O novo tema abre o muito aguardado quinto álbum da banda de Nova Orleães, que chega em Novembro e marca o primeiro longa-duração dos DOWN em mais de uma década.
Os DOWN estão de volta com «The Myth», um novo tema que coloca novamente em evidência aquela já habitual combinação de riffs pesados, raízes bluesy e atitude sludge que tornou a banda uma das formações mais singulares a emergir de Nova Orleães. O single surge como segundo avanço de «Volume V», já na sequência de «Blood Oath», e funciona também como faixa de abertura do álbum.
Com lançamento marcado para 20 de Novembro através da Nuclear Blast Records, «Volume V» representa o primeiro álbum de longa-duração dos DOWN em mais de dez anos e reúne a formação composta por Philip H. Anselmo, Pepper Keenan, Kirk Windstein, Jimmy Bower e Pat Bruders.
Como podes conferir no player ali em baixo, em «The Myth», os músicos apostam desde os primeiros segundos numa abordagem musculada, assente em ritmos bem marcados e numa interpretação vocal muito pesada por parte de Anselmo, que se traduz numa entrada em força num LP que, segundo os próprios, procura recuperar a energia primordial que esteve na génese dos DOWN sem ignorar as décadas de experiência acumuladas desde então.
“É um conglomerado de riffs apertados e blues rock misturado com a diligência do metal clássico“, explica Anselmo ao descrever a abordagem do novo material. Para o vocalista, este álbum representa simultaneamente uma continuação natural da identidade da banda e uma oportunidade para explorar territórios que não seriam possíveis no início da carreira. “Estávamos todos mesmo muito entusiasmados. Havia uma sensação de leveza no ar. A atitude de todos era positiva. Houve mais foco que nunca. Cada um de nós estava individualmente a lutar por alguma coisa, e acredito que conseguimos aquilo que queríamos alcançar. O LP é uma viagem. É DOWN clássico, mas também é único.“
A longevidade da formação é, aliás, uma das peças fundamentais para compreender o carácter de «Volume V». Mais do que um simples projecto paralelo que reúne músicos provenientes de algumas das bandas mais importantes do metal norte-americano, os DOWN nasceram de uma amizade que remonta à adolescência.
Phil Anselmo, Keenan, Windstein e Bower cresceram praticamente à porta uns dos outros, numa área de cerca de 20 quarteirões de Nova Orleães, muito antes de qualquer um deles alcançar reconhecimento através dos seus grupos. O percurso acabaria por levá-los aos Pantera, Corrosion Of Conformity, Crowbar e Eyehategod, mas a ligação entre os cinco músicos começou muito antes dos palcos, discos e digressões.
“Somos os cinco da mesma era, crescemos juntos e conseguimos fazer muitas coisas por nossa conta. Todos soávamos de maneira diferente, mas continuamos a ser daquela mesma área de 20 quarteirões“, diz Peeper Keenan. “No que diz respeito ao que torna os DOWN especiais, conhecíamo-nos antes de qualquer um de nós ter feito alguma coisa. Há aqui muita história.” É precisamente essa história que Kirk Windstein recupera quando compara o novo material com «NOLA», a influente estreia editada em 1995. O guitarrista diz que a diferença está menos na atitude que na experiência que os músicos foram acumulando entretanto.
“Eles deram literalmente tudo a estes temas, escreveram grandes riffs e o Philip está a cantar de forma incrível. Ainda há muita electricidade quando nos juntamos“, afirma Windstein. “Para mim, é a mesma energia do nosso álbum de estreia, «NOLA», mas temos mais 35 anos de experiência como compositores.” A referência ao LP de 1995 não surge por acaso. «NOLA» continua a ser uma peça fundamental na identidade dos DOWN e, mais de três décadas após ter sido lançado, a formação parece determinada a reencontrar aquela espontaneidade sem tentar reproduzir literalmente o passado.
«Volume V» nasceu, assim, desse cruzamento entre essa memória e aquilo que os músicos são actualmente — e o alinhamento reserva algumas surpresas. «Merciful Fate», o segundo tema do álbum, conta com uma participação particularmente inesperada: King Diamond divide as vozes com Anselmo, num tema construído a 120 bpm e com solos à altura da ocasião. A cantora Livia Zita, mulher de King Diamond, participa também na faixa.
Por outro lado, a ligação ao universo de Ozzy Osbourne surge de forma marcada na recta final do disco. «Twice-Told Tales», o tema de encerramento, foi escrito enquanto a morte de Osbourne pairava sobre o processo criativo. O antigo cantor dos BLACK SABBATH morreu em Julho de 2025, durante o período em que os DOWN estavama trabalhar no LP, e a sua influência acabou por encontrar um espaço inesperado no disco. “É uma música importante para nós. Consegui sentir a influência do Ozzy em mim de uma forma estranha“, revela Anselmo. Talvez por isso, essa presença não se limita ao tema final. O nono lugar do alinhamento é ocupado por uma faixa intitulada «Ozz», que reforça a importância que o cantor britânico acabou por assumir no imaginário do novo trabalho.
Com «The Myth» a funcionar como porta de entrada para o disco e «Blood Oath» como primeiro sinal desta nova fase, «Volume V» começa a ganhar contornos de um regresso particularmente aguardado. Não apenas por ser o primeiro álbum dos DOWN em mais de uma década, mas porque coloca novamente em actividade uma formação cuja química nasceu muito antes da fama e que continua a encontrar combustível na mesma amizade que a juntou originalmente.
Depois de mais de trinta anos de história, os DOWN parecem querer provar que a electricidade descrita por Windstein continua intacta. E, a julgar por «The Myth», o quinto capítulo começa precisamente onde esta banda sempre se sentiu mais confortável: entre riffs esmagadores, peso, blues e uma química que não se fabrica em estúdio.

01. The Myth | 02. Merciful Fate | 03. Turn Out The Light | 04. The Message | 05. Causeway Grief | 06. Blood Oath | 07. They Walk The Night | 08. They Came From Dust | 09. Ozz | 10. Twice-Told Tales





