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KREATOR: De SABBATH a METALLICA: as 5 faixas de metal que formaram MILLE PETROZZA

Cinco décadas de ferro fundido num único alinhamento — Petrozza, o ‘frontman’ dos KREATOR, escolhe entre o catálogo canónico do género e justifica cada decisão com a autoridade de quem passou a vida a fazer soar o mundo.

Mille Petrozza, voz e guitarrista dos KREATOR, enfrentou o exercício de reduzir uma vida de influências a apenas cinco canções. O resultado é uma lista sem surpresas aparentes, mas com pelo menos um título inesperado que diz muito sobre o ouvido e a personalidade artística do músico alemão. A incursão, que foi detalhada na plataforma Knotfest, começa logo com os grandes nomes, também os mais óbvios, que moldaram gerações.

“Escolho algo dos JUDAS PRIEST, por exemplo a «Electric Eye». Dos IRON MAIDEN escolho a «Killers».” Duas bandas britânicas, dois pilares incontornáveis do heavy metal tradicional dos anos 80. A opção de Mille Petrozza por «Killers» — em vez das mais óbvias «The Trooper» ou «Run To The Hills» — revela já uma preferência pelo metal mais cortante e de menor concessão ao mainstream.

A terceira escolha confirma essa tendência: os suíços CELTIC FROST e a clássica «Circle Of The Tyrants», um dos hinos fundadores do metal extremo europeu. “Até aqui é tudo old school, reconheceu Petrozza com um sorriso implícito na resposta. O quarto nome não surpreende, mas a escolha concreta sim.

“Teria de meter sempre algo dos METALLICA. Escolhia a «Blackened» — é um dos meus riffs favoritos de sempre.” Num universo em que «Master Of Puppets» ou até «Battery» seriam as respostas esperadas, «Blackened» — a abertura sombria e polirrítmica de «…And Justice For All», de 1988 — soa a declaração de princípios: o reconhecimento de que o virtuosismo técnico e a brutalidade podem coexistir sem se anularem.

É no quinto lugar que Mille Petrozza decide sair do caminho mais fácil — e de forma assumida. “O tema de heavy metal definitivo terá de ser algo dos BLACK SABBATH. É um cliché, mas provavelmente tem de ser assim.” Até aqui, território seguro. Mas a opção não é «Paranoid», não é «Iron Man», não é «War Pigs». É a «Symptom Of The Universe», do álbum «Sabotage» de 1975, talvez um dos LPs menos celebrados do catálogo inicial dos BLACK SABBATH, mas unanimemente reconhecida pelos conhecedores como uma das mais visionárias.

“Toda a gente diria «Paranoid» ou o que fosse, mas acho que a «Symptom Of The Universe» tem um riff absolutamente extraordinário”, explicou o timoneiro dos KREATOR. É uma escolha que distingue o fã cultivado do que apenas conhece os clássicos ou aquela playlist dos mais tocados no streaming. Mille Petrozza reconhece a dificuldade do exercício: “É quase impossível escolher apenas cinco canções. Gosto de todo o tipo de heavy metal, do mais recente ao mais antigo. No entanto, se tinha de escolher cinco, seriam inevitavelmente grandes clássicos.”

Esta curiosidade surge num momento de produtividade e exposição pública invulgar para os KREATOR. Em Janeiro de 2026, a banda lançou «Krushers Of The World», o seu décimo sexto LP de estúdio, editado pela Nuclear Blast Records. Gravado nos estúdios Fascination Street, em Örebro, na Suécia, sob a direcção do produtor Jens Bogren — que já havia trabalhado com o grupo nos álbuns «Phantom Antichrist», de 2012, e «Gods Of Violence», de 2017.

Foram extraídos vários singles do disco, entre eles «Seven Serpents», «Satanic Anarchy» e a bastante mais arriscada «Tränenpalast», com a participação vocal de Britta Görtz, dos HIRAES. A promoção do álbum passou por uma digressão europeia de dimensão considerável, atravessando vinte países entre Março e Abril de 2026. O arranque deu-se precisamente em Portugal, a 20 de Março, na Sala Tejo da MEO Arena, em Lisboa, com os CARCASS, EXODUS e NAILS como companheiros de digressão. A última data ocorreu a 25 de Abril em Copenhaga, na Dinamarca.

Os KREATOR andaram recentemente em digressão norte-americana e passaram por festivais como o Welcome To Rockville, o Sonic Temple e o Maryland Deathfest, numa rota que arrancou a 7 de Maio em Fort Lauderdale, na Florida, e encerrou a 23 do mesmo mês em Huntington, em Nova Iorque.

O período recente tem sido igualmente rico fora dos palcos. Em Julho de 2025, o documentário oficial Hate & Hope, com realização de Cordula Kablitz-Post, foi exibido na 42.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Munique, estreando comercialmente em salas de cinema em Setembro desse ano. O filme sobre os KREATOR tem uma duração de 110 minutos e acompanha a trajectória de uma das bandas mais longevas e influentes do thrash metal europeu.