Root explica que o novo tema foi concluído mais rapidamente para dar aos fãs algo novo enquanto a banda continua a trabalhar no seu oitavo disco, que permanece numa fase relativamente embrionária.
Os SLIPKNOT surpreenderam esta semana com o lançamento do single «Arsenal», mas quem interpretou o novo tema como o primeiro avanço do próximo álbum da banda terá de rever essa leitura. Jim Root confirmou que o single não fará parte do oitavo disco de estúdio dos norte-americanos, tendo sido simplesmente uma das composições que os SLIPKNOT conseguiram terminar mais rapidamente enquanto continuam a desenvolver o restante material.
A confirmação surgiu numa conversa do guitarrista com fãs através do Instagram, posteriormente partilhada no Reddit dedicado aos SLIPKNOT. Questionado directamente sobre se «Arsenal» seria o primeiro single do sucessor de «The End, So Far», Jim Root respondeu de forma inequívoca: “Não. Este foi apenas um tema que conseguimos terminar mais cedo propositadamente para o lançar agora.“
A explicação ajuda também a colocar o lançamento do single no devido contexto. O tema, disponibilizado na quarta-feira, dia 9 de Setembro, apareceu numa altura em que os SLIPKNOT ainda estão longe de ter concluído o processo de gravação do novo disco. Ou seja, não se trata de uma primeira amostra de um registo que esteja prestes ser editado, nem sequer de uma escolha destinada a apresentar a direcção definitiva que a banda está a seguir.
Isso torna-se particularmente relevante se tivermos em conta algumas das reacções negativas que «Arsenal» recebeu desde a sua chegada às plataformas digitais. Um outro fã perguntou a Jim Root como encara esse tipo de comentários, e o guitarrista voltou a sublinhar que o single não deve ser utilizado como régua para medir aquilo que os SLIPKNOT estão a preparar. “Depende muito de quem comenta. Quer dizer, o que é que a banda dessa pessoa está a fazer?“, respondeu inicialmente, antes de reforçar a razão pela qual «Arsenal» foi lançado neste momento.
“Foi uma música que conseguimos rapidamente pôr cá fora enquanto trabalhamos no resto do disco. E acho que não é realmente representativa das outras músicas em que temo estado a trabalhar”, disse Root. A última frase é particularmente significativa. Ao afastar «Arsenal» do processo criativo que dará forma ao próximo álbum, Root deixa claro que a identidade do disco ainda está longe de estar bem definida — e que as primeiras impressões provocadas pelo novo single não deverão ser extrapoladas para o restante do material.
O estado actual do processo de composição e gravação também ajuda a explicar a decisão de lançar uma faixa isolada. No início desta semana, Jim Root partilhou uma série de fotografias relacionadas com o trabalho de estúdio dos SLIPKNOT nas stories do Instagram, confirmando que a banda já está efectivamente a gravar material para um novo longa-duração. Ainda assim, o processo encontra-se numa fase suficientemente inicial para que o resultado permaneça difícil de antecipar. Em Julho, Root tinha revelado que os músicos escolheram Matt Wallace para assumir a produção e que já tinham cerca de 50 arranjos preparados.
A quantidade de ideias acumuladas não significa, portanto, que exista já um alinhamento fechado ou sequer uma noção definitiva daquilo que será o oitavo álbum. Pelo contrário, a banda parece estar a explorar diferentes caminhos antes de decidir quais deles terão lugar no resultado final. E essa abordagem está intimamente ligada à entrada de Eloy Casagrande na formação. O baterista brasileiro, que se juntou oficialmente em 2024 após a saída de Jay Weinberg, está a participar num processo de criação que Jim Root descreveu como mais espontâneo.
“Ter o Eloy na banda é uma honra enorme, é muito bom poder tocar com ele“, disse ele, explicando que o método de trabalho tem passado por reunir os músicos numa igreja, montar o equipamento e simplesmente começar a tocar. Em vez de chegarem ao ensaio com músicas praticamentes construídas, Root e Casagrande têm alegadamente passado horas a improvisar e a experimentar ideias, permitindo que as próprias sessões determinem quais os momentos que merecem ser desenvolvidos. “Desta vez, estamos a abordar o processo como no início, queremos recuperar essa vibração de banda de garagem“, revelou Root.
Enquanto isso, Shawn “Clown” Crahan acompanha as sessões e desempenha também um papel importante na identificação dos momentos que poderão transformar-se em canções. Segundo Root, o percussionista pode estar simplesmente a ouvir o que está a acontecer ou começar a interagir com os músicos, utilizando sinais para indicar ao produtor que determinada passagem deve ser guardada. É uma metodologia que privilegia o acidente, a interacção e a descoberta, em vez de uma arquitectura pré-definida. E talvez seja precisamente por isso que Jim Root não esteja ainda em condições de apontar uma direcção concreta para o próximo disco.
Por enquanto, «Arsenal» fica à margem desse processo. O tema cumpriu uma função mais imediata: permitir aos músicos colocar música nova cá fora sem esperar que o longo e complexo processo de construção do próximo álbum estivesse concluído. Portanto, o oitavo álbum dos SLIPKNOT continua a tomar forma sem data de lançamento anunciada e sem uma direcção sonora definitiva. Com cerca de 50 arranjos já trabalhados, Matt Wallace escolhido para a produção e Eloy Casagrande plenamente integrado num processo de criação baseado na interacção entre os músicos, a banda ainda tem muito caminho pela frente.
«Arsenal» pode ter chegado inesperadamente, mas, ao que tudo indica, o verdadeiro cartão de visita da próxima fase da carreira dos SLIPKNOT ainda está para ser revelado.


