EMMA RUTH RUNDLE

EMMA RUTH RUNDLE: Novo single, «Enough», já disponível [vídeo-clip]

Numa releitura da história bíblica de Elias, a norte-americana EMMA RUTH RUNDLE imagina a ascensão às alturas de uma figura moldada à imagem de Elon Musk — e pede aos deuses que o levem, pedaço a pedaço, para bem longe.

A encantadora Emma Ruth Rundle continua a construir, disco após disco, um dos percursos mais singulares e emocionalmente exigentes da música alternativa norte-americana contemporânea — e o seu regresso, marcado para Setembro, promete confirmar essa reputação. A compositora, conhecida tanto pelo seu trabalho a solo como pela ligação a projectos como os MARRIAGES e os THOU, revela recentemente «Enough», o segundo single retirado de «These Killing Times», após a apresentação do tema de abertura, «Powerless».

A nova canção, que já pode ser escutada no player em baixo, assume um tom de fúria política pouco disfarçada, ainda que filtrada pela sensibilidade literária e simbólica que sempre caracterizou a escrita de Rundle. Em comunicado, a artista explica a génese do tema, estabelecendo uma ligação directa a uma referência incontornável da história do rock.

“A «Enough» é inspirada na «The Man Who Sold The World» — e, numa releitura da história de Elias, imaginamo-lo como uma figura ao género de Elon Musk. E perguntamos: não lhe basta o mundo inteiro?”, afirma Emma. “Pedimos aos muitos deuses que desencadeiem vingança e levem este homem, pedaço a pedaço, para o céu enfurecido — esta canção é um reflexo dos tempos em que vivemos e uma visão para a dispensação da classe bilionária. O mundo pertence a todos os seres.”

Importa aqui notar que o novo «These Killing Times» assinala uma mudança muito significativa na forma como Emma Ruth Rundle tem vindo a trabalhar nos últimos anos: o álbum marca o seu regresso a um formato de banda completa, depois de uma sequência de discos construídos de forma bastante mais isolada e introspectiva. Essa opção reflete-se numa lista de colaboradores invulgarmente extensa e transversal a diferentes cenas da música underground norte-americana.

Entre os nomes convocados para o disco está Troy Zeigler, amigo de longa data e colaborador habitual da compositora, para além de Gina Gleason, guitarrista dos BARONESS, cuja presença no disco vem reforçar a ponte que Rundle mantém com os universos mais próximos do metal e do rock pesado.

A lista de músicos envolvidos em «These Killing Times» estende-se ainda a Jess Gowrie, conhecida pelas suas colaborações com CHELSEA WOLFE e MRS. PISS, ao multi-instrumentista Patrick Shiroishi, uma figura incontornável da cena experimental da Costa Oeste dos Estados Unidos, e a Nick Reinhart, dos TERA MELOS. Completam esta lista de colaborações Marissa Nadler, Lukas Frank, dos STOREFRONT CHURCH, e Amelia Baker, dos CINDER WELL.

O tom de «Enough» — e, por extensão, o que se adivinha do restante «These Killing Times» — sugere um disco atravessado por uma consciência política mais explícita do que é habitual na obra de Emma Ruth Rundle, sem que isso signifique no entanto um afastamento da sua linguagem simbólica e quase mítica. A referência a David Bowie e ao imaginário de um tema como «The Man Who Sold The World» soma-se à reescrita bíblica de Elias, cruzando cultura pop e tradição religiosa para construir uma alegoria sobre poder, excesso e desmesura.

Com «Powerless» a abrir caminho e «Enough» a aprofundar o tom de urgência do novo capítulo, «These Killing Times» surge como um dos lançamentos mais aguardados do outono no universo da música alternativa americana, confirmando Emma Ruth Rundle como uma das vozes mais consistentes — e mais dispostas a arriscar — da sua geração. O disco só chega no dia 18 de Setembro, mas as pré-encomendas dos formatos físicos já decorrem via Evilgreed.