Serpentes, órgãos e três estreias ao vivo assinalaram o regresso dos noruegueses DIMMU BORGIR aos Estados Unidos, numa noite que reuniu vinte anos de repertório e o mais recente álbum de estúdio «Grand Serpent Rising».
Foi na noite da passada sexta-feira, dia 7 de Agosto, que os DIMMU BORGIR deram o pontapé de saída à sua digressão norte-americana de Verão, num concerto no Palladium Times Square, em Nova Iorque, que já circula em vídeo integral filmado por fãs. O alinhamento, longe de ser uma simples passagem pelos êxitos do costume, revelou uma banda disposta a escavar fundo no seu próprio catálogo — e a arriscar.
Entre os vinte e cinco anos de carreira ali resumidos em pouco mais de uma hora e vinte, destacaram-se três estreias absolutas ao vivo: «Ulvgield & Blodsode» e «As Seen In The Unseen», ambas retiradas do mais recente álbum, e «Ascent». A isto somou-se o regresso de «Reptile» aos palcos pela primeira vez desde 2009, um gesto que não passará certamente despercebido aos fãs mais mais atentos dos DIMMU BORGIR. Depois, clássicos como «Mourning Palace», «Stormblåst», «Puritania» e «Progenies Of The Great Apocalypse» garantiram a ponte entre o passado e o presente da formação de Oslo.
A noite nova-iorquina serviu também de arranque a um trajecto de dez datas que termina a 23 de Agosto no The New, em Los Angeles. O cartaz conta ainda com a participação dos norte-americanos SUFFOCATION, pioneiros do death metal técnico, e HULDER, projecto de black metal atmosférico que tem vindo a consolidar-se na cena internacional.
Nem tudo correu, contudo, como planeado nesta rota. A 3 de Agosto, os suecos HYPOCRISY anunciaram que se viram obrigados a cancelar a sua participação na digressão devido a problemas com os seus vistos — um contratempo burocrático que, mais uma vez, expõe as dificuldades logísticas que continuam a atravessar as bandas europeias em tour pelos Estados Unidos.
Importa aqui recordar que esta digressão serve de apresentação a «Grand Serpent Rising», editado no dia 22 de Maio através da Nuclear Blast Records. Trata-se do primeiro disco de originais da banda em vários anos, gravado em Gotemburgo com produção de Fredrik Nordström, nome incontornável na história dos DIMMU BORGIR — foi ele quem esteve por trás de dois marcos incontornáveis da discografia do grupo, «Puritanical Euphoric Misanthropia» e «Death Cult Armageddon». Mais uma vez, a parceria resultou num som que equilibra a grandiosidade orquestral com a fúria característica do black metal sinfónico que a banda ajudou a definir.
O Sr. Shagrath não escondeu o orgulho no resultado final quando o álbum foi finalmente lançado. “Sinto verdadeiramente que nos superámos musicalmente com este novo disco. Foi um processo longo e exigente, mas ver como todas as peças se juntaram torna-o incrivelmente gratificante. O «Grand Serpent Rising» reflecte todas as eras dos DIMMU BORGIR. Este álbum carrega ecos de cada capítulo do legado da banda. Acredito que os nossos fãs irão reconhecer isso, e encontrar ali algo que verdadeiramente ressoa,” afirmou o músico.
Também o título do álbun carrega um significado simbólico. Segundo o guitarrista Silenoz, “encaixa na perfeição. Os DIMMU BORGIR são um leviatã de banda, em grande escala, e estamos novamente a erguer-nos. Embora a serpente represente o mal para alguns, para nós simboliza outra coisa: renovação, crescimento, conhecimento e libertação. Mudar de pele, por assim dizer. E não esqueçamos que fevereiro de 2026 marcou o fim do Ano da Serpente, praticamente na mesma altura em que este álbum ficou concluído.”
O calendário dos DIMMU BORGIR não vai abrandar após esta passagem pelos Estados Unidos. Em Outubro de 2026, a grupo junta-se aos polacos BEHEMOTH para a digressão conjunta In League With Satan, que atravessará a Europa com as duas bandas a partilharem o estatuto de cabeçaa de cartaz. Como convidados especiais, os DARK FUNERAL somam-se a um alinhamento que promete ser um dos mais intensos do calendário europeu de metal extremo para o próximo ano.
Entre o peso simbólico do novo álbum e a densidade destas duas digressões, os DIMMU BORGIR parecem decididos de uma vez por todas a reafirmar, mais de três décadas após a sua criação, o lugar que ocupam no topo da hierarquia do black metal sinfónico — um género que ajudaram a moldar e que continuam, aparentemente sem sinais de cansaço, a reinventar.



