O 11.º álbum de estúdio dos norte-americanos chega a 20 de Novembro e marca uma nova etapa para os TRIVIUM, que prometem conciliar tudo o que aprenderam ao longo da carreira com uma abordagem que ainda não tinham explorado.
Depois de terem dado recentemente sinais de vida com «Dead Inside Of Me», os TRIVIUM confirmaram finalmente os detalhes do seu próximo álbum de estúdio. Intitulado «Crown In The Grave», o disco chega às lojas e plataformas digitais no próximo dia 20 de Novembro, através da Roadrunner Records, e é apresentado agora pela faixa que lhe dá nome.
A revelação surge poucas semanas depois do lançamento de «Dead Inside Of Me», o tema que funcionou como primeiro avanço para aquele que será o 11.º LP de estúdio da carreira dos norte-americanos TRIVIUM. Se esse primeiro aperitivo já nos deixava perceber uma banda apostada em manter a sua identidade sem se limitar a repetir fórmulas do passado, «Crown In The Grave», que já pode ser escutada em baixo, aprofunda precisamente essa ideia, colocando a evolução do grupo liderado por Matt Heafy no centro do processo criativo.
Para Paolo Gregoletto, chegar ao 11.º álbum representa também um desafio particular. Com mais de duas décadas de carreira, os TRIVIUM poderiam facilmente refugiar-se numa fórmula já testada ou, no extremo oposto, procurar uma reinvenção artificial. Foi precisamente esse equilíbrio que procuraram encontrar durante a criação do novo registo. “O «Crown In The Grave» é o nosso 11.º disco e, quando se chega tão longe numa carreira, é muito fácil acomodarmo-nos naquilo que já fizemos — ou reinventarmo-nos apenas por reinventar“, explica o baixista.
“Com este disco, quisemos encontrar o espaço entre essas duas coisas: pegar em tudo o que aprendemos e em tudo aquilo que faz dos TRIVIUM aquilo que são, mas apresentá-lo de formas que ainda não tínhamos explorado“, acrescenta. Pois bem, caso ainda restassem dúvidas, o tema-título traduz essa abordagem numa composição pesada, agressiva e simultaneamente melódica, com Matt Heafy a assumir uma interpretação marcada pela ideia de confrontar os próprios demónios e encarar de frente os momentos em que a vida parece colocar uma lâmina contra a nossa garganta.
O imaginário associado ao tema também foge ao habitual universo visual dos TRIVIUM. Gregoletto revela que a composição foi parcialmente influenciada por Throne Of Blood, a adaptação de Akira Kurosawa à tragédia Macbeth, de William Shakespeare, e também pelo cinema de terror produzido durante as décadas de 1950, 60 e 70. As sucessivas sessões de visionamento acabaram por estabelecer uma espécie de atmosfera fantasmagórica que serviu como referência para diferentes dimensões do projecto.
Essa influência estendeu-se à música, às letras, à arte gráfica e à identidade geral de «Crown In The Grave», criando um universo visual e conceptual onde o imaginário japonês, o cinema clássico e uma sensação permanente de ameaça se vão cruzar com o peso característico dos TRIVIUM. Aliás, o vídeo-clip do tema-título reforça essa estética, colocando os músicos num cenário inspirado num dojo e recorrendo a elementos como espadas, arcos e flechas. Mais que uma simples extensão visual da canção, o vídeo ajuda a estabelecer o ambiente que a banda quis construir em torno do novo álbum.
No centro de tudo está, porém, uma ideia mais pessoal. “Enfrentares-te a ti próprio é a demanda final“, resume Matt Heafy, numa frase que acaba por funcionar como uma das chaves para interpretar o disco. O vocalista/guitarrista dos TRIVIUM atravessou um período particularmente exigente durante a criação de «Crown In The Grave», lidando com dificuldades relacionadas com a sua saúde mental, lesões físicas e níveis intensos de ansiedade. O processo acabou por obrigar Heafy não só a enfrentar essas questões individualmente, mas também a fazê-lo enquanto elemento de uma banda que já percorreu uma longa estrada.
“Tivemos de o fazer enquanto banda, e eu tive mesmo de o fazer na minha vida pessoal. Libertei a minha mente das limitações de estar constantemente preocupado. Tomei a decisão de simplesmente cantar“, explica ele. Essa decisão parece ter tido um impacto directo na forma como a voz de Heafy é utilizada ao longo do novo material, pelo menos a julgar pelos dois temas já revelados. A agressividade continua presente, mas surge acompanhada por uma componente melódica e emocional que coloca maior peso na interpretação, em vez de depender exclusivamente da força instrumental.
«Crown In The Grave» apresenta ainda duas novidades importantes na história recente dos TRIVIUM. Este é o primeiro álbum da banda gravado no The Hangar, o estúdio próprio que mantêm em Orlando, na Florida, e é também o primeiro longa-duração a contar oficialmente com Alex Rüdinger atrás da bateria. Rüdinger assumiu o lugar deixado por Paul Wandtke nas sessões deste novo álbum e passa assim a integrar uma formação que continua liderada por Heafy, Gregoletto e Corey Beaulieu. A produção esteve novamente entregue a Josh Wilbur, conhecido pelo trabalho realizado com nomes como KORN e LAMB OF GOD.
Com a edição de «Crown In The Grave» marcado para 20 de Novembro, os TRIVIUM terão ainda a oportunidade de apresentar parte do novo material em palco praticamente desde o início do ciclo promocional. A próxima digressão norte-americana em nome próprio arranca já a 5 de Novembro, em St. Petersburg, na Florida, antes de percorrer várias cidades dos Estados Unidos e Canadá. A digressão contará com IN FLAMES, ORBIT CULTURE e FROZEN SOUL como convidados, numa combinação que promete transportar para a estrada a intensidade do novo capítulo dos TRIVIUM.
Até lá, «Crown In The Grave» e «Dead Inside Of Me» funcionam como as primeiras peças de um álbum que, pelas palavras dos músicos, não pretende escolher entre preservar a identidade construída ao longo das décadas e procurar ainda novos caminhos. A intenção é precisamente descobrir o que acontece quando essas duas coisas coexistem.





