Os dois primeiros de uma série de espectáculos comemorativos dos 30 anos de «Antichrist Superstar» decorreram em Nova Orleães, nos Estados Unidos, e mostraram o Sr. MANSON a recuperar temas que não eram tocados ao vivo há quase três décadas.
Marilyn Manson deu início à celebração dos 30 anos de «Antichrist Superstar» com um concerto especial no The Fillmore, em Nova Orleães, nos Estados Unidos, no passado dia 14 de Outubro. Longe de se limitar a revisitar os êxitos mais conhecidos de um dos discos mais marcantes da sua carreira, o shock rocker aproveitou a ocasião para recuperar várias canções que estavam ausentes dos alinhamentos há muitos anos, incluindo algumas que não eram interpretadas ao vivo desde 1997.
Anunciado como An Evening With Marilyn Manson: Celebrating 30 Years Of Antichrist Superstar, o espectáculo marcou o primeiro de dois concertos consecutivos na cidade do Louisiana, seguindo-se uma nova actuação no mesmo recinto a 15 de Outubro. A escolha de Nova Orleães para arrancar com esta série comemorativa tem um significado especial: foi precisamente nesta cidade que Manson, a sua banda e Trent Reznor, dos NINE INCH NAILS, protagonizaram as célebres e turbulentas sessões de gravação que deram origem ao álbum, editado em 1996.
Considerado um dos discos fundamentais da discografia de Marilyn Manson, o «Antichrist Superstar» consolidou a identidade provocadora do músico e ajudou a projectá-lo para uma dimensão muito superior àquela que tinha alcançado com o seu registo de estreia, «Portrait Of An American Family», de 1994. Três décadas depois, o disco continua a ser uma referência incontornável do rock industrial dos anos 90, tanto pela sua abordagem sonora como pelo imaginário visual e temático que o rodeia.
Apesar de o concerto ter sido concebido em torno do 30.º aniversário do disco, Manson não optou por uma interpretação integral de «Antichrist Superstar», nem respeitou a sequência original das canções. Em vez disso, arrancou com «Angel With The Scabbed Wings», um dos momentos mais intensos do alinhamento original, lançado directamente o público para o universo sombrio do álbum.
A partir daí, o espectáculo foi alternando entre temas emblemáticos e escolhas bem menos previsíveis, com particular destaque para a recuperação de material que há muito tinha desaparecido das actuações ao vivo do músico. Foi nesse território que surgiram algumas das maiores surpresas da noite, transformando este espectáculo numa oportunidade rara para reencontrar canções que pertencem a uma fase particularmente marcante da história de Marilyn Manson.
«Kinderfeld», «Deformography» e «Minute Of Decay» foram tocadas ao vivo pela primeira vez desde 1997. Ou seja, os três temas regressaram ao alinhamento quase 30 anos depois das últimas interpretações conhecidas em palco, oferecendo aos fãs uma oportunidade invulgar de ouvir material que raramente tem sido revisitado ao longo da carreira do músico.
A viagem por essa época não ficou limitada ao alinhamento de «Antichrist Superstar», no entanto. «Apple Of Sodom», canção associada à banda sonora do filme «Lost Highway», de David Lynch, também regressou aos concertos pela primeira vez desde 1997. A sua inclusão reforçou a ligação a um período em que a música de Manson se cruzava frequentemente com o cinema, a estética industrial e um imaginário deliberadamente perturbador.
Outra das recuperações desta noite de celebração foi «1996», que não era interpretada ao vivo desde 2012. Já o tema-título de «Antichrist Superstar» voltou a ser ouvido em palco pela primeira vez desde 2019, numa das escolhas mais simbólicas de um concerto que procurou explorar diferentes recantos da discografia associada àquela fase. A componente visual também ajudou a dar identidade à celebração. Marilyn Manson recuperou elementos associados à imagem que construiu durante o período de «Antichrist Superstar», surgindo vestido de forma teatral e recorrendo a uma encenação que evocava o carácter ritualista das suas actuações dos anos 90.
Entre os momentos mais destacados pelos espectadores presentes estiveram as passagens em que o cantor surgiu num púlpito, assumindo uma postura próxima da figura de um pregador, e aquelas em que percorreu o palco sobre andas. São imagens que remetem directamente para a teatralidade que acompanhou a ascensão de Manson e que contribuiu para transformar os seus concertos em espectáculos que iam muito além da simples reprodução das canções.
A actuação de Nova Orleães foi apenas o primeiro capítulo de uma série de espectáculos dedicados ao 30.º aniversário do disco. Depois do segundo concerto no The Fillmore, Marilyn Manson tem outras datas agendadas no Texas, com passagens por San Antonio e Austin, antes de encerrar esta série com duas noites no The Wiltern, em Los Angeles, na Califórnia.





