DENNIS PEPA

DENNIS PEPA, baixista fundador dos DEATH ANGEL, luta com um cancro em fase 4

DENNIS PEPA foi diagnosticado com um cancro agressivo no duodeno e lançou uma campanha de angariação de fundos para conseguir prosseguir o tratamento e apoiar a família.

Dennis Pepa, o baixista fundador dos thrashers DEATH ANGEL, revelou que está a lutar contra um cancro do duodeno em fase 4. O músico, uma das figuras que esteve na génese da histórica formação oriunda da Bay Area, tornou pública a situação através de uma campanha de angariação de fundos destinada a suportar os elevados custos associados ao tratamento, às deslocações e à manutenção da família durante os próximos meses.

O diagnóstico surgiu em Fevereiro deste ano e diz respeito a um carcinoma do duodeno, uma forma rara de cancro do intestino delgado que pode apresentar um comportamento particularmente agressivo. Para Pepa, a notícia chegou num período já marcado por uma profunda instabilidade financeira: depois de quase duas décadas no mesmo emprego, o músico perdeu o trabalho e viu-se subitamente confrontado com a necessidade de encontrar meios para financiar o tratamento enquanto continuava a fazer face às despesas quotidianas.

É nesse contexto que surge a campanha de GoFundMe, cujo objectivo foi estabelecido nos 150 mil dólares. A verba deve permitir a Dennis Pepa procurar tratamento no Immunocine Cancer Center, no México, além de cobrir os custos com viagens, alojamento e despesas familiares durante o período em que estiver fora de casa.

Num texto particularmente pessoal publicado na página da campanha, o antigo baixista dos DEATH ANGEL diz que pretende recorrer a uma forma de imunoterapia baseada em células dendríticas. De acordo com a informação disponibilizada pelo próprio centro, o tratamento utiliza células do sistema imunitário do paciente e material tumoral para desenvolver uma abordagem 100% personalizada, procurando estimular o organismo a reconhecer e combater as células cancerígenas.

Pepa sublinha, no entanto, que ainda necessita de confirmar se será aceite para o tratamento e qual será exactamente o custo dos cuidados médicos. Como referência, aponta uma estimativa pública de 120 mil dólares para o tratamento no Immunocine, valor que não inclui viagens, estadia ou as restantes despesas inerentes a uma permanência de aproximadamente seis semanas no México. A dimensão financeira da batalha é, por isso, apenas uma parte daquilo que levou o músico a pedir ajuda publicamente.

No seu testemunho, Dennis Pepa fala de uma situação que admite ser extremamente difícil de expor, mas que considera necessária perante a dimensão do desafio que tem pela frente. “Não preciso de nada extravagante. Só preciso de conseguir chegar lá, ter um tecto sobre a minha cabeça durante essas seis semanas e saber que a minha família ainda consegue manter as coisas a funcionar em casa“, escreveu ele.

Mais do que estabelecer uma meta financeira, Pepa procura reunir condições para continuar a viver a vida que ainda quer construir. O músico menciona especificamente os filhos, Maddox, de 22 anos, e Roman, de 19, dizendo que quer continuar a acompanhá-los enquanto crescem e constroem os seus próprios caminhos. Fala da vontade de ainda casar com a noiva, Gemalyn, e de permanecer presente junto das pessoas que mais ama. “Há ainda tanta coisa para a qual quero ficar aqui“, escreve, numa das passagens mais emotivas do seu apelo.

A ligação entre Dennis Pepa e os DEATH ANGEL remonta ao nascimento da própria banda. Formado em 1982 na Bay Area, o grupo começou por reunir os primos Rob Cavestany e Gus Pepa nas guitarras, Dennis Pepa no baixo e Andy Galeon na bateria. Mark Osegueda, também primo em segundo grau dos fundadores e inicialmente roadie da banda, viria a assumir o microfone em 1984.

Antes da entrada de Osegueda, Dennis Pepa chegou inclusivamente a desempenhar funções de vocalista principal, acumulando essa responsabilidade com o baixo durante os primeiros anos da formação. Ao longo da sua primeira passagem pelos DEATH ANGEL, entre 1982 e 1991, participou na construção das bases de uma banda que acabaria por se tornar numa das referências incontornáveis do thrash metal produzido na região de São Francisco.

Pepa regressaria posteriormente ao grupo em 2001, permanecendo até 2008. Durante as suas duas passagens, para além do baixo, assumiu também backing vocals e esteve ligado a diferentes fases da evolução da banda. O último concerto que assinou com os DEATH ANGEL aconteceu a 28 de Outubro de 2008, no Grand Ballroom, em São Francisco. Na altura, explicou a saída com a vontade de “diversificar e explorar outras oportunidades dentro e para além do metal“.

Hoje, quase duas décadas depois da sua última actuação com o grupo, o seu nome continua inevitavelmente ligado à fundação dos DEATH ANGEL e aos primeiros capítulos de uma cena que viria a desempenhar um papel determinante na história do thrash. Os próprios DEATH ANGEL fizeram questão de mobilizar a comunidade metálica em torno da campanha, partilhando a ligação para a angariação de fundos e apelando à solidariedade dos fãs. A banda descreve Pepa como irmão, amigo, primo e membro fundador, lembrando o contributo que deu para a definição do som e da atitude associados ao género.