A poucos dias doa data de lançamento, a banda mongol lança mais um single de avanço para «The Hun». O novo álbum dos THE HU chega já na próxima sexta-feira.
Seis anos depois de terem surgido do nada para sacudirem o mundo com o seu hunnu rock, os mongóis THE HU voltam a fazer barulho. A banda anunciou recentemente o lançamento de «HUN», o seu terceiro álbum de originais, com edição prevista para 24 de Julho via Better Noise Music. Agora, na sequência de «The Real You», «Warrior Chant», «Lost Soul», «The Men» e «Grey Hun», os músicos estrearam o seu mais recente single, intitulado «Echoes Of My Father».
Este tema surge como um dos momentos mais pessoais do novo registo de estúdio, servindo como uma ponte entre duas gerações. Em comunicado conjunto, os músicos explicam o significado da canção: “A «Echoes Of My Father» é uma canção especial para todos nós — a primeira metade é dedicada aos nossos pais e a segunda à nossa própria experiência enquanto pais. Como podem lermbrar-se, já homenageámos as mulheres e as nossas mães nos nossos álbuns anteriores, por isso agora decidimos tomar um momento para reconhecer os homens que nos tornaram quem somos, e como esperamos ter um impacto positivo através do amor eterno que sentimos pelos nossos filhos.”
A declaração e o vídeo-clip já disponível no player em cima, revelam uma banda que continua a explorar, álbum após álbum, os temas da identidade, da memória colectiva e também da transmissão de valores entre as gerações — eixos que têm sustentado o percurso dos THE HU desde a estreia com «The Gereg», em 2019.
Recorde-se que este novo tema chegou na sequência de «Grey Hun», que estreou acompanhado por um vídeo-clip, realizado por Dashdondog Bayarmagnai, que muito ajudou a reforçar a campanha de promoção que rodeia o terceiro álbum de estúdio desta muito aplaudida formação mongol. Depois de terem conquistado reconhecimento internacional graças à sua curiosa fusão entre instrumentos tradicionais mongóis, throat singing e metal contemporâneo, os THE HU voltaram à carga com uma composição que procura transmitir uma mensagem de aceitação e autenticidade.
Como podes conferir no player em cima, embora mantenha a identidade sonora que tornou a banda um fenómeno global, «Grey Hun» coloca o foco na importância de cada pessoa permanecer fiel a si própria. “A «Grey Hun» é uma canção que incentiva toda a gente a sentir-se confortável por ser simplesmente quem é”, diz Enkhsaikhan “Enkush” Batjargal, guitarrista dos THE HU, revelando que a inspiração para o tema surgiu de uma imagem muito específica.
“Tudo começou quando compus o riff enquanto imaginava um homem a cavalgar no seu cavalo através de uma paisagem muito vasta. A partir daí, demorámos algum tempo a terminar a música porque queríamos garantir que a sua mensagem positiva fosse comunicada de forma clara.” Essa preocupação em equilibrar intensidade musical com uma mensagem inspiradora parece refletir a evolução artística dos THE HU, que desde a sua estreia têm procurado levar elementos da cultura mongol a uma audiência internacional sem abdicarem de uma abordagem acessível ao público do rock e do metal.
«Grey Hun» vem suceder ao single «Lost Soul», lançado em meados de Maio e gravado em colaboração com Jonny Hawkins, o vocalista dos norte-americanos NOTHING MORE. Convenhamos, é difícil imaginar um encontro mais distante geograficamente — e, ao mesmo tempo, mais coerente musicalmente.
«Lost Soul» reúne o quarteto oriundo de Ulan Bator — Galaa (morin khuur, voz gutural), Jaya (tumur khuur, tsuur, voz gutural), Enkush (morin khuur, voz gutural) e Temka (tovshuur, voz gutural) — com Hawkins, um dos vocalistas mais expressivos do rock norte-americano moderno. É a primeira colaboração entre os dois projectos, e impõe-se com uma naturalidade que surpreende.
A canção, que pode ser escutada no player ali em cima, constrói-se sobre uma paisagem sonora de riffs percutivos que evocam os extremos climáticos da Mongólia — a imensidão de frio e vento que não pede licença para entrar. As estrofes ganham tração sob um groove denso e cíclico, antes de abrirem espaço ao refrão melódico de Hawkins: “Born to be a lost soul”, cantado em inglês com uma convicção que se instala de imediato. A resposta vem em canto mongol tradicional, num volteio de estilos que não soa a colagem nem a experiência de laboratório — soa a música feita com propósito.
A mensagem que atravessa a canção é clara, segundo Galaa: “O hunnu rock transcende culturas e, nesse sentido, decidimos fazer a «Lost Soul» com o Jonny Hawkins. Não se perder na viagem da vida, não perder os próprios valores, ter coragem para enfrentar os obstáculos — é isso que queremos transmitir aos nossos fãs com esta canção e com o próximo álbum, «HUN».” Jonny Hawkins, por seu lado, não esconde todo o seu entusiasmo relativamente à colaboração: “Estou muito entusiasmado por trabalhar com uma banda tão comprometida com o que faz como os The Hu. É diferente de tudo o que já fiz antes.“
O novo álbum dos THE HU chega com onze temas que prometem aprofundar o universo sonoro que a banda tem construído desde a estreia. O título — «HUN», que em mongol significa “ser humano” — é em si mesmo um programa: uma viagem à lenda e ao imaginário da Mongólia, mas com uma ambição que não se fecha sobre si própria.
Os próprios THE HU descrevem o projecto com uma contenção que diz muito: «Demorámos o tempo necessário para fazer isto bem, e estamos muito satisfeitos por estarmos quase prontos para lançar aquilo em que trabalhámos nos últimos anos. Já estamos também a trabalhar num alinhamento completamente novo para os concertos. Queremos tocar em salas maiores, para podermos investir numa produção mais ambiciosa, trazer elementos da nossa cultura, e partilhar tudo isso com os fãs. E já temos ideias para um quarto álbum!“.
É fácil esquecer que, em 2019, os THE HU foram uma descoberta da rádio pública norte-americana NPR. Nesse ano, o vídeo de «Yuve Yuve Yu» tornou-se viral sem avisos, sem campanhas, sem intermediários — apenas música pesada cantada em mongol com distorção eléctrica e uma força visual que não precisava de legendas. A canção «Sugaan Essena» acabaria por aparecer em destaque no videojogo Star Wars Jedi: Fallen Order, e mais recentemente a banda colaborou em «Pray To The Sun», com Declan de Barra, para a série de anime One Piece da Netflix.
São movimentos que revelam uma inteligência de posicionamento rara: a banda não persegue audiências — vai ao encontro de comunidades que já partilham da sua intensidade, do seu sentido de grandeza, da sua ligação a mundos imaginados com raízes no real. Com certificação ouro em vários mercados e uma base de fãs que cresce em cada continente, os THE HU são hoje um dos casos mais singulares da música pesada global.
Enquanto o álbum não chega, a banda anda a percorrer os Estados Unidos numa tour partilhada com os finlandeses APOCALYPTICA — mais um exemplo de como instrumentos clássicos e rock pesado podem coexistir sem concessões — e com os THE RASMUS, banda de rock platinada na Finlândia. A digressão arrancou a 12 de Maio em Silver Spring, no Maryland, e encerra a 7 de Junho em Anaheim, na Califórnia. «HUN», o novo álbum dos THE HU, já está disponível para pré-encomenda.

01. Warrior Chant | 02. Lost Soul | 03. The Men | 04. Echoes Of My Father | 05. Shadow | 06. Horsemen | 07. Greed | 08. The Real You | 09. Grey Hun | 10. Universe | 11. Second Face


