PARADISE LOST

PARADISE LOST: «Draconian Times», o disco que transformou o rock gótico em heavy metal

O «Draconian Times», quinto álbum dos PARADISE LOST, foi originalmente editado a 12 de Junho de 1995 e continua a ser, para muitos, a pedra angular do metal sombrio dos anos 90.

Os anos 90 foram uma década particularmente complicada para o metal. O thrash perdera o fôlego que tivera na década anterior, e o hair metal fora definitivamente enterrado — ou assim se esperava — pelos sons sofridos vindos de Seattle. O problema é que essa onda grunge também arrastou consigo qualquer resquício do que se podia chamar “metal a sério”, tornando o género profundamente fora de moda.

Nesse contexto, apenas duas bandas conseguiam manter a chama viva ao nível comercial: os METALLICA e os PANTERA, que sem nunca se cruzarem directamente, garantiam que ainda havia espaço para o metal em algumas tabelas de vendas. No entanto, por baixo da camada de sucesso mediático, o underground continuava tão sólido como sempre — e os PARADISE LOST eram parte fundamental dessa resistência.

O álbum «Icon», editado em 1993, é (e continua a ser) um clássico absoluto do doom metal gótico. Foi esse estatuto que levou alguém na Music For Nations a apostar nos PARADISE LOST como a banda com maior potencial para levar o metal de volta ao mainstream. A campanha promocional em torno do disco seguinte, o «Draconian Times» foi, por isso, avassaladora.

Provavelmente há quem recorde ainda hoje um artigo de antevisão na revista Kerrang! que descrevia o disco como “potencialmente o «Black Album» britânico” — comparação ousada, que dizia tudo sobre as expectativas depositadas no álbum. E, na verdade, o «Draconian Times» acabou por ser, de facto, o LP mais comercialmente bem-sucedido dos PARADISE LOST. Garantiu-lhes presença nos palcos principais de todos os grandes festivais europeus e, ainda que ficasse longe da exposição ao nível dos METALLICA, será justo afirmar que cimentou definitivamente a carreira da banda.

Cada fã tem o seu período preferido — seja a fase inicial death/doom, seja a fase final dos anos 90, mais próxima de uma homenagem a Gary Numan ou aos DEPECHE MODE. Mas há um consenso transversal: num concerto dos PARADISE LOST, é em torno de «Draconian Times» que praticamente todos os fãs se unem. Musicalmente o disco soa como a continuação lógica do «Icon», mas foi aqui que abandonaram por completo os elementos progressivos que tinham experimentado em «Shades Of God».

Nick Holmes, por sua vez, deixou totalmente de lado os grunhidos do death metal — um registo vocal que só voltaria a usar mais de duas décadas depois. O que resta são, por isso, doze blocos compactos de heavy metal gótico, sem rodeios. Se num confronto directo o «Icon» talvez ganhasse por ter os riffs mais demolidores, o «Draconian Times» ganha pela quantidade de canções verdadeiramente memoráveis, do princípio ao fim.

Trinta e um anos depois do seu lançamento, mantém-se a ideia de que o «Draconian Times» é um álbum que qualquer fã de música pesada deveria, pelo menos, conhecer — e que a grande maioria devia ter na sua colecção. Para quem o ouve desde o lançamento, é o tipo de disco que nunca sai verdadeiramente de circulação: regressa às colunas, ano após ano, como uma espécie de ritual silencioso.

Portanto, três décadas e mais um ano depois do seu lançamento, o quinto LP dos PARADISE LOST ainda se mantém como uma referência incontornável do doom metalgótico britânico — um disco que ajudou a definir o som de uma geração e a consolidar a carreira de uma das bandas mais influentes do género.