Os WOLVES IN THE THRONE ROOM regressam com aquele que promete ser o seu registo mais majestoso até à data, aprofundando a ligação entre black metal, death metal e uma visão espiritual da natureza. «Ghosts Among The Obelisks», o primeiro tema de avanço, já pode ser escutado em baixo.
Desde o início deste século, os WOLVES IN THE THRONE ROOM, que são liderados pelos irmãos Aaron e Nathan Weaver têm construído uma carreira onde o black metal funciona menos como uma fórmula e mais como uma linguagem para explorar a natureza, o misticismo e a relação do ser humano com forças que existiam muito antes de qualquer civilização. Agora, já mais de duas décadas depois do início dessa caminhada, a banda prepara-se para abrir um novo capítulo com «Estuary», o seu próximo registo de estúdio, que será editado a 23 de Outubro pela Century Media Records.
O primeiro tema de avanço, «Ghosts Among The Obelisks», já foi revelado, oferece uma primeira oportunidade para entrar no universo sonoro deste novo registo e, como podes confirmar no player em baixo, a natureza continua no centro da visão artística dos WOLVES IN THE THRONE ROOM.
Aaron Weaver descreve a música da banda como uma tentativa de invocar os espíritos que habitam as montanhas e os rios, o Sol e a Lua, plantas e os animais. São forças que, na sua perspectiva, acompanham a humanidade desde os tempos mais remotos, mas cujas vozes foram sendo progressivamente abafadas pelo ruído do mundo em que vivemos. Esta não é, convenhamos, uma ideia que tenha surgido agora. Desde que Aaron e Nathan Weaver fundaram os WOLVES IN THE THRONE ROOM, em 2002, essa relação entre música, paisagem e espiritualidade tornou-se uma das principais marcas do grupo.
Para perceber aquilo de que falamos, urge recuar no tempo. Quatro anos depois de terem dado os primeiros passos, o «Diadem Of 12 Stars», de 2006, colocou os WOLVES IN THE THRONEROOM no mapa internacional da música extrema e muito ajudou a estabelecer o colectivo como uma das principais forças da nova geração do black metal atmosférico. A partir daí, construiram uma discografia que se recusou a permanecer estática. «Two Hunters» ampliou a dimensão épica e contemplativa, enquanto «Celestial Lineage» aprofundou ainda mais a sensação de transcendência. «Thrice Woven» voltou a cruzar agressividade e espiritualidade, antes de «Primordial Arcana» mostrar que os WOLVES IN THE THRONE ROOM continuavam tão interessados em expandir os seus limites como nos primeiros tempos.
«Estuary» surge agora como mais um passo nessa evolução. Apesar da banda continuar a recorrer à linguagem do black metal, o novo álbum pretende alargar o seu espectro para territórios que antecedem o que ficou conhecido como a segunda vaga do género. E, nesse processo, uma influência que acompanha os irmãos Weaver desde a adolescência parece assumir um papel cada vez mais importante: o death metal.
Em comunicado de imprensa, Aaron recorda que, depois de descobrirem os METALLICA e SLAYER durante a adolescência, os primeiros nomes de metal extremo que realmente os marcaram foram os DEICIDE e MORBID ANGEL. A paixão pelas formas mais brutais do género esteve, portanto, presente desde os primeiros tempos dos WOLVES IN THE THRONE ROOM, mesmo que nem sempre tenha surgido de forma tão evidente na música da banda. Agora, segundo Aaron, essa componente ganha maior protagonismo.
Isso não significa, contudo, que os WOLVES IN THE THRONE ROOM estejam a abandonar o que os tornou reconhecíveis. Pelo contrário: a atmosfera continua a ser uma peça essencial do seu universo. A diferença está na forma como os elementos são combinados, com a banda a procurar novas possibilidades dentro de uma identidade que permanece profundamente enraizada no black metal. «Ghosts Among The Obelisks», o primeiro single de «Estuary», funciona como a primeira janela para esse novo território. O próprio título parece transportar o ouvinte para o imaginário habitual, povoado por ruínas, pela natureza, espíritos e vestígios de um passado que nunca desapareceu verdadeiramente.
Ao longo dos anos, os WOLVES IN THE THRONE ROOM sempre conseguiram fazer com que a sua música soasse primitiva e contemporânea. Há uma dimensão ancestral na forma como trabalham as guitarras, as atmosferas e as estruturas das canções, mas também uma vontade evidente de não ficar prisioneiros das convenções do género. E essa liberdade é algo que Aaron Weaver faz questão de sublinhar. Para o músico, a banda possui uma voz singular dentro do metal extremo precisamente porque nunca procura corresponder àquilo que os outros esperavam deles.
“Temos uma voz singular e única no mundo do metal extremo”, afirma Aaron, explicando que os WOLVES IN THE THRONE ROOM parte de uma perspectiva “real e pessoal” e que nunca fez concessões relativamente ao que devia ou não fazer. Ao longo da carreira, essa postura traduziu-se numa abordagem assumidamente DIY, permitindo-lhes desenvolver a sua música de acordo com os seus próprios princípios.
Em «Estuary», essa visão parece apontar para um espaço de encontro — tal como o próprio conceito de estuário sugere. Um lugar onde várias correntes se encontram e onde águas distintas deixam de ser facilmente separáveis. Musicalmente, essa imagem acaba por adequar-se particularmente bem a uma banda que continua a fazer convergir black metal, death metal, atmosferas ambientais e uma profunda ligação ao mundo natural. Mais de vinte anos depois de «Diadem Of 12 Stars», os WOLVES IN THE THRONE ROOM continuam, portanto, a percorrer o mesmo caminho sem permanecerem exactamente no mesmo lugar. E a floresta que os acompanhou desde os primeiros tempos continua lá, mas a paisagem vai mudando à medida que avançam.

01. Estuary | 02. Knights Of Tiamat | 03. Foretold In Reflections | 04. The Orca Cliffs | 05. Ghosts Among The Obelisks | 06. Wretched Spirits, Land Of The Light


