NAPALM DEATH

NAPALM DEATH fazem história com uma actuação explosiva na TINY DESK da NPR [vídeo]

Os NAPALM DEATH tornaram-se a banda mais pesada de sempre a tocar na célebre TINY DESK, da rádio pública norte-americana NPR, um formato conhecido pela intimidade acústica e pelos concertos contidos atrás de uma secretária de escritório.

Há gestos que, à partida, parecem algo impossíveis de conciliar. Um deles é colocar os fundadores do grindcore — género nascido da fusão entre punk hardcore, crust e uma vontade quase patológica de destilar raiva até à sua forma mais crua — num espaço que foi concebido para a folk intimista e sessões acústicas de câmara. Foi exactamente isso que aconteceu quando as lendas NAPALM DEATH gravaram a sua participação na Tiny Desk, a célebre série de concertos da NPR Music, consumada agora como mais um marco de uma carreira que já dura há mais de quatro décadas.

Formados em Birmingham, em 1981, os NAPALM DEATH são hoje uma instituição incontornável da música extrema, sendo amplamente reconhecidos como a banda que deu origem ao próprio conceito de grindcore — subgénero caracterizado por temas ultra rápidos, estruturas caóticas e uma atitude de confronto directo, tanto sonoro como político. A Tiny Desk, pelo contrário, é sinónimo de despojamento e proximidade, um cenário onde normalmente imperam vozes suaves e instrumentação acústica. O contraste, longe de ser amenizado, foi assumido pela banda como parte do desafio.

Mark Greenway, vocalista conhecido como “Barney”, explicou a motivação por trás da presença do grupo neste espaço tão pouco habitual ao género. Em declarações citadas no comunicado da banda, afirmou: “Há décadas que ouço o Democracy Now! através da NPR para ter acesso a notícias cruas, mas pensadas, sobre o que passa nos Estados Unidos. Talvez por isso, quando fizeram o convite para tocarmosTiny Desk, confesso que isso mexeu um pouco com a minha cabeça.”

O frontman dos NAPALM DEATH sublinha ainda que a banda não alterou a sua postura habitual apesar da visibilidade acrescida que este tipo de palco proporciona: “Percebemos que íamos chegar a muito mais gente do que é habitual com a actuação na Tiny Desk, mas, como seria de esperar da parte dos NAPALM DEATH, nunca estivemos dispostos a suavizar a nossa actuação, nem um pouco. Esperamos que todos consigam tirar alguma coisa disto, nem que seja só a noção do que é levar a abrasão musical ao extremo.” Greenway aproveitou ainda a ocasião para deixar um apelo mais amplo: “Apoiem sempre a rádio e a televisão de acesso público, tendo em conta os ataques constantes de que têm sido alvo.”

A concretização deste encontro entre dois universos aparentemente opostos deve-se, em larga medida, a Lars Gotrich, produtor e crítico da NPR Music, cuja apreciação de longa data pela música pesada tem vindo a abrir espaço, dentro da série, a propostas que fogem do habitual perfil folk ou indie da Tiny Desk. Gotrich, que assina a curadoria desta edição, explica a exigência que impôs a si próprio antes de convidar a banda britânica: “A primeira banda de grindcore na Tiny Desk só podia ser NAPALM DEATH, uma vez que são os fundadores do género. Recusei tantas outras bandas — foi assim que percebi a importância de fazer isto bem feito.”

O produtor norte-americano foi ainda mais longe na forma como caracterizou o legado do grupo, associando a sua música a um contexto social bem mais amplo: “Só existem uns NAPALM DEATH, não apenas exemplares no que toca à música extrema, mas também no que significa ser humano nestes tempos que parecem tão desumanos.”

Apesar de nenhum dos membros fundadores permanecer actualmente na formação, os NAPALM DEATH mantiveram, ao longo da sua história, um núcleo relativamente estável em torno de Greenway e do baixista Shane Embury, este último o membro mais antigo do grupo, tendo integrado a banda em 1987 e participado em 15 dos 16 álbuns editados até hoje. Embury encontra-se, neste momento, afastado da estrada, dedicando-se ao tratamento de uma série de problemas de saúde, entre os quais uma pancreatite. O seu lugar em digressão tem sido assegurado por Adam Clarkson, que já colabora com a banda, de forma intermitente, desde 2023. Completam a actual formação o baterista de longa data Danny Herrera e o guitarrista John Cooke.