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BEHEMOTH recruta SHAGRATH, dos DIMMU BORGIR, para uma versão de «In League With Satan», dos VENOM [vídeo-clip]

«I, Scvlptor», o novo álbum dos BEHEMOTH, já está disponível e reúne oito temas inéditos, entre regravações de material antigo, novas composições e versões de clássicos dos VENOM e BATHORY

Os polacos BEHEMOTH assinalam a chegada de «I, Scvlptor», o seu novo lançamento de longa-duração, com uma inesperada colaboração com um dos nomes mais reconhecidos do black metal norueguês. A banda liderada pelo carismático Adam “Nergal” Darski lançou um vídeo-clip oficial para «In League With Satan», versão do clássico dos VENOM que conta com a participação especial de Shagrath, vocalista dos DIMMU BORGIR.

Já disponível no player em baixo, «I, Scvlptor» foi lançado através da Nuclear Blast Records, em formato digital, e da Massacre Records, responsável pelas edições físicas. «In League With Satan» constitui o segundo single retirado desta nova edição e chega acompanhado por um clip produzido pela reputada Grupa 13, a empresa polaca que tem colaborado regularmente com alguns dos mais importantes nomes da música pesada.

A escolha do tema dos VENOM não é, no entanto, meramente circunstancial. A canção está directamente relacionada com a tour conjunta que os BEHEMOTH e os DIMMU BORGIR têm vindo a preparar para os próximos meses e com a própria ideia que esteve na origem da colaboração entre Nergal e Shagrath. Segundo o líder dos BEHEMOTH, tudo começou com a procura de um nome adequado para a digressão: recordando o impacto histórico da «In League With Satan», considerou que o título, retirado de uma das composições mais emblemáticas da formação britânica, traduzia perfeitamente o espírito da iniciativa.

A partir daí, a possibilidade de transformar a referência numa gravação ganhou forma. O músico polcado admite, inclusivamente, já não saber se a ideia de gravar a versão surgiu antes ou depois da escolha do nome da digressão. O resultado acabou por reunir duas figuras fundamentais do metal extremo europeu numa interpretação que procura transportar o tema original para o universo sonoro contemporâneo dos BEHEMOTH.

Quando estávamos à procura de um nome para a nossa digressão com os DIMMU BORGIR, pensei que seria excelente usar um slogan intemporal e, basicamente, citar os deuses do rock’n’roll satânico — os VENOM e a «In League With Satan» encaixavam perfeitamente na minha visão“, explica Nergal.

A versão foi gravada com guitarras de sete cordas, uma opção que, segundo o vocalista e guitarrista, contribuiu para conferir uma dimensão particularmente pesada à composição. A presença de Shagrath assume igualmente um papel central, com o norueguês a dividir as partes vocais com o vocalista polaco. “Não me lembro do que surgiu primeiro — a ideia do nome da digressão ou a ideia de gravar a própria canção. O que importa é que a gravámos com guitarras de sete cordas e com o Shagrath, dos DIMMU BORGIR, como vocalista convidado“, acrescentou.

Para Nergal, a colaboração não se limita a uma participação de circunstância. A sinergia com Shagrath alterou substancialmente a personalidade da canção e acrescentou uma nova camada à abordagem dos BEHEMOTH. “A canção ganhou um peso enorme e uma dimensão completamente nova. Estamos a planear tocá-la ao vivo e penso que a nossa versão acabou por se transformar em algo verdadeiramente poderoso“, diz ele.

Importa aqui referir que, apesar de ser apresentado como um novo lançamento dos BEHEMOTH, «I, Scvlptor» não corresponde a um álbum de estúdio convencional. O trabalho reúne oito faixas nunca antes editadas, incluindo sete gravações de estúdio e um registo ao vivo, funcionando como uma peça autónoma dentro da discografia da banda.

A própria natureza da edição permitiu ao grupo revisitar diferentes momentos da sua história sem se limitar a uma compilação. O alinhamento coloca lado a lado material novo, regravações de composições dos primeiros anos do grupo e duas versões de temas pertencentes a artistas que tiveram um papel determinante na formação da identidade musical dos BEHEMOTH. Entre as novas gravações encontram-se «Rise Of The Blackstorm Of Evil», originalmente incluída em «The Return Of The Northern Moon», de 1992, e «In Thy Pandemaeternum», retirada de «Pandemonic Incantations», de 1998. Ambas foram novamente registadas pela formação actual, recebendo uma produção contemporânea que procura preservar a essência das versões originais.

A operação assume particular significado quando se considera a evolução dos BEHEMOTH desde os seus primeiros trabalhos. A banda começou por construir a sua reputação dentro do underground black metal polaco, mas foi progressivamente desenvolvendo uma sonoridade mais extrema, complexa e abrangente, acabando por se tornar numa das formações mais reconhecidas do metal extremo internacional. Ao recuperar duas composições dessa fase inicial, «I, Scvlptor» estabelece uma ligação directa entre esse passado e a realidade actual. Não se trata apenas de revisitar temas antigos, mas de lhes conferir uma nova leitura com a dose de experiência acumulada ao longo de mais de três décadas de carreira.

Essa abordagem estende-se também às duas covers que integram o lançamento. Além de «In League With Satan», dos VENOM, o disco inclui «The Return Of Darkness And Evil», original dos BATHORY, que conta com a participação de Sakis Tolis, dos ROTTING CHRIST. As duas escolhas deixam particularmente evidente a importância que VENOM e BATHORY tiveram na formação das referências musicais dos BEHEMOTH. E são, simultaneamente, homenagens a duas bandas fundamentais para o desenvolvimento do metal extremo e novas interpretações de material que ajudou a definir a linguagem que viria a influenciar as gerações posteriores.

Dentro desse conceito, esta «In League With Satan» assume uma posição particularmente simbólica. A composição original dos VENOM remete para as raízes mais primitivas e transgressoras do metal extremo, ao mesmo tempo que a colaboração com o Sr. Shagrath estabelece uma ligação directa entre a escola britânica que ajudou a criar as bases do género e duas das principais forças que o desenvolveram na Europa continental. Com «I, Scvlptor» já disponível, os BEHEMOTH apresentam assim um lançamento que olha simultaneamente para trás e para a frente: o disco funciona como um retrato de transição de uma banda que, apesar de já ter mais de 30 anos de carreira, continua a procurar novas formas de reinterpretar o próprio legado.