MORK

MORK anunciam novo álbum com um single que evoca a fúria dos elementos [vídeo-clip]

«Torden» antecipa a chegada de «Monolitt», o novo álbum dos MORK, que tem data de edição prevista para Junho.

O trovão não avisa. Cai. E é precisamente essa brutalidade repentina e inevitável que Thomas Eriksen quis capturar o mais recente single dos MORK, «Torden» — em norueguês, a palavra usada no título significa isso mesmo: trovão. A canção chegou acompanhada de um vídeo realizado por Matthew Vickerstaff, e é mais um avanço de «Monolitt», o sucessor de «Syv» que, há dois anos, consolidou Eriksen como um dos porta-estandartes mais consistentes do black metal escandinavo contemporâneo.

Como podes conferir no player em baixo, «Torden» não se perde em meandros atmosféricos. Entra de frente, com riffs densos e ascendentes que dão rapidamente lugar a uma intensidade sem concessões, característica do black metal norueguês mais comprometido com a sua própria lógica interna. Não é a subtileza que está aqui em jogo — é a força bruta de uma tempestade que decide, num instante, que já chega.

O vídeo-clip, assinado por Matthew Vickerstaff, complementa a ferocidade da canção com uma estética que sublinha o peso das imagens sem recorrer ao aparato cenográfico que por vezes empoba este tipo de produções. É contido onde poderia ser excessivo, o que acaba por servir melhor a música.

O próprio timoneiro dos MORK descreve a faixa com precisão quase meteorológica: “Esta faixa enérgica capta o momento em que a tempestade rebenta. Quando os elementos já tiveram suficiente e chega a hora de varrer tudo com fúria. É grande e épico, e ao mesmo tempo esmagador e implacável. Uma faixa que faz o sangue ferver.”

Não é linguagem exagerada. É uma declaração de intenções. E ouvindo «Torden», percebe-se desde logo que as palavras têm correspondência directa no som: há ali algo de arcaico e simultaneamente urgente, é quase como se os MORK estivessem a recuperar uma tradição norueguesa — aquela do black metal que se quer natural, telúrico, visceral — e a projectá-la com uma clareza de produção que não esmaga, antes amplifica.

Os MORK nasceram em 2004 como projecto a solo de Thomas Eriksen, músico norueguês que durante anos manteve a banda num registo 100% underground antes de ganhar maior projecção internacional, sobretudo a partir da colaboração com a Peaceville Records — editora histórica com uma genealogia que inclui nomes como PARADISE LOST, MY DYING BRIDE e DARKTHRONE. Essa filiação não foi irrelevante: colocou os MORK numa linhagem precisa, a de um black metal que dialoga com o doom e a melancolia nórdica sem se diluir em qualquer delas.

«Syv», o álbum de 2024, foi recebido com entusiasmo por quem acompanha a cena, e estabeleceu o patamar a partir do qual «Monolitt» terá agora de se afirmar. O título do novo álbum — monólito, em português — sugere algo de singular, estático e ao mesmo tempo ameaçador. Uma estrutura que existe independentemente do observador. Com «Torden» como cartão de visita, fica a ideia de que «Monolitt» não vai precisar de se justificar muito.

«Monolitt» chega a 19 de Junho via Peaceville Records. Podes conferir a capa e o alinhamento completo em baixo, as pré-encomendas dos formatos físicos estão disponíveis aqui.

01. Under Vekten Av Verden | 02. Ødelagt | 03. Torden | 04. Skrømt | 05. Ferdamann | 06. Inn i en annen sfære | 07. Martyr | 08. Jutul | 09. Utryddelse