FAITH NO MORE

FAITH NO MORE anunciam regresso aos palcos em 2027

Os FAITH NO MORE assinaram um acordo inédito com a promotora brasileira 30e, que passará a coordenar as futuras digressões mundiais do grupo — encerrando anos de silêncio e incerteza.

Bastou uma imagem. O logótipo da banda, o ano “2027” sobreposto a uma fotografia de uma plateia em delírio, publicado esta terça-feira, 16 de Junho, nas redes sociais dos FAITH NO MORE — e o mundo do rock alternativo entrou em combustão. Poucas horas depois, o anúncio oficial confirmava o que tantos fãs tinham deixado de acreditar possível: contra todas as probabilidades, a banda de São Francisco está de volta ao activo.

O regresso, que vai além de uma simples tour de reunião, foi anunciado em conjunto com um acordo de longo prazo entre os FAITH NO MORE e a 30e, a maior empresa brasileira de entretenimento ao vivo. Pela primeira vez, uma promotora sul-americana assumirá o papel de centro estratégico e operacional das digressões mundiais de uma banda com este nível de reconhecimento global — um movimento que rompe com a lógica habitual da indústria, concentrada há décadas nos Estados Unidos e na Europa.

Os termos do acordo atribuem à 30e a responsabilidade total pela concepção e operação das futuras digressões da banda pelos cinco continentes, assim como pela criação de novas experiências para os fãs e pelo desenvolvimento de projectos ligados à marca FAITH NO MORE. A representação global do grupo continua a cargo da WME, que foi, segundo as partes, determinante na construção do acordo.

A autonomia artística da banda — sempre uma linha vermelha intransponível para os músicos — está garantida. Todas as decisões criativas e relativas ao legado do grupo permanecem sob controlo dos próprios membros. Em comunicado, os FAITH NO MORE não pouparam nas palavras: “A 30e é uma empresa que quer abalar o status quo e, enquanto artistas, compreendemos o valor disso. A abordagem deles não parece a engrenagem habitual — vem de outro lugar, com outro tipo de energia, e estamos dispostos a apoiar esse movimento.”

Tim Moss, empresário da banda, sublinhou a coerência filosófica da escolha: “Os FAITH NO MORE nunca seguiram um caminho convencional, e é exactamente por isso que esta parceria com a 30e faz sentido. Eles trazem uma perspectiva fresca, profundidade estratégica real e uma ambição global alinhada com a visão da banda. O que mais importa é que percebem como construir algo com significado sem comprometer aquilo que torna os FAITH NO MORE únicos.”

A banda não actua em palco desde o final da digressão de promoção do álbum «Sol Invictus», em 2016. Um regresso estava marcado para 2020, mas foi adiado pela pandemia — e todas as datas reagendadas acabaram por ser canceladas na totalidade após Mike Patton ter revelado publicamente as dificuldades de saúde mental com que lidou durante o período de confinamento.

Mike Bordin, o baterista, chegou a admitir publicamente que Mike Patton havia passado de “incapaz” a “indisposto” para voltar aos palcos com os FAITH NO MORE, devido ao seu envolvimento com os MR. BUNGLE. A declaração soou a epitáfio. Durante os últimos anos, o futuro da banda oscilou entre o silêncio e o rumor.

Que Roddy Bottum, o teclista — que nos últimos tempos havia também afirmado não ver o regresso da banda como algo próximo —, tenha partilhado nos seus perfis pessoais a imagem do anúncio de hoje, só reforçou de forma inequívoca a mensagem: desta vez, é mesmo a sério.

Falar dos FAITH NO MORE é falar de uma das bandas mais determinantes da história do rock das últimas quatro décadas. Formados em São Francisco em 1979, registaram o primeiro êxito com «Epic», em 1989, faixa retirada de «The Real Thing» — o primeiro álbum com Mike Patton como vocalista — que chegou ao nono lugar nos Estados Unidos e foi certificada a platina na Austrália.

A sua música nunca se deixou encaixar: funk, hip-hop, metal, pop, jazz e música experimental colidiram num som que antecipou géneros inteiros e influenciou gerações. «The Real Thing», «Angel Dust» e «King for a Day… Fool for a Lifetime» são álbuns que continuam a ser referência obrigatória em qualquer discussão séria sobre o rock alternativo. «Midlife Crisis», «Easy», «Ashes to Ashes» — canções que resistiram ao desgaste do tempo com a solidez de quem não precisou de seguir modas porque as criou.

As primeiras datas concretas da digressão ainda não foram divulgadas, devendo os detalhes ser revelados nos próximos meses. Sabe-se que a 30e — empresa que já conta no seu portefólio com acordos de relevo no mercado sul-americano e com crescente projecção global — terá a responsabilidade de estruturar uma rota à escala mundial, pensada como uma experiência renovada e não como uma mera revisitação nostálgica.

Por agora, existe apenas “2027”. Uma data que, para muitos, chega tarde. Para outros, chega exactamente a tempo.