Quase três décadas depois de terem levado o power metal a velocidades absurdas, os DRAGONFORCE preparam uma nova era com um disco que junta Alissa White-Gluz, Alessio Garavello e uma formação renovada — e que promete recuperar o espírito desmedido dos primeiros tempos.
Os DRAGONFORCE são uma daquelas bandas que parecem determinadas a provar que ainda é possível levar a sua fórmula para territórios cada vez mais extremos. A banda britânica anunciou hoje aquele que será o seu décimo disco de estúdio e, pela primeira vez na carreira, decidiu dar-lhe o seu próprio nome: «Dragonforce» chega a 19 de Março de 2027 pela Napalm Records e prepara-se para inaugurar uma nova fase da carreira de um dos nomes mais reconhecíveis do power metal contemporâneo.
A novidade chega acompanhada por «Hunger Of The Beast», o primeiro tema retirado do novo LP. Em vez de uma apresentação convencional em estúdio, os DRAGONFORCE escolheram revelar a música através de um vídeo ao vivo particularmente cheio de energia, reforçando desde logo a ideia de que o novo capítulo não pretende abdicar da velocidade, da exuberância instrumental e dos refrões triunfantes que ajudaram a transformar a banda num fenómeno à escala global.
Mais do que uma simples continuação da discografia, «Dragonforce» surge descrito como uma espécie de reintrodução da banda. O álbum foi produzido pelo sueco Jens Bogren e gravado em diferentes pontos dos Estados Unidos, do Reino Unido, do Canadá e da Suécia, reunindo uma formação que combina nomes históricos dos DRAGONFORCE com novas presenças e uma alteração particularmente significativa na frente vocal.
Herman Li e Sam Totman continuam a assumir o papel de arquitectos das guitarras que definiram a identidade do colectivo, mas agora surgem acompanhados por Gee Anzalone na bateria e Alicia Vigil no baixo. A formação conta também com Billy Wilkins, uma nova adição ao grupo, enquanto Alissa White-Gluz passa a ocupar oficialmente o lugar de primeira frontwoman da história dos DRAGONFORCE. Ao seu lado está Alessio Garavello, músico com uma ligação à banda que remonta a um quarto de século e que assume as vozes masculinas.
É precisamente essa combinação que está no centro de «Hunger Of The Beast». O tema foi escrito especificamente para explorar as diferentes características vocais de White-Gluz e Garavello, aproveitando a amplitude das suas abordagens para acrescentar uma nova dimensão à habitual descarga de velocidade dos DRAGONFORCE. Ao mesmo tempo, a música procura recuperar o espírito jovem, directo e desinibido associado aos primeiros trabalhos da banda, com a própria apresentação a estabelecer uma comparação inevitável com «Through The Fire And Flames».
Lançado em 2006 no álbum «Inhuman Rampage», o tema tornou-se o maior cartão-de-visita dos DRAGONFORCE e uma das canções de metal mais reconhecíveis da sua geração, em grande parte graças à sua inclusão no jogo Guitar Hero III: Legends Of Rock. A música tornou-se célebre pela dificuldade praticamente intransponível, ao mesmo tempo que ajudou a apresentar a banda a dezenas de milhões de novos ouvintes.
Agora, duas décadas depois, é precisamente «Inhuman Rampage» que serve de ponte entre passado e futuro. O novo álbum será acompanhado por uma extensa digressão norte-americana dedicada ao 20.º aniversário desse clássico, numa campanha que levará os DRAGONFORCE a 22 cidades durante Novembro e Dezembro. Os Ensiferum e os Rhapsody Of Fire foram escolhidos para assegurar as primeiras partes. A banda promete apresentar o álbum na íntegra, incluindo «Cry For Eternity» e outras canções que nunca chegaram a ser tocadas ao vivo. O espectáculo incluirá ainda antevisões do novo disco e uma produção de grande escala.
Importa aqui recordar que esta nova configuração vocal dos DRAGONFORCE está directamente relacionada com a ausência de Marc Hudson. O anterior vocalista encontra-se afastado das actividades musicais da banda devido a um problema persistente de tinnitus, com Garavello a assumir as vozes masculinas durante este período. A relação entre Garavello e os DRAGONFORCE, no entanto, está longe de ser recente: os dois lados mantêm uma amizade e colaboração que se estende por 25 anos.
Para Alissa White-Gluz, que se juntou aos DRAGONFORCE como frontwoman durante a Primavera deste ano, a experiência tem permitido explorar uma combinação pouco habitual entre a sua identidade artística e o virtuosismo dos restantes membros. Herman Li, por seu lado, encara o décimo álbum como uma oportunidade para condensar quase três décadas de experiência. O guitarrista e co-fundador da banda sublinha que cada novo álbum é encarado como uma peça artística que ficará registada no tempo e que todo o conhecimento acumulado ao longo dos anos é incorporado no processo de composição e gravação.
O músico vai ainda mais longe ao descrever «Dragonforce» como um registo diferente de tudo o que os seus DRAGONFORCE fizeram anteriormente — e até de outros discos de metal actualmente disponíveis. Segundo Li, a intenção não passa por perseguir tendências, popularidade ou estatuto, mas antes por continuar a criar música que a própria banda queira ouvir e, simultaneamente, elevar a sua capacidade enquanto instrumentistas.
O próximo capítulo começa agora com «Hunger Of The Beast». Se o single funciona como uma amostra do que está para chegar, «Dragonforce» promete recuperar a energia desenfreada dos primeiros anos sem se limitar a repetir fórmulas já conhecidas. Com uma nova configuração vocal, uma formação parcialmente renovada e uma banda a entrar no seu décimo LP de estúdio com quase 30 anos de experiência acumulada, os DRAGONFORCE parecem apostados em transformar a mudança numa nova aceleração.






