IRON MAIDEN

IRON MAIDEN: Concerto em Paris interrompido após corte de energia

Numa noite pensada para a eternidade, a corrente eléctrica decidiu ter outra opinião. O concerto dos IRON MAIDEN na La Défense Arena vai ficar na memória — mas não apenas pelas razões certas.

O concerto em Paris estava destinado a ser um documento histórico. A La Défense Arena, em Nanterre, recebeu cerca de 30 000 pessoas — e não apenas para mais uma noite de heavy metal. O concerto dos IRON MAIDEN estava a ser filmado profissionalmente para o filme de concerto da digressão Run For Your Lives, um registo cuidadosamente planeado de uma banda que celebra meio século de existência. O que ninguém planeou foi o corte abrupto da corrente eléctrica que paralisou tudo a meio da noite.

Eram cerca das 21:40 quando os IRON MAIDEN tocaram a «2 Minutes To Midnight» — canção de 1984, originalmente incluída em «Powerslave» — e o palco se apagou sem aviso. A falha de energia afectou o bairro em redor da La Défense Arena, forçando a interrupção total do espectáculo numa das datas mais importantes e controladas de toda a digressão, que passa em breve por Lisboa.

A ironia do cenário não passa despercebida. Antes do espectáculo, os fãs tinham sido informados de que o concerto decorreria sem telemóveis, medida tomada para garantir a melhor experiência visual possível para o filme da digressão. Para o efeito, foram utilizadas bolsas Yondr nas zonas de pé — um sistema que bloqueia o acesso ao dispositivo durante o evento.

A produção estava preparada para captar cada pormenor em condições ideais. O que não estava previsto era uma falha eléctrica de escala suficiente para neutralizar todos os sistemas de palco, toda a iluminação e, durante algum tempo, o próprio ar condicionado — numa cidade em plena vaga de calor.

Os geradores de emergência entraram em funcionamento, mas forneceram electricidade apenas para as luzes de serviço da sala, deixando o palco às escuras e os IRON MAIDEN sem condições para retomar a actuação. O público, apanhado entre o calor e a incerteza, começou a partilhar relatos em tempo real nas redes sociais — precisamente com os telemóveis que tinham sido guardados nas bolsas antes do início do espectáculo.

Segundo a AFP, encontravam-se cerca de 30 000 pessoas no interior da arena no momento da falha. O público foi autorizado a sair da sala. Para muitos, essa espera foi longa e desgastante: à medida que o tempo avançava, a frustração crescia, com o ar condicionado desligado numa noite de intensa canícula parisiense. Segundo um dos clubes de fãs europeus dos IRON MAIDEN, muitos espectadores tinham abandonado a sala quando a banda finalmente regressou ao palco, cerca de uma hora depois da falha inicial.

Nas redes sociais, os comentários multiplicaram-se. Um fã relatou ter viajado da Roménia especialmente para o espectáculo. Outros descreveram a desorientação de aguardar sem informação clara sobre o que se passava ou quando — ou se — o concerto seria retomado.

As versões sobre a causa da falha divergem. Algumas fontes presentes no local referiram que o pessoal da arena confirmou que a falha foi externa ao edifício, e que os sistemas da arena tinham desligado de forma irregular, exigindo uma sequência de reinicialização completa após o restabelecimento da corrente. Já o gestor de electricidade Enedis disse à AFP que o incidente “não estaria relacionado com um problema da rede, mas proviria da instalação eléctrica da La Défense Arena“, acrescentando que “estavam a decorrer investigações” para apurar responsabilidades.

O concerto retomou perto das 22:40. Os IRON MAIDEN regressaram ao palco sem rodeios, lançando-se directamente em «Rime Of The Ancient Mariner» — uma declaração de que a noite ainda tinha música para dar. Seguiram-se «Run to the Hills», «Seventh Son of a Seventh Son», «The Trooper», «Hallowed Be Thy Name» e «Iron Maiden».

Mas o tempo perdido cobrou o seu preço. O vocalista Bruce Dickinson avisou o público, em francês, que a actuação não poderia prolongar-se além das 23:30, em virtude de um toque de recolher imposto pelo estabelecimento — o que significou o fim do concerto sem encore. As autoridades não permitiram que a banda regressasse ao palco para a habitual volta de honra final.

Bruce Dickinson não ficou calado sobre a situação e não hesitou em declarar, publicamente, que preferia o Bercy como sala de concertos — referência ao antigo Palais Omnisports de Paris-Bercy, hoje nomeado Accor Arena, onde os IRON MAIDEN actuaram em inúmeras ocasiões ao longo de décadas. Comentário breve, dem palco, mas que diz muito sobre a tensão da noite.

A questão que fica no ar — e que interessa tanto à banda como aos seus fãs — é o que vai acontecer ao filme. O concerto de Paris era uma das paragens mais documentadas da digressão Run For Your Lives, a tour comemorativa dos 50 anos dos IRON MAIDEN, que percorre o repertório dos primeiros nove álbuns de estúdio da banda. A data foi escolhida para integrar o registo audiovisual oficial — e foi filmada com um grau de controlo de produção raramente visto neste género de projectos.

Por ora, os IRON MAIDEN não se pronunciaram oficialmente. A tour continua. E Paris ficará para sempre como a noite em que esses eternos dois minutos para a meia-noite acabaram por transformar-se numa hora de escuridão.