Depois da tempestade, a febre. Os britânicos HAKEN editam «In A Fever Dream» a 17 de Julho e provam que a renovação pode ser uma forma de renascimento.
Havia algo de inacabado no silêncio dos HAKEN. Desde «Fauna», o último álbum de estúdio, editado em 2023, a banda londrina tinha estado a acumular ausências: primeiro a retirada abrupta de uma digressão de apoio aos COHEED AND CAMBRIA, em Outubro de 2025; depois, em Janeiro deste ano, um anúncio que poucos queriam ler — a saída do guitarrista Charlie Griffiths, membro do grupo desde 2008, e do baixista Conner Green, presente desde 2014.
Na altura, a banda partilhou a notícia nas redes sociais com palavras pesadas: “É com o coração apertado que anunciamos a saída de Charlie Griffiths e Conner Green dos HAKEN.” Era o fim de uma era. Mas era também, como se veio a perceber, o início de outra.
Agora, os HAKEN regressaram com força e com um novo propósito: o EP «In A Fever Dream» tem data de edição anunciada para 17 de Julho em formato digital, com edição física em CD e vinil prevista para 18 de Setembro. Em simultâneo, a banda estreou o vídeo-clip de «Delirium», um novo single, realizado por Oliver Kember — o mesmo autor do visualizador que acompanhou o tema-título quando surgiu em Maio passado, a primeira música nova da banda em três anos.
«In A Fever Dream» marca ainda outra estreia: esta é a primeira vez que os HAKEN trabalham com um produtor externo. A escolha recaiu sobre George Lever, nome que nos se tornou incontornável no metal britânico alternativo durante os últimos anos graças ao trabalho com os SLEEP TOKEN e LOATHE — duas bandas que, cada uma à sua maneira, conseguiram expandir os limites do género sem perder identidade. A sua presença neste projecto não é, portanto, uma mera coincidência: sugere uma vontade deliberada por parte dos HAKEN de abandonarem a zona de conforto e permitirem-se uma visão externa.
Para a gravação das linhas de baixo, a banda foi buscar dois nomes de peso: Bryan Beller, veterano ao serviço de Joe Satriani e dos THE ARISTOCRATS, e Adam “Nolly” Getgood, ex-baixista dos PERIPHERY e ele próprio produtor de referência no universo djent e do metal progressivo. A combinação de ambos no mesmo registo — com sensibilidades e abordagens bem distintas — é, em si mesma, uma declaração de intenções sobre a diversidade sonora que os HAKEN procuram explorar.
Em comunicado, os músicos britânicos foram generosos naquilo que habitualmente escapa às notas de imprensa: a franqueza. “Este EP nasceu de um período de reflexão e redescoberta”, escreve a banda. “Nos últimos anos, enfrentámos desafios que nos obrigaram a olhar para dentro, tanto como músicos como enquanto pessoas, e as canções deste disco são o resultado dessa jornada.”
A linguagem não é a de quem está a vender um produto. É a de quem sobreviveu a algo. “Permitimo-nos ser completamente honestos no processo de escrita, mergulhando em experiências reais, dúvidas e emoções, em vez de nos escondermos por trás delas”, acrescentam os HAKEN. “Essa vulnerabilidade deu a estes cinco temas um peso e um propósito que não existem em nada do que criámos antes.”
«In A Fever Dream» será editado pela Inside Out Music, a editora histórica do metal progressivo europeu, que continua a ser o lar de HAKEN desde «The Mountain», de 2013. Para além do lançamento digital a 17 de Julho, a edição física de 18 de Setembro contempla diversas versões em vinil: LP em “deep blood red” para o mercado europeu, LP em “lotus white” para os Estados Unidos e uma edição limitada em vinil transparente, disponível exclusivamente na loja oficial da banda.
Paralelamente, os HAKEN têm concertos marcados para Setembro e Outubro, incluindo uma passagem pelo festival Euroblast em Colónia, a 27 de Setembro — o mesmo festival a que tinham sido obrigados a faltar em 2025, numa das ausências que alimentou a especulação dos fãs sobre o futuro da banda.
HAKEN chegam a este novo EP numa composição de quatro membros — Ross Jennings na voz, Richard Henshall na guitarra e teclados, Pete Jones nos teclados e Ray Hearne na bateria —, mas sem baixista ou segundo guitarrista permanentes confirmados. É uma estrutura enxuta, para uma banda que sempre se distinguiu pela densidade instrumental. Mas talvez seja precisamente essa contenção que lhes permitiu escrever, como eles próprios afirmam, “a partir de um lugar que se sente tão genuíno como alguma vez fomos.”

01. In A Fever Dream | 02. Delirium | 03. Eclipsed By You | 04. Bleeding Sky | 05. Lotus




