Rehan Ahmed foi condenado a três anos e meio de prisão depois de lucrar milhões com discos falsificados em vinil.
Uma operação de falsificação de discos de vinil em larga escala terminou com uma condenação de três anos e seis meses de prisão no Reino Unido. Rehan Ahmed, responsável pelo que as autoridades britânicas consideram a maior operação de falsificação de vinil alguma vez desmantelada no país, foi condenado depois de uma investigação que revelou milhares de LP contrafeitos e um negócio que terá gerado milhões.
Segundo a imprensa britânica, nomeadamente a BBC e o The Guardian, Ahmed utilizava os nomes comerciais Phoenix of Vinyl e Paragon Music para fabricar e comercializar edições fraudulentas de alguns dos artistas mais populares do mundo. Entre os nomes encontrados no inventário de vinil estavam Taylor Swift, Kendrick Lamar, Drake, Kanye West, Bad Bunny, The Beatles e Ed Sheeran, entre muitos outros.
A investigação atingiu o seu ponto decisivo em 2024, quando as autoridades britânicas realizaram uma rusga ao armazém utilizado pelo falsificador. No interior foram encontrados cerca de 15.000 discos de vinil contrafeitos, correspondentes ao repertório de 108 artistas. O esquema, de acordo com as autoridades, tinha começado em 2017, precisamente numa altura em que o formato físico do LP começava a recuperar uma popularidade que não se verificava há décadas. Ahmed terá identificado nessa tendência uma boa oportunidade comercial e começou a produzir cópias não autorizadas de títulos com elevada procura.
O negócio não passou despercebido durante muito tempo. Ainda em 2017, Ahmed recebeu uma ordem de cessação de actividade (cease and desist), mas, segundo a informação divulgada pelas autoridades e pela imprensa britânica, continuou a fabricar discos de vinil. Através das duas empresas utilizadas para a atividade, os discos eram vendidos tanto a lojas de música como através de plataformas online. A dimensão do negócio acabou por ser revelada pela operação policial, que permitiu apreender milhares de unidades antes que chegassem ao mercado.
As autoridades estimam que Ahmed tenha obtido cerca de 3,6 milhões de dólares com a venda dos discos falsificados. O valor não só ilustra a dimensão da operação, como também o potencial financeiro associado ao ressurgimento do vinil e à procura por alguns exemplares de determinadas edições. Após a apreensão de todo o material, Ahmed foi acusado de duas infrações relacionadas com violação de direitos de autor, além de aquisição e utilização de bens provenientes de atividade criminosa. Acabaria por se declarar culpado das acusações. A sentença foi agora proferida por um tribunal londrino, que determinou uma pena de três anos e seis meses de prisão.
O caso assume particular relevância para a indústria discográfica num momento em que o vinil voltou a ocupar um lugar central no mercado da música. Depois de anos em que os formatos digitais dominaram praticamente todos os indicadores de consumo, os discos físicos recuperaram espaço, tornando-se simultaneamente num produto de coleção e numa importante fonte de receitas para artistas, editoras e lojas. É precisamente essa recuperação que, diz Peter Ratcliffe, director de proteção de conteúdos da British Phonographic Industry (BPI), está também a criar novas oportunidades para quem tenta explorar ilegalmente o mercado.
“Com a música em formatos físicos a viver um ressurgimento, infelizmente o mercado de discos falsificados também tem crescido, à medida que os criminosos lucram à custa dos criadores e dos fãs“, afirmou Ratcliffe à BBC, acrescentando que o problema ultrapassa os prejuízos directamente causados à indústria musical. Segundo Ratcliffe, a falsificação afecta “a economia legal da música e todos os que nela trabalham e investem“, mas também pode estar ligada ao financiamento de outras formas de criminalidade.
O caso Ahmed deixa assim exposta uma consequência menos visível do actual entusiasmo em torno do ressurgimento do vinil. A procura por prensagens de artistas populares, edições especiais e títulos difíceis de encontrar criou um mercado particularmente apetecível para falsificadores, capazes de transformar a escassez ou o valor coleccionável de determinados LPs numa oportunidade de negócio ilícito. Com 15.000 unidades apreendidas numa única operação e um catálogo que abrangia 108 artistas, a dimensão do caso britânico dá uma ideia da escala que este tipo de atividade pode atingir quando a popularidade renovada do formato físico se cruza com a procura por lançamentos de elevado valor comercial.





