Os SLAYER acabam de acrescentar mais uma data ao ciclo comemorativo do álbum que redefiniu o thrash.
A menos de seis meses da data, os bilhetes para o concerto de aniversário dos SLAYER no Kia Forum já tinham esgotado — e a resposta da banda foi imediata. O grupo californiano confirmou esta quinta-feira, 23 de Abril, uma segunda noite no mesmo recinto de Los Angeles, agendada para o dia 14 de Novembro, acrescentando assim uma data extra às actuações já anunciadas para celebrar o 40.º aniversário de um dos LPs mais influentes da história da música extrema.
A justificação é simples, na sua grandiosidade: quarenta anos após o lançamento de «Reign In Blood», a procura de bilhetes para os concertos que assinalam esse marco revelou-se intensa ao ponto de tornar o alargamento dos planos iniciais inevitável. “Devido à enorme procura, os SLAYER adicionaram um segundo espectáculo de comemoração do 40.º aniversário de «Reign in Blood» no Kia Forum em Los Angeles, no dia 14 de Novembro de 2026“, lê-se no comunicado oficial divulgado pela banda.
Note-se que a noite de 13 de Novembro — até agora a mais aguardada deste ciclo — contará ainda com a presença dos CANNIBAL CORPSE, CROWBAR e CAVALERA CONSPIRACY, o famoso projecto liderado pelos irmãos Max e Igor Cavalera, o que lhe confere um peso simbólico particular para os aficionados do metal mais extremo. Até este momento, ainda não foram revelados os convidados especiais para a data adicional de 14 de Novembro.
Lançado em Outubro de 1986, o «Reign in Blood» não é apenas o disco mais célebre dos SLAYER — é um dos registos mais influentes de toda a história do metal pesado. Com apenas dez faixas e menos de trinta minutos de duração, o álbum concentrou uma violência sonora e uma precisão técnica que até então pareciam irreconciliáveis.
Gravado por Tom Araya, Jeff Hanneman, Kerry King e Dave Lombardo, o disco foi produzido por Rick Rubin — uma parceria que, à época, surpreendeu a cena, dado o percurso do produtor estar associado ao hip-hop e ao rock alternativo. O resultado desmentiu todos os cepticismos. A «Angel Of Death», que abre o álbum com uma das riffs mais reconhecíveis do thrash, e «Raining Blood», que encerra com uma bru talidade quase cinematográfica, tornaram-se dois dos temas mais identitários da carreira da banda.
Importa aqui recordar que a história recente do SLAYER é marcada por uma saída anunciada com pompa e circunstância, e por um regresso que, segundo a própria banda, não estava nos planos. Em 2019, após uma extensa tour de despedida, o quarteto retirou-se dos palcos. Apenas cinco anos depois, em 2024, a banda voltou a actuar — ainda que de forma muito pontual e selectiva, sem sinais de um regresso pleno ao circuito das digressões.
A formação actual dos SLAYER já não é a original que gravou «Reign In Blood»: Kerry King e Tom Araya mantêm-se intocados como núcleo fundador, mas Jeff Hanneman, falecido em 2013, é irreparavelmente insubstituível, e Dave Lombardo deixou o grupo há anos. Os lugares de guitarrista e baterista são agora ocupados por Gary Holt — histórico elemento dos EXODUS — e Paul Bostaph, respectivamente.
E sim, há quem veja nestes concertos comemorativos uma operação de pura nostalgia. Mas seria redutor encará-los assim. o «Reign in Blood» é um daqueles LPs que se recusa a envelhecer — não porque seja intemporal no sentido convencional do termo, mas porque a sua radicalidade continua a soar desafiante mesmo quatro décadas depois. Que os SLAYER o celebrem em Los Angeles, cidade onde a banda nasceu e onde o thrash floresceu nos seus anos formativos, tem uma lógica poética inegável.





