HAKEN

HAKEN regressam com «In A Fever Dream» e anunciam uma nova era [streaming]

Três anos de silêncio, duas saídas dolorosas e um salto para o desconhecido — os britânicos HAKEN chegam a 2026 com o single mais emocionalmente directo da sua carreira.

Há momentos em que uma banda precisa de se reinventar não por capricho, mas por necessidade. Para os HAKEN, esse momento chegou com uma força incomum: a saída simultânea de dois dos membros fundadores do grupo, um hiato de três anos sem música nova e a pressão silenciosa de uma base de fãs que aguardava, com expectativa crescente, os próximos passos de um dos mais respeitados grupos do progressive metal britânico contemporâneo.

A resposta chegou agora, sob a forma de «In A Fever Dream» — um single de mais de sete minutos que assinala, em vários sentidos, o início de um novo capítulo para o colectivo britânico. O tema, que já pode ser ouvido no player em baixo, marca o regresso dos HAKEN à música inédita pela primeira vez em três anos, desde o aclamado álbum «Fauna», editado em 2023. Mas o que distingue «In A Fever Dream» de tudo o que a banda fez antes não é apenas o intervalo temporal: é a forma como foi concebido.

Pela primeira vez na sua carreira, os HAKEN trabalharam com um produtor externo, convidando George Lever — conhecido pelo seu trabalho com os LOATHE e SLEEP TOKEN — para ajudar a moldar a próxima fase da banda. A decisão não é trivial. Para um grupo historicamente 100% auto-suficiente no que toca à direcção criativa, abrir essa porta a uma voz exterior representa uma proverbial declaração de intenções: há uma evolução em curso, e ela não tem medo de se expor.

O novo single representa múltiplas facetas da música dos HAKEN, desde uma introdução de construção lenta com linhas vocais suaves de Ross Jennings, que vai ganhando força e progressão à medida que a música avança. É, nas próprias palavras da banda, o material mais emocionalmente directo que alguma vez produziram.

Com Conner Green fora da equação, a questão do baixo neste regresso tornava-se inevitável. A solução encontrada pelos HAKEN foi, no mínimo, eloquente. Para «In A Fever Dream», a banda convidou Bryan Beller — conhecido pelo seu trabalho com THE ARISTOCRATS, DETHKLOK e o guitarrista Joe Satriani — para gravar as linhas de baixo do tema. É um sinal de que a banda britânica, mesmo despida de dois dos seus pilares históricos, mantém a ambição de se rodear dos melhores.

Recorde-se que, em Janeiro deste ano, os HAKEN anunciaram a separação do guitarrista Charlie Griffiths e do baixista Conner Green. “É com o coração muito pesado que anunciamos a saída do Charlie Griffiths e do Conner Green dos HAKEN“, escreveu a banda num breve comunicado. “Estamos imensamente gratos pelo tempo que passámos juntos, a criar música e a percorrer o mundo, alcançando coisas que julgávamos impossíveis.

Griffiths estava na banda desde 2008 e participou em todos os álbuns editados até à data. Green juntou-se aos HAKEN em 2014. A saída de ambos em simultâneo — sem qualquer explicação pública sobre os motivos — deixou os fãs em estado de genuína perplexidade. Tratava-se, afinal, de dois terços da secção rítmica e harmónica que havia definido o som do grupo nos últimos anos. O mesmo comunicado, porém, terminava com uma promessa concisa e determinada: “Nova música este ano.” Promessa cumprida.

No que respeita aos palcos, os HAKEN regressam a 27 de Setembro para encabeçar o festival Euroblast, em Colónia, na Alemanha — um evento que, não por acaso, tem no metal progressivo e técnico o seu coração programático. A formação actual da banda conta com Ross Jennings na voz, Richard Henshall na guitarra, Pete Jones nos teclados e Ray Hearne na bateria.