EXTRAMURALHAS

EXTRAMURALHAS celebra 15 anos com MOONSPELL e THE CHAMELEONS, entre muitos outros

É já hoje, quinta-feira, dia 20 de Agosto, que arranca a 15.ª edição do EXTRAMURALHAS, o festival que consolidou Leiria como uma referência europeia da cena gótica e alternativa

Leiria volta a vestir-se de negro. Arranca hoje, quinta-feira, 20 de Agosto, a 15.ª edição do Extramuralhas, festival que, ao longo de quinze anos, transformou a capital de distrito num ponto de encontro singular da cultura gótica e a afirmou como referência europeia do género. Até Sábado, dia 22, em vários locais emblemáticos da cidade — e com mais de metade dos espectáculos de acesso gratuito —, a edição de 2026 reúne nomes históricos e propostas emergentes, desenhando um mapa fértil de geografias e linguagens musicais distintas.

Entre o Teatro José Lúcio da Silva, o Teatro Miguel Franco, a Igreja da Misericórdia, o Jardim Luís de Camões e o bar Paddock, vão ouvir-se sonoridades que percorrem o pós-punk e o darkwave, passando por subgéneros como o coldwave, o industrial, o rock, o metal, a techno, o synthpop, a electrónica experimental e a neofolk. Do cartaz destacam-se os veteranos THE CHAMELEONS, MOONSPELL e IAMX, ao lado de nomes contemporâneos como SELOFAN, MOAAN EXIS ou Dina Summer.

O 15.º Extramuralhas abre hoje às 16:00, no Teatro Miguel Franco, com a italiana Lili Refrain, que já tinha deixado marca na edição de 2023, depois de ter enfeitiçado o público com a sua música e performance ritualística. À noite, pelas 21:00, no Teatro José Lúcio da Silva, é a vez dos MOONSPELL — a banda portuguesa mais internacional de sempre — apresentarem o novo álbum, «Far From God», disco em que a banda regressa ao universo gótico que definiu alguns dos momentos mais icónicos da sua vasta discografia.

Ainda esta quinta-feira, destaque para o inglês THE SICK MAN OF EUROPE (Jardim Luís de Camões, 23:00), o trio alemão DINA SUMMER (Jardim Luís de Camões, 00:00) e o projecto ítalo-alemão RUHR (Paddock, 01:30).

O segundo dia do festival tem à cabeça os lendários THE CHAMELEONS, nome maior do pós-punk surgido no início dos anos 80. A partir da meia-noite, o palco montado no Jardim Luís de Camões promete encher-se de guitarras envoltas em reverb sedutor e de canções introspectivas e atmosféricas, cuja intensidade continua a ecoar em várias gerações de públicos. Um outro momento a não perder na sexta-feira é a actuação de IAMX, projecto a solo de Chris Corner, antigo vocalista dos Sneaker Pimps, que traz a Leiria, e ao Teatro José Lúcio da Silva, um espectáculo onde a música electrónica sombria se cruza com performance, identidade e transgressão.

Completam o cartaz de sexta-feira no Extramuralhas a compositora hispano-escocesa Maud The Moth (Igreja da Misericórdia, 16:00), os portugueses NECRØ (Jardim Luís de Camões, 17:00), os gregos SELOFAN (Jardim Luís de Camões, 23:00) e ainda os suecos AUX ANIMAUX (Paddock, 01:30).

O Extramuralhas encerra no Sábado, 22 de Agosto, com a poderosa dupla da cena industrial e EBM francesa MOAAN EXIS, responsável por proporcionar ao vivo uma experiência tremendamente avassaladora, e com a banda sediada na própria cidade, EDEN SYNTHETIC CORPS, cujo electro-industrial regressa ao Extramuralhas quinze anos depois. Os dois espectáculos acontecem no Jardim Luís de Camões, às 00:00 e às 23:00, respectivamente.

No derradeiro dia desta edição, há ainda que não perder os cenários oníricos e sombrios criados pela artista anglo-australiana Penelope Trappes (Igreja da Misericórdia, 16:00), a “crash body music” dos catalães SDH, que apresentam o mais recente LP, «Rider» (Jardim Luís de Camões, 18:00), e o combate à opressão através da simbiose entre darkwave e pós-punk do brasileiro-alemão Daniel Knutz (Paddock, 01:30).

Este ano, o Extramuralhas assume uma mensagem particularmente significativa e bastante relevante. Sob o lema “O genocídio é a vergonha da humanidade”, o festival “reafirma a convicção de que a cultura deve ser também um espaço de consciência, memória e defesa intransigente da dignidade dos povos“, afirma o director do certame, Carlos Matos. “A música pode não mudar o mundo por si só, mas continua a ser uma poderosa forma de resistência, reflexão e aproximação entre pessoas.”

Também Anabela Graça, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Leiria, aproveita para sublinhar o papel deste festival na relação entre a cidade e os seus públicos: “O Extramuralhas é um bom exemplo de como a cultura pode transformar a relação das pessoas com a cidade: leva a criação contemporânea ao património, activa espaços históricos e aproxima Leiria de artistas e de públicos que dificilmente encontrariam aqui outro contexto de encontro.”

Organizado pela Fade In – Associação de Acção Cultural, o Extramuralhas é um festival sem paralelo no panorama nacional, com reverberações que ultrapassam já as fronteiras portuguesas. Ao longo de quinze anos, tem-se distinguido pela proximidade entre artistas e público e pelo cruzamento constante entre património, cultura e contemporaneidade, transformando o centro de Leiria em palco de uma comunhão pouco comum noutros contextos festivaleiros.

O certame conta com o apoio do Município de Leiria, do Teatro José Lúcio da Silva e da Direcção-Geral das Artes, através da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses.

Os espectáculos no Jardim Luís de Camões são de entrada livre. Nos restantes locais, os bilhetes estão disponíveis na plataforma Shotgun, com preços entre os 10€ e os 12,50€. Os concertos no Teatro José Lúcio da Silva custam 30€ e podem ser adquiridos na bilheteira do próprio teatro.