TOWARDS THE SINISTER

TOWARDS THE SINISTER: AARON STAINTHORPE cria novo projecto com ex-elementos dos MY DYING BRIDE

Os TOWARDS THE SINISTER juntam o vocalista Aaron Stainthorpe a três membros fundadores dos MY DYING BRIDE, numa homenagem assumida ao período que consagrou a banda britânica como referência incontornável do doom/death.

Afastado em 2025 dos MY DYING BRIDE, grupo que ajudou a erguer há três décadas e meia, Aaron Stainthorpe anuncia agora o regresso aos palcos com um novo projecto que reúne alguns dos nomes mais determinantes da história da banda oriunda do West Yorkshire. Os TOWARDS THE SINISTER contam com o guitarrista Calvin Robertshaw, o baixista Ade Jackson e o baterista Rick Miah — todos fundadores ou da formação original dos MY DYING BRIDE —, aos quais se junta um segundo guitarrista, Chris Revett, o teclista Mark Deeks e a violinista Emma Allington.

O objetivo deste sexteto é bem claro e assumidamente restrito: os TOWARDS THE SINISTER vão revisitar com fidelidade os quatro primeiros álbuns de estúdio dos MY DYING BRIDE, discos que definiram, no início da década de 90, uma das vertentes mais sombrias e melancólicas do metal extremo. Falamos de «As The Flower Withers», «Turn Loose The Swans», «The Angel And The Dark River» e «Like Gods Of The Sun», obras fundacionais do doom metal de conornos góticos, e que continuam a ser apontadas por fãs e críticos como o período mais influente da carreira da banda.

“Não via o Calvin, o Rick ou o Ade há uma década”, diz Aaron Stainthorpe sobre a génese dos TOWARDS THE SINISTER, recordando que o afastamento forçado dos MY DYING BRIDE acabou por reaproximar os antigos companheiros. “Eles não moram assim tão longe de mim, mas cruzei-me com o Calvin um par de vezes num festival na costa nordeste, em Scarborough, chamado Fortress Fest. Mas pouco mais do que isso. Foi só quando os MY DYING BRIDE emitiram o comunicado a ‘despedir-me’ que eles saíram das sombras com muito apoio, o que foi maravilhoso”, recorda o vocalista.

O encontro decisivo aconteceu num pub, em Outubro do ano passado, com a companhia adicional do antigo violinista Martin Powell e de Dave Pybus, ex-membro dos ANATHEMA e antigo funcionário da Peaceville Records. “Tirámos uma fotografia todos juntos. Publiquei-a nas redes sociais e isso pôs as pessoas a falar. O que nos pôs a falar entre nós também”, explicou ele, sublinhando que, nessa noite, não houve sequer qualquer conversa sobre uma eventual reunião ou a criação deste projecto que deu origem aos TOWARDS THE SINISTER: só memórias antigas e queixas partilhadas sobre “joelhos com artrite”.

Curiosamente, foram as reacções do público nas redes sociais que acabou por precipitar a decisão de criarem os TOWARDS THE SINISTER. “A internet decidiu, mais ou menos, ‘Será que eles se vão juntar outra vez?’ Recebi mensagens do Rick e do Calvin a perguntar se devíamos encontrar-nos e discutir aquilo de que a internet estava a falar… E disse-lhes que sim. No entanto, ninguém instigou isto sozinho. Foi a internet, diria eu.”

Aaron Stainthorpe destacou ainda a vontade de Rick Miah em voltar a sentar-se atrás da bateria após largos anos de ausência, bem como o facto de Calvin Robertshaw manter actividade regular com o seu outro projecto, os MANY SUFFER. “Temos de nos lembrar: nós, quando éramos miúdos, ajudámos a escrever aqueles primeiros álbuns dos MY DYING BRIDE. Estamos neles. Escrevemo-los. E pensámos: ‘Sim, vamos tocá-los outra vez.’

Os planos imediatos do novo projecto passam por um punhado de concertos de aquecimento em solo inglês, aos quais se deverão seguir participações em festivais europeus já no Verão do próximo ano. Quanto ao alinhamento, o vocalista foi taxativo: o foco vai recair exclusivamente sobre o material da fase inicial da banda, precisamente porque foi essa a música escrita pelos membros dos TOWARDS THE SINISTER. “Eles não estão interessados em tocar canções que não ajudaram a escrever. Portanto, o que vai acontecer é que vamos priviligiar o período dos primeiros quatro álbuns, e que é, segundo os fãs, o melhor período”.

Stainthorpe garantiu ainda que os TOWARDS THE SINISTER pretendem recuperar temas raramente ou nunca tocados ao vivo, apesar da impossibilidade óbvia de incluir todos os clássicos num único alinhamento. “Vai haver gente na plateia a pedir aos gritos canções que não estão no alinhamento, mas essas estarão da próxima vez que passarmos por lá. Vamos tentar tocar o máximo possível, incluindo uns quantos temas que nunca foram tocadas ao vivo”, adiantou cantor.

Apesar do projecto nascer sob o signo da nostalgia, Aaron Stainthorpe não excluiu a hipótese dos TOWARDS THE SINISTER avançarem, no futuro, para material inédito. “Sim, vai haver material novo. O Calvin nunca para de escrever. Está a trabalhar no segundo álbum dos MANY SUFFER, mas tem escrito coisas que não encaixam nesse projecto e que resultariam bem connosco”, revelou, notando que os MANY SUFFER seguem uma linha mais próxima do death metal do que do doom.

“Há que lembrar que os MY DYING BRIDE também fizeram muito death metal, não era tudo doom. Muito disso vinha dos riffs do Calvin. Temos algum material novo, um par de canções que o Calvin nos propôs. Vão resultar, sem dúvida. Mas não temos pressa nenhuma para isso”, concluiu o vocalista.

A criação dos TOWARDS THE SINISTER surge agora na sequência de um dos episódios mais tensos da história recente dos MY DYING BRIDE. Em Outubro do ano passado, a banda anunciou oficialmente a separação de Stainthorpe, menos de um ano depois de ter contratado Mikko Kotamäki, dos SWALLOW THE SUN, para assumir a frente do grupo nas apresentações ao vivo de 2025 em diante. O mais recente álbum dos MY DYING BRIDE, «A Mortal Binding», com Aaron Stainthorpe ainda na voz, foi editado em Abril de 2024 pela Nuclear Blast Records.