. “Não sabíamos como ia ser recebido pelos fãs. Podia ter sido muito estranho. Nós tínhamos esta ideia, mas depois podíamos juntar-nos e ser estranho. Essa era uma possibilidade. Mas não foi assim. Por isso tem sido bastante agradável”, resumiu.
Sobre se a percepção que tem hoje de «Mandylion» mudou ao longo dos anos, Anneke Van Giersbergen descreveu uma espécie de dualidade emocional que tem atravessado cada concerto da actual digressão, que também passou por Lisboa em Julho. “Quando se é jovem, têm-se emoções diferentes sobre temas como o amor, e por isso, quando tocamos estas canções agora, às vezes somos atirados de volta para as mesmas emoções que tínhamos há 20, 30 anos. Mas não são as mesmas… Temos uma visão diferente da vida, um pouco, quando somos mais velhos”, explica.
Anneke considera esta sobreposição de sentimentos um dos aspectos mais gratificantes de revisitar o repertório mais antigo dos THE GATHERING: “Sinto esses mesmos sentimentos e a emoção quando canto essas letras. Por outro lado, sou mais adulta e olho para algumas coisas de forma diferente, o que é bom, porque posso revisitar esses dias com outros olhos”.
Questionada directamente sobre a possibilidade da colaboração se prolongar para além da digressão de aniversário, a resposta de Anneke van Giersbergen foi inequívoca. “Não sei. Gostámos que isto fosse especial, certo? Se continuássemos indefinidamente deixaria de ser especial e não teria o impacto que tem agora”, afirmou, confessando que a escala da reacção do público apanhou a banda de surpresa.
“Para ser perfeitamente honesta, não esperávamos que as pessoas ficassem tão entusiasmadas com o facto de voltarmos a juntar-nos para celebrar este álbum. Foi apenas por isso que fomos de ‘vamos fazer um concerto’ para ‘vamos fazer um ano inteiro com todos os grandes festivais e clubes’. Por isso é muito especial, e queremos manter isso assum… Não temos planos para o futuro”, resumiu Anneke.
Os THE GATHERING iniciaram a sua digressão europeia de Primavera/Verão de 2026 a 19 de Maio, com um espectáculo no O2 Shepherds Bush Empire, em Londres. No entanto, a celebração de «Mandylion» tinha começado no ano anterior, com meia dúzia de concertos que rapidamente ganharam fôlego renovado: cerca de 30 novas datas espalhadas pela Europa, pela América do Norte e América do Sul, com encerramento previsto a 17 de Outubro, num concerto na Movistar Arena, em Santiago do Chile.
Editado em Agosto de 1995 pela Century Media Records, «Mandylion» foi o terceiro álbum de originais dos THE GATHERING e o primeiro a contar com Anneke van Giersbergen na voz — um disco que consolidaria o som atmosférico e gótico que definiria a identidade da banda neerlandesa ao longo das décadas seguintes.


