KK'S PRIEST

KK’S PRIEST recuperam clássico dos JUDAS PRIEST, mas geran polémica devido ao uso de inteligência artificial

K.K. Downing e Tim “Ripper” Owens revisitam “Never Satisfied”, um dos temas da fase inicial dos JUDAS PRIEST. O vídeo realizado por John Psaras está, no entanto, a dividir opiniões devido ao uso excessivo de inteligência artificial.

Os KK’S PRIEST voltaram a olhar para o passado dos JUDAS PRIEST com uma nova versão de «Never Satisfied», um tema originalmente editado no álbum de estreia «Rocka Rolla», de 1974. A reinterpretação reúne dois nomes incontornáveis da história da banda britânica, o guitarrista K.K. Downing e o vocalista Tim “Ripper” Owens, mas o lançamento tem estado a gerar críticas por outro motivo: o recurso aparentemente extensivo a ferramentas de inteligência artificial no vídeo-clip oficial.

Realizado por John Psaras, o clip, que pode ser visto no player em baixo, acompanha esta nova leitura de um tema que remonta aos primeiros anos dos JUDAS PRIEST, muito antes do grupo se afirmar como uma das principais referências do heavy metal. A opção estética não passou, no entanto, despercebida aos fãs, com várias reacções negativas a apontarem o dedo à utilização de uma série de imagens geradas por inteligência artificial. A discussão em torno do vídeo-clip acabou, assim, por dividir as atenções com a própria versão do tema.

A escolha de «Never Satisfied» tem, ainda assim, um significado particular para K.K. Downing. O guitarrista, que integrou os JUDAS PRIEST durante várias décadas antes de abandonar a formação em 2011, explicou que revisitar material tão antigo lhe pareceu uma forma interessante de reflectir sobre o percurso pessoal e artístico que o trouxe até ao presente. “Sim, pareceu-me uma boa ideia nesta fase da minha carreira e da minha vida, depois de atravessar tantas décadas, voltar atrás e ver como as coisas se podem apresentar muitas décadas mais tarde“, afirma Downing.

A declaração ajuda a enquadrar a abordagem dos KK’S PRIEST: mais que recuperar um tema por razões meramente nostálgicas, a intenção passa por confrontar uma composição dos primórdios dos JUDAS PRIEST com a experiência acumulada ao longo de uma vida dedicada ao heavy metal. A canção oferece, por isso, uma ligação directa às origens de Downing, agora reinterpretadas no contexto do projecto que fundou depois de deixar a banda que ajudou a construir.

Formados em torno do guitarrista e de Tim “Ripper” Owens, que também passou pelos JUDAS PRIEST entre 1996 e 2003, os KK’S PRIEST assumem naturalmente uma relação próxima com o legado daquela formação. Ainda assim, a divulgação do clip de «Never Satisfied» demonstra como a recepção a um lançamento pode acabar condicionada por decisões que vão muito além da música: neste caso, a utilização de inteligência artificial no acompanhamento visual está a provocar uma discussão que ameaça sobrepor-se ao significado da própria homenagem.

Para já, a controvérsia concentra-se na componente visual, enquanto a nova versão recupera uma composição com mais de cinco décadas de história. Resta saber se a reacção dos fãs acabará por alterar a percepção do lançamento ou se a discussão em torno do vídeo continuará a dominar a conversa sobre este regresso dos KK’S PRIEST às primeiras páginas do catálogo das lendas do heavy metal britânico.