Quatro décadas depois, os SLAYER voltam a um dos momentos mais determinantes da sua história.
As lendas californianas SLAYER anunciaram dois espectáculos muitíssimoo especiais para assinalar o 40.º aniversário de «Reign In Blood», o seu terceiro álbum de estúdio e um dos lançamentos mais influentes da história do metal extremo. Os concertos, agendados para 4 de Setembro em Shakopee, no Minnesota, e 13 de Novembro em Inglewood, na Califórnia, terão como principal destaque a execução integral do LP de 1986, numa celebração rara que não deverá repetir-se em território norte-americano.
Estes serão, de resto, os únicos espectáculos em nome próprio dos SLAYER nos Estados Unidos com este formato comemorativo. Ao longo do ano, os SLAYER vão continuar a marcar presença em vários festivais, mas com alinhamentos distintos, o que confere a estas duas datas um carácter particularmente exclusivo. No concerto em Shakopee, os SLAYER vão ser acompanhados pelos DOWN, SUICIDAL TENDENCIES e HATEBREED, enquanto o concerto em Los Angeles contará com a participação dos CANNIBAL CORPSE, CAVALERA e CROWBAR.
Estes eventos surgem na sequência de uma série de actuações de regresso que os SLAYER tem vindo a realizar desde 2024. Em 2025, o grupo apresentou-se em vários palcos de grande dimensão, incluindo o Hersheypark Stadium, na Pensilvânia, e o festival Louder Than Life, no Kentucky, bem como concertos no Reino Unido e no Canadá. A banda integrou ainda o espectáculode despedida dos BLACK SABBATH e de Ozzy Osbourne, o Back To The Beginning, onde interpretou um alinhamento de seis temas, sublinhando a sua posição como uma das formações mais relevantes da história do género.
A formação actual dos SLAYER mantém-se inalterada em relação à tour de despedida de 2019, reunindo o guitarrista Kerry King e o baixista/vocalista Tom Araya, juntamente com Paul Bostaph na bateria e Gary Holt na guitarra, numa configuração que tem garantido consistência e intensidade às recentes actuações ao vivo.
Lançado originalmente a 7 de Outubro de 1986 pela Def Jam Recordings, o «Reign In Blood» marcou o início da colaboração da banda com o produtor Rick Rubin, cuja abordagem contribuiu decisivamente para a definição de um som mais directo e incisivo. O álbum é frequentemente citado como um marco absoluto do thrash e do speed metal, tendo sido descrito pela Kerrang! como “o álbum mais pesado de todos os tempos”.
Apesar do reconhecimento crítico, o disco não esteve isento de polémica. O lançamento foi inicialmente travado devido ao conteúdo gráfico da capa e às temáticas abordadas nas letras. A canção de abertura, «Angel Of Death», que faz referência ao médico nazi Josef Mengele e às suas experiências em Auschwitz, gerou acusações de simpatia ideológica, prontamente rejeitadas pela banda ao longo dos anos.
Sobre essa controvérsia, o falecido guitarrista Jeff Hanneman recordou: “A «Angel Of Death» acabou por ser um grande problema. Lembro-me de receber um telefonema depois de o álbum estar pronto: a Sony não o ia lançar. Estava em casa, furioso, a atirar coisas. Que raio? Nunca achei que houvesse algo de errado com a «Angel Of Death» ou com o que fizemos, é como um documentário… Não há ‘Heil Hitler’ nem ‘os brancos mandam’ na letra, é um documentário; por favor, cresçam.”
Com o tempo, o «Reign In Blood» consolidou o seu estatuto de clássico, tornando-se o primeiro álbum dos SLAYER a entrar na tabela Billboard 200, onde atingiu a posição 94. Em 1992, foi certificado ouro pela RIAA, ultrapassando as 500 mil unidades vendidas só nos Estados Unidos. Agora, quatro décadas depois de ter sido originalmente lançado, o impacto de «Reign In Blood» mantém-se intacto — e os concertos de celebração surgem como uma oportunidade rara para revisitar, em contexto integral, um dos discos que ajudaram a redefinir os limites do metal extremo.




