«These Killing Times», o novo álbum de EMMA RUTH RUNDLE, chega a 18 de Setembro, com Gina Gleason dos BARONESS entre os colaboradores e um primeiro single que transforma o desespero em chamada às armas.
Há discos que chegam com o timing de uma faca afiada. «These Killing Times», o sexto álbum de EMMA RUTH RUNDLE, é precisamente um desses. Anunciado para o dia 18 de Setembro, o novo registo surge a seu tempo, três anos após a morte clínica criativa que foi o magnífico — e muito solitário! — «Engine Of Hell», de 2021, e representa uma viragem decisiva: de regresso ao formato banda, de volta ao colectivo, e de volta ao mundo com os olhos bem abertos e a voz em chamas.
O anúncio chega acompanhado pelo lançamento do poderoso single «Powerless», uma peça de urgência existencial que serve como cartão de visita para o que a artista de Louisville promete ser um álbum sobre o medo, a raiva e a recusa de capitular perante o colapso contemporâneo. A canção nasceu sob um título provisório revelador: «Noam Chomsky Is Dead To Me» — uma reacção directa de Emma à exposição das ligações do linguista e activista ao pedófilo Jeffrey Epstein. Mais um título desiludido, mais uma manchete a corroer a confiança depositada em figuras de referência.
“Esta canção — como a maioria das canções em «These Killing Times» — é uma reacção aos horrores que vemos expostos diariamente”, explica EMMA RUTH RUNDLE, e o peso da declaração é proporcional ao que lista a seguir: colapso climático, genocídio, erosão dos direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+, desumanização dos imigrantes, campos de detenção nos Estados Unidos. “Na verdade, a lista é tão longa que não consigo cobri-la com exactidão”, admite, sem que isso soe a desculpa — soa, antes, a sobrecarga genuína.
«Powerless» invoca o martelo, diz Emma. “Tanto para destruir como para construir — algo melhor.” Esta ponte da canção funciona como um mantra de resistência, uma repetição de frases que serve de âncora quando tudo à volta parece ceder à pressão. Não é música de protesto no sentido panfletário. É música de sobrevivência.
O aspecto que mais distingue «These Killing Times» da obra imediatamente anterior é o regresso à dimensão colectiva. «Engine Of Hell» foi um disco de piano e voz, gravado em isolamento, durante a pandemia, e que capturou com crueza a fragilidade individual. O novo álbum inverte esse movimento: EMMA RUTH RUNDLE quis “sentir-se fortalecida pelas amizades e estar em comunidade com outros músicos — fazer algo que contrariasse o isolamento”, explica.
Para isso, reuniu um conjunto de colaboradores de peso considerável dentro dos circuitos do rock mais experimental e da folk sombria norte-americana. Troy Zeigler, amigo e colaborador de longa data, está presente, bem como Gina Gleason, guitarrista dos BARONESS — presença que aponta para a dimensão mais eléctrica e expansiva do novo disco.
A lista alarga-se com Jess Gowrie (CHELSEA WOLFE, MRS. PISS), o saxofonista Patrick Shiroishi, Nick Reinhart dos TERA MELOS, Marissa Nadler, Lukas Frank (STOREFRONT CHURCH) e também Amelia Baker (dos CINDER WELL). É uma constelação de artistas que habitam as margens — seja o gótico, o experimental ou mesmo a folk de raiz — e que dão ao LP uma textura humana que o contraria enquanto produto de uma época de isolamento digital.
«These Killing Times» vai ser também o primeiro lançamento de EMMA RUTH RUNDLE através da sua própria editora, a Errant Child — um detalhe que, neste caso, não é secundário. A autonomia editorial é, em si mesma, um acto político num momento em que a indústria discográfica se reorganiza em torno de plataformas de streaming e conglomerados. Fazer o disco que se quer fazer, com quem se quer fazer, e lançá-lo nas condições que se determinam: há uma coerência entre a mensagem e o gesto que não passa despercebida. O disco chega a 18 de Setembro, «Powerless» já está disponível e as pré-encomendas dos formatos físicos também já decorrem via Evilgreed.

01. Powerless | 02. God’s Picture | 03. Anvil | 04. Catherine Wheel | 05. Don’t Delay Heaven | 06. Enough | 07. Human Kindness | 08. Oceans Of Time




