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METALLICA tocam a «Fast As A Shark» em homenagem aos ACCEPT [vídeos]

No mais recente concerto dos METALLICA em Frankfurt, Kirk Hammett e Robert Trujillo atiraram-se a uma das faixas mais rápidas e furiosas do metal dos anos 80.

A 24 de Maio, o guitarrista Kirk Hammett e o baixista Robert Trujillo subiram ao palco do Deutsche Bank Park, em Frankfurt, e fizeram o que já se transformou um dos momentos mais esperados da M72 World Tour dos METALLICA: tiraram do baú uma pérola alheia, interpretaram-na a dois — guitarra e baixo, sem redes — e deixaram a multidão a perguntar-se como é que ainda se surpreendem.

A escolha desta vez foi «Fast As A Shark», dos ACCEPT, um dos hinos fundadores do heavy/speed metal europeu, lançado em 1982 no álbum «Restless And Wild» e há muito consagrado como pedra angular do heavy metal alemão e do thrash em geral. Num país onde o legado dos ACCEPT nunca foi esquecido, o gesto não passou despercebido.

Na linguagem interna dos METALLICA, chama-se “doodle” — o termo surge nos próprios alinhamentos da banda, quase como se fosse uma rabiscação, algo casual e espontâneo. Mas há muito que isso deixou de ser verdade. O que começou como uma experiência informal em Amsterdão — Hammett a caminhar para a frente do palco com o riff da «Le Freak», dos CHIC, apanhando Trujillo desprevenido — acabou por transformar-se numa das propostas mais inventivas e genuínas de qualquer grande digressão de arenas e estádios no mundo.

O Kirk saiu para o palco uma noite e começou a tocar umaa música dos CHIC, e apanhou-me “, recordou o baixista dos METALLICA em entrevista ao programa Drinks With Johnny, conduzido por Johnny Christ dos AVENGED SEVENFOLD. “Pensei: ‘Está bem, percebo para onde isto vai.’ Na primeira noite improvisei o baixo porque não sabia a linha exacta. Na segunda noite já a dominava.

A ideia nasceu da necessidade. A dupla tinha tentado antes executar temas dos METALLICA — versões de alguns dos temas menos tocados, como «Eye Of The Beholder» ou «I Disappear» — mas o resultado era quase sempre o mesmo: o público ficava à espera da entrada de James Hetfield e Lars Ulrich em palco, e o momento acabava por perder-se. Faltava algo que pertencesse unicamente a Hammett e a Trujillo. Algo sem expectativas pré-definidas.

O que se seguiu foi um trabalho de investigação que Robert Trujillo descreveu com um entusiasmo algo próximo da obsessão. Para cada cidade, cada país, a dupla pesquisou repertório local — punk, alternativo, country, música folclórica, flamenco — e preparou arranjos completos, incluindo letras aprendidas apenas foneticamente. O baixista dos METALLICA chegou mesmo a deslocar-se ao Havai para trabalhar com Kirk Hammett nas adaptações.

Como é netural, os “doodles” nem sempre foram recebidos com entusiasmo pelos autores originais. Tom Gabriel Fischer, ex-CELTIC FROST, reagiu com desagrado quando a dupla dos METALLICA interpretou a «The Usurper» em Zurique, em Maio de 2019. “Massacraram-na, e foi humilhante“, disse Fischer à Rolling Stone. “Por que não deixam os seus dedos milionários fora deste tipo de coisas? Na minha opinião, há muito que perderam a capacidade de tocar metal verdadeiro.

É uma crítica dura, e não completamente desprovida de fundamento — há quem veja nos “doodles” um gesto de condescendência, uma forma de os maiores do metal global darem uma palmadinha nas costas a quem ficou pelo caminho. No entanto, a leitura oposta é também válida: poucos grupos da dimensão dos METALLICA dariam ao público em Frankfurt um momento de cumplicidade com «Fast As A Shark», uma faixa de 1982 que a maioria das bandas de arena nunca ousaria sequer mencionar.

Lançada em Amsterdão em Abril de 2023, a M72 World Tour já passou por cerca de quatro milhões de espectadores em todo o mundo. Para além do espectáculo, os METALLICA mantêm o compromisso de ceder uma parte das receitas de cada concerto a instituições locais, através da fundação All Within My Hands, criada em 2017. Até à data, a fundação já angariou mais de 20 milhões de dólares destinados a programas de formação profissional e técnica, combate à insegurança alimentar e resposta a catástrofes naturais.