O baixista dos FAITH NO MORE elimina as últimas dúvidas: apesar de todos os sinais apontarem para um fim definitivo, a banda regressa à estrada em 2027 pela primeira vez em mais de uma década.
Afinal a palavra definitiva não veio de um comunicado de imprensa nem de uma conferência de imprensa cuidadosamente encenada. Veio de Bill Gould, num podcast de lançamento recente, no tom muito directo que sempre caracterizou o baixista dos FAITH NO MORE: “Vamos fazê-lo. Vamos tocar. Sim, vamos fazer isso.” Com três frases curtas, o músico encerrou anos de especulação e confirmou o que a imagem com o ano “2027”, publicada esta semana nas redes sociais, sugeria: os FAITH NO MORE vão regressar ao palco.
A confirmação foi feita no Rock Talk, apresentado por Jadranka Jankovic Nesic, onde Bill Gould foi mais longe do que o anúncio oficial e revelou uma série de detalhes sobre os bastidores da decisão. A questão central não foi a vontade de regressar — foi a capacidade física de o fazer.
“A nossa música é muito física, e uma das grandes preocupações é que, em breve, já não vamos conseguir tocá-la da forma como a escrevemos. Escrevemo-la quando éramos miúdos de 20 anos e sempre foi muito física. Tem de ser assim. Eu não consigo tocar as músicas se não estiver nesse estado — honestamente, com as minhas linhas de baixo, simplesmente não consigo.” A franqueza desta declaração é reveladora. Não há nostalgia romantizada nem retórica de regresso triunfal. Gould fala de uma banda que avaliou friamente os seus limites e concluiu que ainda existe uma janela de oportunidade — estreita, mas real.
“Todos decidimos, de certa forma, que achamos que ainda conseguimos Faê-lo. E acho que podemos fazê-lo por mais alguns anos, e podemos fazê-lo da forma certa — por isso, vamos tentar”, acrescentou o baixista dos FAITH NO MORE.
A confirmação verbal surgiu poucas horas após o anúncio formal de um acordo de longo prazo entre os FAITH NO MORE e a 30e, a maior empresa brasileira de entretenimento ao vivo. Pela primeira vez, uma promotora sul-americana assumirá o papel de centro estratégico e operacional das digressões mundiais de uma banda com este nível de projecção global — um movimento que rompe com a lógica habitual da indústria, historicamente concentrada nos Estados Unidos e na Europa.
A 30e ficará responsável pela concepção e operação das tours pelos cinco continentes, pela criação de novas experiências para os fãs e pelo desenvolvimento de projectos ligados à marca FAITH NO MORE. Enquanto isso, a representação global do grupo continua a cargo da WME, determinante na construção do novo acordo. A autonomia artística da banda está contratualmente preservada.
Num comunicado colectivo, os FAITH NO MORE explicaram a escolha: “A 30e parece-nos uma empresa que quer abalar o status quo, e enquanto artistas compreendemos o valor disso. A abordagem deles não parece a engrenagem habitual — vem de outro lugar, com outro tipo de energia, e estamos dispostos a apoiar esse movimento.”
O que torna este anúncio particularmente significativo é o contexto de onde emerge. Nos últimos anos, os próprios membros da banda foram alimentando a ideia de que os FAITH NO MORE tinham chegado ao fim — não de forma dramática, mas pela acumulação de declarações que soavam a despedida sem cerimónia.
No ano passado, Mike Bordin afirmou que Mike Patton estava “indisposto para actuar” com a banda. Uns meses depois, Roddy Bottum foi ainda mais directo: “Honestamente, não vejo isso a acontecer de novo.” A banda não actuava desde o final da digressão de «Sol Invictus», em 2016, e um regresso planeado para 2020 tinha sido cancelado — primeiro pela pandemia, depois pelas dificuldades de saúde mental que o Sr. Mike Patton revelou publicamente ter atravessado durante o confinamento.
Entretanto, as redes sociais “incendiaram-se” com a notícia e compreende-se a amplitude da reacção dos fãs. Os FAITH NO MORE não são só uma banda de rock com um catálogo invejável — são uma força que ajudou a redesenhar os contornos do género nas décadas de 80 e 90. Álbuns intontornáveis como «The Real Thing», «Angel Dust», «King For A Day… Fool For A Lifetime» e «Sol Invictus» compõem um fundo de catálogo que atravessa o funk, metal, jazz, pop e experimentalismo com uma dose de coerência que poucos conseguiram imitar.





