Expandindo o universo de «Solaris», o próximo LP dos THE OCEAN, o novo single junta o peso dos alemães à electrónica pioneira de Thorsten Quaeschning, dos lendários TANGERINE DREAM.
Há colaborações que acrescentam simplesmente um nome aos créditos. E depois há encontros que parecem fazer sentido muito antes de acontecerem. Tem sido quase sempre assim ao longo da carreira dos THE OCEAN e «Milk Of My Dreams» é mais um desses casos: o novo tema coloca a banda alemã lado a lado com os pioneiros da electrónica TANGERINE DREAM e abre mais uma porta de entrada para o universo de «Solaris», o próximo álbum do colectivo.
Com edição marcada para a próxima sexta-feira, dia 25 de Setembro, pela Pelagic Records, «Solaris» representa uma mudança de capítulo para os THE OCEAN, tanto no plano musical como na própria composição da banda. Inspirado pelo clássico de ficção científica realizado por Andrei Tarkovsky em 1972, o disco parece encontrar em «Milk Of My Dreams» um dos seus pontos de contacto mais evidentes entre o peso, a experimentação e as atmosferas electrónicas.
Para concretizar essa aproximação, os THE OCEAN trabalharam directamente com Thorsten Quaeschning, actual membro dos TANGERINE DREAM, cuja contribuição colocou sintetizadores e electrónica no centro de um processo criativo muito pouco convencional.
“Trabalhar com o Thorsten foi uma experiência incrivelmente inspiradora e, sendo todos nós enormes fãs dos TANGERINE DREAM, uma grande honra“, explica o colectivo, que destaca não apenas o conhecimento de Quaeschning sobre a música electrónica, sintetizadores e desenho de som, mas também a sua capacidade para transformar ideias abstractas em elementos sonoros concretos.
Aliás, a descrição que os THE OCEAN fazem do estúdio do músico é particularmente reveladora: um verdadeiro “museu de sintetizadores“, onde praticamente está tudo ligado à corrente e pronto para ser utilizado. Mais que uma simples participação à distância, a colaboração nasceu desse contacto directo com uma abordagem ao som que deixou uma marca evidente no processo de criação de «Milk Of My Dreams».
Para Quaeschning, por outro lado, o desafio passou precisamente por abandonar alguns dos seus métodos habituais. A música dos THE OCEAN, com as suas constantes mudanças de métrica, obrigou-o a repensar a forma como normalmente trabalha com os seus sequenciadores e equipamento electrónico. Em vez de programar mecanicamente cada passagem de acordo com as alterações rítmicas, o músico optou em várias ocasiões por tocar as sequências manualmente. A decisão permitiu-lhe acompanhar de forma mais imediata as mudanças de compasso e, simultaneamente, introduzir pequenas diferenças de dinâmica, toque e timing.
O resultado, segundo Quaeschning, trouxe uma dimensão mais orgânica às sequências electrónicas — escolha particularmente interessante quando colocada no contexto de uma banda cuja música sempre se construiu sobre a tensão entre a precisão e a imprevisibilidade.
“Foi um verdadeiro prazer trabalhar no novo álbum dos The Ocean Collective“, afirma o músico, reconhecendo também que a experiência representou um desafio precisamente por o ter obrigado a sair daquilo que considera território habitual. O alemão deixa ainda no ar a possibilidade de que esta colaboração não fique necessariamente confinada a «Solaris», afirmando estar curioso para descobrir “onde esta nova colaboração poderá levar“..
Como é óbvio, a presença de Quaeschning ganha ainda maior peso quando se considera a própria natureza de «Solaris». O álbum parte do imaginário do filme de Tarkovsky, uma obra em que o espaço, a memória, a percepção e a fronteira entre a realidade e a ilusão assumem uma importância central. A utilização de electrónica e sintetizadores não surge, assim, como um mero adorno sonoro, mas como uma ferramenta particularmente adequada ao universo conceptual que os THE OCEAN escolheram explorar.
«Milk Of My Dreams» surge também num momento de transformação profunda dentro da própria banda. «Solaris» assinala uma nova era para os THE OCEAN, depois da saída de vários elementos importantes e da entrada de Enrico Tiberi, conhecido pelo trabalho nos ex-EyeHate, entre outros projectos, e Lane Shi, dos Elizabeth Colour Wheel e Otay:onii, nas vozes. A renovação estende-se igualmente às guitarras, agora asseguradas por Emmanuel Jessua, dos Hypno5e, e Marco Gennaro.
É nesse contexto de reconstrução que a colaboração com os TANGERINE DREAM ganha uma dimensão adicional. Em vez de simplesmente marcar a continuidade daquilo que os THE OCEAN já fizeram, «Solaris» apresenta-se como um disco concebido a partir de novas combinações de músicos, linguagens e texturas.
E «Milk Of My Dreams« talvez seja a melhor demonstração dessa mudança: de um lado, uma das formações mais inquietas do post-metal europeu; do outro, uma referência incontornável da electrónica alemã, separadas por décadas de história musical, mas unidas aqui pela mesma vontade de experimentar com som, espaço e movimento.Com lançamento de Solaris jmarcado para 25 de Setembro, falta agora perceber até onde a nova formação dos THE OCEAN estará disposta a levar essa exploração. Por enquanto, os temas já conhecidos oferecem uma boa amostra de um disco que parece querer encontrar o seu caminho precisamente onde as fronteiras entre orgânico, electrónico e cinematográfico começam a desaparecer. As pré-encomendas dos formatos físicos estão disponíveis via Pelagic Records.






