RUSH

RUSH: A ‘drum-cam’ do primeiro concerto com ANIKA NILLES no lugar de NEIL PEART para ver na íntegra [vídeo]

RUSH de volta! Onze anos de silêncio. Uma sala rendida. E uma baterista alemã que fez 18.000 pessoas vibrarem no mesmo sítio onde tudo tinha acabado.

A noite de 7 de junho de 2026 vai ficar certamente marcada na história do rock progressivo: o Kia Forum, em Los Angeles, voltou a encher-se com a energia dos RUSH — a mesma sala onde, em Agosto de 2015, a banda canadiana realizou o seu último concerto antes de um silêncio que durou mais de uma década. O regresso aconteceu sob o peso emocional de uma ausência que não tem mesmo solução: Neil Peart, o baterista e letrista que definiu o som e a identidade dos RUSH durante quase meio século, faleceu em Janeiro de 2020 vítima de cancro cerebral. A cadeira atrás da bateria estava vazia desde então.

Agora, está ocupada por Anika Nilles. O concerto inaugural da digressão Fifty Something — o primeiro dos RUSH em onze anos — contou com várias homenagens em vídeo a Neil Peart, nomeadamente no decorrer de «Bravado» que muitos dos presentes descreveram como emocionalmente devastadora. O recinto, com capacidade para 18.000 pessoas, estava totalmente esgotado.

A abertura deu-se com «Xanadu» — a primeira vez que este clássico épico alguma vez serviu de tema de abertura num concerto dos RUSH —, espelhando o tom para uma noite repleta de escolhas deliberadas e carregadas de significado. Os músicos não estavam ali para cumprir uma formalidade nostálgica. Estavam ali para afirmar que ainda mexem.

E mexem muito bem. Mesmo. Dúvidas restassem, horas depois do final do concerto, o canal TapeheadToo no YouTube publicou o vídeo drum-cam completo da actuação; leia-se as filmagens de uma câmara que se manteve apontada à bateria ao longo de todo o espectáculo. Nas notas que acompanham o vídeo, o autor escreve: “Só consegui um lugar lateral no palco. Os espectáculos completos com vista lateral são uma seca, por isso decidi fazer uma câmara da Anika.”

Ela arrasou completamente! Também é possível usar esta página para ouvir o áudio completo; não cortei absolutamente nada.” O vídeo tornou-se rapidamente referência para quem não esteve em Los Angeles — e para quem esteve e quer rever cada detalhe de um concerto que ainda está a ser digerido. Com o alinhamento foi construído a partir de um repertório de cerca de 40 clássicos dos RUSH, com a banda a tocar em dois sets por noite, cada um deles concebido como homenagem à vida e ao legado de Peart, este regresso aos palcos parece afirmar-se como essencial.

Para isso muito contribui Anika Nilles — um nome que, até há pouco tempo, era familiar apenas a um nicho muito específico de admiradores de percussão. A baterista, compositora e produtora alemã foi parte da sessão rítmica da banda de Jeff Beck, com o qual deu mais de 60 concertos, e lançou quatro álbuns a solo. Mas nada a preparava — nem a ela nem ao público — para o escrutínio de suceder a um dos músicos mais reverenciados da história do rock.

Em entrevista à Classic Rock, Nilles foi directa sobre o desafio de ocupar o lugar de Peart nos RUSH: “A forma como ele tocava era muito enérgica, e gosto muito disso. É algo com que me sinto muito confortável. Ele tinha também uma gama incrivelmente vasta de cores tonais. Tinha uma abordagem muito melódica à bateria e usava uma grande variedade de sons para a concretizar. Isso distinguia-o e fazia-o destacar-se de outros bateristas, para muitos dos quais foi — e continua a ser — um modelo. Reconhece-se imediatamente. Adaptar-me à forma de tocar dele é um desafio.”

Apesar disso, a estreia no palco do Kia Forum foi, por todas as contas, um sucesso. A actuação de Nilles ao longo do concerto foi recebida com elogios generalizados por parte do público. A ovação depois do solo em «Tom Sawyer» — o momento mais exposto e mais aguardado da noite — corre pela internet com comentários de admiração de fãs que confessavam ter ido com reservas e saído rendidos.

Os RUSH actuaram publicamente com Anika Nilles pela primeira vez na cerimónia dos Prémios Juno, em Hamilton, Ontario, no Canadá, no final de março. Tocaram apenas «Finding My Way», a primeira canção do álbum de estreia da banda — o único LP que não conta com a participação de Neil Peart. Essa foi também a primeira actuação de Geddy Lee e Alex Lifeson sob o nome RUSH desde o final da digressão do 40.º aniversário, em 2015.

À formação histórica de Lee e Lifeson juntam-se agora Nilles e o teclista Loren Gold, conhecido pelo seu trabalho como músico de digressão dos THE WHO e dos CHICAGO. É a primeira vez na história que os RUSH diligenciam como quarteto em vez do habitual trio. A digressão Fifty Something, composta por 88 concertos divididos em duas fases, estende-se até Abril de 2027, terminando em Helsínquia, na Finlândia. Antes disso, a banda passará por diversas cidades norte-americanas, além de datas europeias, mas ainda a confirmar na íntegra.