ZZ TOP

ZZ TOP: As três fases da carreira de uma banda lendária

Hoje, recordar os ZZ TOP é também homenagear Dusty Hill e Frank Beard e celebrar a técnica, simplicidade e força de um dos maiores trios da história do rock.

Todos se recordarão das barbas, terão brincado com elas. E outra geração, mais velha, recordará os vídeos na MTV, sempre com o automóvel e as modelos cativantes. Todavia, há muito mais nos ZZ TOP, uma banda que esteve presente durante já mais de seis décadas, numa carreira com mais de sessenta anos, embora com apenas quinze álbuns de estúdio, e que nunca parou de tocar.

Há três fases na carreira dos ZZ TOP, cada uma com o seu valor e reconhecimento. O período compreendido entre o final dos 60s e princípios da década de 80, talvez tenha sido o mais genuíno e criativo do trio. Com uma base musical assente nos blues, Billy Gibbons encontrou no duo formado por Frank Beard e Dusty Hill a base rítmica ideal para a sua guitarra. É dessa fase «La Grange», do clássico «Tres Hombres». De lá saíram ainda outros clássicos como «Jesus Just Left Chicago» e «Beer Drinkers & Hell Raisers». Esta última, seria um hino de muitos motards e teria versões dos MOTÖRHEAD e VAN HALEN.

Em 1983, mudança de jogo; o grupo descobria os sintetizadores, produzia vídeos que encaixavam num novo canal de TV, a MTV, e rapidamente o sucesso chegou, primeiro com «Eliminator», depois com «Afterburner». Temas como «Legs», «Sharp Dressed Man», ou «Sleeping Bag» são ainda hoje populares em listas de vídeos dos anos 80, e garantiram diversos prémios MTV, bem como posições cimeiras nas tabelas de vendas.

«Eliminator» vendeu dez milhões de cópias, apenas nos Estados Unidos. Com «Recycler», de 1990, o sucesso começava a fugir, ao mesmo tempo que o grupo regressava aos blues. Sem nunca terem parado de tocar ao vivo, os ZZ TOP começaram uma nova fase, beneficiando do estatuto da longevidade.

Essa foi a altura do reconhecimento entre pares, colmatado em 15 de Março de 2004, quando o grupo conquistou por fim um lugar no Rock and Roll Hall of Fame, sendo apresentado por Keith Richards, guitarrista dos ROLLING STONES. Quem melhor que ele para entender o conceito de longevidade e a abordagem simples e eficaz, próxima do minimalismo original, que o trio soube conferir aos seus temas?

O som dos ZZ TOP influenciou muitos grupos, em particular os irmãos Abbott que trouxeram muito do groove dos seus temas do estilo do trio. Sem Phil Anselmo, os restantes elementos dos PANTERA formaram mesmo a banda TRES DIABLOS, que fazia apenas versões dos ZZ TOP, sendo «I Heard It On The X», o único tema que ficou registado para a posteridade e em que se percebe a perfeita mistura do som de ambos os grupos.

Um bom exemplo da abordagem que os músicos fazem aos blues, da densidade acompanhada de uma aparente simplicidade é a execução do trio, para a faixa «La Grange», no programa de Howard Stern, que podes ver no player em baixo. Uma boa forma de homenagear Dusty Hill e o recentemente falecido Frank Beard, enquanto se aprecia a irrepreensível técnica de execução dos ZZ TOP.