As norueguesas WITCH CLUB SATAN estão de regresso com música nova — e o vídeo-clip do novo single, assumidamente NSFW, é tudo o que poderias esperar (e talvez até um pouco mais).
Há bandas que chegam como uma praga — e ficam. As WITCH CLUB SATAN, o infame trio de black metal norueguês que tem varrido a cena europeia com uma mistura explosiva de metal extremo, arte performativa e feminismo de choque, está prestes a atravessar o Atlântico pela primeira vez. Antes disso, no entanto, decidiram deixar mais um cartão de visita: o novo single «The Kids Will Kill Us», que estreou acompanhado por um vídeo-clip que não pede desculpa por nada.
A canção é lançada a escassos dias do início da tour norte-americana Founding Of The North American Coven, que arranca a 27 de Maio, com um concerto em Filadélfia, e termina a 16 de Junho em Seattle, passando por 16 cidades dos Estados Unidos e do Canadá — entre elas Toronto, Nova Iorque, Chicago e Los Angeles.
“A esperança é uma espécie de maldição. Nunca podes descansar» — é assim, sem rodeios, que as WITCH CLUB SATAN descrevem «The Kids Will Kill Us». A frase condensa o espírito de uma banda que nunca se preocupou em suavizar arestas. E, como o resto do seu catálogo, o single não poupa críticas a um mundo que o trio vê a descarrilar em câmara lenta.
O vídeo-clip, realizado por Stian Andersen em colaboração com a própria banda, mantém a linguagem visual que tem definido as WITCH CLUB SATAN desde os primeiros passos e que continua a chocar nos concertos: nudez, sangue, rituais e declarações feministas que não pedem autorização para existir. Nada aqui é ornamental — cada elemento é deliberado, carregado de intenção.
As WITCH CLUB SATAN, que nos visitaram recentemente, formaram-se no início de 2022, depois do trio de fundadoras se ter conhecido numa escola de teatro. O percurso desde então tem sido muito invulgar. A banda toca black metal ocultista e feminista com camadas experimentais de punk, pop e até jazz — um cocktail que poucos ousariam montar, e que ainda menos conseguiriam tornar coerente.
O álbum de estreia homónimo foi lançado no Dia Internacional da Mulher, o que posicionou desde logo a banda como uma força simultaneamente musical e cultural, granjeando reconhecimento generalizado e despertando conversas muito para além dos círculos tradicionais do metal. Em 2025, o grupo venceu o prémio de ‘Melhor Vídeo Bizarro’ nos Berlin Music Video Awards pelo single «Fresh Blood Fresh Pussy».
Em 2025, as WITCH CLUB SATAN actuaram em festivais de renome como o Roadburn, o Hellfest, o Sonic Rites, o Mystic Festival e o Rockstadt Extreme Fest, completando de seguida uma digressão de Outono por clubes europeus largamente esgotada. No início de 2026, juntaram-se aos suecos AVATAR como suporte directo na In The Airwaves Tour, expandindo o seu perfil internacional antes de cruzarem o Atlântico. É o tipo de percurso que se constrói tijolo a tijolo — sem atalhos, sem condescendência.
Aiás, a escolha do momento para a primeira digressão norte-americana não parece casual. “Sentimos que é o momento certo para partir e oferecer alguma feitiçaria muito necessária», explica a banda. «Através das redes sociais, fomos convidadas por inúmeros fãs que nos pediram para irmos aos Estados Unidos. Ser bem-recebidas é algo que nos importa muito — e a nossa principal razão para viajar é retribuir esse convite. Em tempos de divisão e caos, esperamos oferecer um abrigo e uma comunidade dentro do nosso covil. Estamos a preparar um ritual poderoso.“
A digressão conta com Penelope Trappes como suporte na primeira metade, e Patriarchy na segunda. Os concertos ao vivo de WITCH CLUB SATAN são conhecidos pela sua fusão confrontacional de black metal cru, arte performativa e intensidade ritualística. Quem for à espera de um concerto de rock convencional vai encontrar outra coisa.





