Os suecos KATATONIA regressam ao nosso país numa das fases mais sombrias e pesadas da sua carreira.
Há regressos que se fazem esperar e que, por isso mesmo, pesam mais quando finalmente acontecem. É o caso dos KATATONIA, confirmados recentemente para o Vagos Metal Fest 2026, numa entrada tardia no cartaz que veio responder à ausência forçada dos DEVOURMENT — banda texana obrigada a cancelar as suas datas europeias por motivos de saúde de um dos seus membros. Se a perda dos norte-americanos era uma baixa sensível para os apreciadores do death metal mais visceral, a chegada dos suecos não é, de modo algum, uma consolação menor.
Os mestres suecos da melancolia tocam na Quinta do Ega no dia 6 de Agosto, inseridos no programa de cinco dias do festival — de 5 a 9 de Agosto de 2026.
Fundados em Estocolmo em 1991 por Jonas Renkse e Anders Nyström, os KATATONIA começaram a dar os primeiros como um projeto de estúdio a dois, com raízes fincadas no death metal sueco e influências que iam dos Celtic Frost até às bandas mais pesadas da cena nórdica da época. O que aconteceu nas três décadas seguintes acabou por ser uma das evoluções mais radicais e consistentes de que à memória na música de peso europeia: a transição do doom/death mais cru para um som progressivo atmosférico e melancólico que poucos conseguiram imitar sem cair no pastiche.
Depois de dois álbuns fundadores — «Dance of December Souls» e «Brave Murder Day» —, o colectivo começou a afastar-se progressivamente das vocalizações guturais do black e death metal em direcção a uma forma mais melódica e progressiva. Foi nessa viragem que os KATATONIA encontraram finalmente a sua voz própria e a fidelidade fervorosa de um público que os segue até hoje.
O contexto em que os KATATONIA regressam a Portugal é o mais tenso em décadas. Em Março de 2025, foi anunciada a saída de Anders Nyström, motivada por “preferências criativas e incompatibilidades de agenda” — uma manobra inesperada, que assinalou p fim de uma parceria de mais de três décadas e o encerramento de um capítulo que muitos consideravam insolúvel sem o seu co-fundador.
Apesar disso, a resposta dos KATATONIA chegou depressa. Com uma nova formação que inclui Renkse, Niklas Sandin no baixo, Daniel Moilanen na bateria e os guitarristas Sebastian Svalland e Nico Elgstrand, os KATATONIA lançaram o seu décimo terceiro álbum de estúdio, intitulado «Nightmares As Extensions Of The Waking State», em Junho de 2025.
O disco representa um salto audacioso: mantém os ganchos sombrios e a voz delicada de sempre, mas empurra a banda para direcções imprevisíveis, incluíndo alguns dos seus riffs mais pesados em anos. A chegada de Elgstrand — um ex-Entombed A.D. — e de Svalland não foi apenas cosmética: os guitarristas trouxeram aos KATATONIA uma dureza subtil, com riffs e solos que se distinguem e uma abordagem que tenta levar a música para território novo sem romper com a identidade estabelecida da banda.
A crítica dividiu-se. Há quem tenha visto no disco um regresso às raízes, há quem sinta a falta da tensão criativa que Anders Nyström proporcionava. A beleza elegíaca das melodias e a melancolia continuam presentes, claro, mas a construção das canções pode resultar fragmentária, com transições que chegam sem se anunciar. Mesmo assim, e apesar de todas essas reservas, «Nightmares As Extensions Of The Waking State» afigurou-se como um dos capítulos mais sombrios na saga musical da banda — o que, dada a sua história, não é afirmação de somenos.
Para os fãs portugueses, este regresso afirma-se como uma raridade. A banda não é presença frequente nos palcos lusos, e vê-la nesta fase de transição — com repertório novo, uma nova formação e a sombra do afastamento de Nyström ainda presente — é uma oportunidade daquelas que não se repete assim tão facilmente. Os bilhetes diários e o passe geral para o Vagos Metal Fest 2026 estão à venda no site oficial do evento.





