IRON MAIDEN

IRON MAIDEN manifestam-se sobre o apagão durante o concerto em Paris

A falha de energia deixou mais de 30 mil fãs à espera durante cerca de uma hora, obrigando os IRON MAIDEN a encurtarem um espetáculo que estava a ser filmado para assinalar os seus 50 anos de carreira.

A 22 de junho, a La Défense Arena transformou-se em palco de um dos episódios mais caóticos da longa carreira dos IRON MAIDEN. O concerto de Paris — marcado para ser filmado e editado como documento oficial da digressão Run For Your Lives, que passa por Portugal em Julho — foi interrompido por um corte total de energia durante a interpretação da clássica «2 Minutes to Midnight». Mais de 30 mil fãs ficaram às escuras, com o ar condicionado desligado, durante uma hora, a suportar temperaturas que naquele dia chegaram aos 44°C na capital francesa.

Nada nesta noite devia ser ordinário. Os IRON MAIDEN regressavam à maior arena coberta da Europa — com capacidade para 37 mil pessoas, casa habitual do clube de râguebi Racing 92 — após dois concertos esgotados ali realizados em 2025. Desta vez, o propósito era outro: a data tinha sido seleccionada para filmar o espectáculo, com vista a um futuro lançamento que documentasse a digressão de aniversário da banda.

Para garantir condições ideais para as câmaras e para o público, a organização implementou uma política de concerto sem telemóveis na zona de pé. Os fãs dos IRON MAIDEN foram obrigados a guardar os seus dispositivos em bolsas Yondr, para que pudessem viver a experiência sem ecrãs a obstruir a sua visão — e para que a filmagem profissional não fosse comprometida pelas luzes dos dispositivos pessoais. A aposta era clara: a noite de Paris devia ser a noite perfeita.

A ironia não passou despercebida a ninguém: o corte de energia ocorreu precisamente enquanto a banda tocava «2 Minutes To Midnight». Os geradores de emergência entraram de imediato em funcionamento, mas forneceram electricidade apenas suficiente para manter as luzes de serviço acesas. O palco apagou-se. O som morreu. Três décadas de produção técnica cinematográfica reduziram-se, em segundos, a um silêncio profundo e penumbra.

O que se seguiu foi uma longa hora de espera. Com o sistema de climatização inoperacional e dezenas de milhares de corpos dentro de um espaço fechado, o calor tornou-se sufocante. Inicialmente, os fãs tentaram manter o ânimo com palmas e cânticos para encorajar o regresso da banda ao palco. Com o tempo, porém, a frustração começou a crescer — e, segundo um dos clubes de fãs europeus da banda, muitos presentes tinham já abandonado o recinto quando os IRON MAIDEN finalmente regressaram a palco, vendo-se forçados a encurtar o alinhamento.

O vocalista Bruce Dickinson foi o primeiro a tomar a palavra no comunicado oficial divulgado pela banda: “Apesar de tudo, o público e a atmosfera em Paris foram fantásticos e, como todos os outros desafios que os IRON MAIDEN enfrentaram ao longo dos anos, encontraremos uma forma de lidar com as canções em falta nos encores quando chegar a altura de finalizar o filme.”

“Sabemos que muitos de vós viajaram longas distâncias, aguardaram pacientemente durante a interrupção e estavam ansiosos por experienciar o espectáculo completo da Run For Your Lives Tour. Partilhamos essa vossa desilusão. Ninguém está mais frustrado do que a banda e a equipa, que estavam ansiosas por dar a actuação completa que todos mereciam.”

O manager Rod Smallwood, figura histórica dos IRON MAIDEN desde os primeiros anos, acrescentou um dado que ilustra bem a dimensão do que foi aquela espera: “A temperatura em Paris chegou aos 44°C e o ar condicionado da sala desligou-se com o corte de energia, por isso, claro, com tanta gente lá dentro, ficou muito quente enquanto o público esperava que pudéssemos retomar ao palco. Ainda assim, Smallwood não hesitou: “Os fãs foram magníficos.”

Como seria de esperar, o incidente em Paris não foi capaz de travar a Run For Your Lives World Tour, anunciada em Setembro de 2024 como celebração dos 50 anos dos IRON MAIDEN. A digressão, que percorre material dos primeiros nove álbuns de estúdio da banda, continua a um ritmo feroz: a agenda inclui ainda datas em Lyon, Antuérpia, Espanha, e uma passagem por Lisboa no Estádio da Luz, a 7 de Julho, antes de seguir para Knebworth, América do Norte, América Latina, Oceânia e Japão.

Quanto ao filme — uma das razões de ser desta noite em particular —, Dickinson garante que os IRON MAIDEN vão encontrar forma de colmatar o que ficou por registar. Como a banda sempre fez, ao longo de meio século: o que importa é seguir em frente.