THE GATHERING

THE GATHERING arrancam digressão europeia a tocar o «Mandylion» na íntegra [vídeos]

Trinta anos depois da edição do álbum que redefiniu a identidade dos THE GATHERING, a histórica formação liderada por Anneke Van Giersbergen volta aos palcos para dar início a uma nova série de concertos comemorativos. O reencontro com os fãs lusos está marcado para 5 de Julho, na MEO Arena, em Lisboa, como parte do cartaz do EVILLIVƎ FESTIVAL.

Trinta anos depois, a icónica Anneke van Giersbergen voltou uma vez mais a cantar os clássicos que a tornaram uma das vozes mais reconhecidas do rock alternativo europeu — e desta vez a celebração é global. A formação histórica de THE GATHERING que gravou o clássico «Mandylion» arrancou a tour europeia de Primavera/Verão 2026 , com um concerto no O2 Shepherd’s Bush Empire, em Londres.

A noite marcou o início formal de uma digressão com cerca de trinta datas espalhadas pela Europa, com passagem assegurada por Portugal, América do Norte e América do Sul, encerrando a 17 de Outubro na Movistar Arena de Santiago, no Chile.

O alinhamento escolhido para a primeira data da rota não deixa margem para dúvidas quanto à intenção dos THE GATHERING: tocar o «Mandylion» na íntegra — ou muito perto disso. O concerto abriu com a introdução instrumental do álbum e atravessou treze temas ao todo, entre eles ouviram-se «Eléanor», «Fear The Sea», «Probably Built In The Fifties», «Sand And Mercury» e «Strange Machines». O encore ficou a cargo de «Travel» e «Saturnine».

Imagens captadas pelos fãs na sala londrina circulam já nas redes sociais e atestam uma performance de grande intensidade, com o duo de guitarras a ocupar um espaço sonoro que a formação original nunca chegou a explorar da mesma forma em palco.

Lançado em Agosto de 1995 pela Century Media Records, «Mandylion» foi o terceiro disco de estúdio dos THE GATHERING e o primeiro a contar com Anneke van Giersbergen como vocalista. A sua chegada ao colectivo representou uma viragem estética e comercial decisiva: o grupo abandonou progressivamente as raízes no doom e no death metal para abraçar um rock alternativo mais atmosférico, com influências que iam do gothic ao post-rock, passando por referências mais pop sem nunca as tornar supérfluas.

O álbum foi, nos anos seguintes, uma pedra de toque para inúmeras bandas europeias que procuravam expandir as fronteiras do metal alternativo. Em Portugal, o seu impacto foi igualmente sentido na geração de grupos que floresceu no final dos anos 1990 e início dos 2000, influenciando sonoridades de bandas que procuravam conjugar peso e melodia com sofisticação vocal.

A história desta reunião tem tanto de casual quanto de inevitável. O guitarrista René Rutten revelou, em entrevista concedida em Abril à publicação chilena iRock.cl, que tudo começou com um almoço em que o álbum recebeu um disco de ouro nos Países Baixos. “Durante o almoço perguntei à Anneke se íamos fazer algo especial com o álbum a fazer 30 anos. E assim aconteceu.”

Rutten descreveu também o reencontro musical com Anneke em termos de inequívoca cumplicidade: “No início começámos apenas com os músicos, porque é um pouco mais difícil perceber como a música funciona. E depois a Anneke chegou, e ficou tão impressionada ao ouvir as canções clássicas, mas agora com duas guitarras e com toda a força, amplificadores no limite. É absolutamente fantástico fazer isto de novo. E em palco, é o mesmo tipo de sensação, tal como exactamente há 30 anos.”

Antes desta digressão alargada, a formação «Mandylion» realizou um concerto experimental no dia 29 de Junho de 2025 no lendário Dynamo, em Eindhoven, seguido de cinco datas totalmente esgotadas no Doornroosje, em Agosto do mesmo ano — na cidade onde a banda tem as suas raízes.

Quanto ao futuro desta reunião após o encerramento da tour em Santiago, o guitarrista e timoneiro dos THE GATHERING foi directo: “Não temos quaisquer planos para o futuro. O último concerto desta série de espectáculos do 30.º aniversário do «Mandylion» será no Chile. Depois disso veremos o que o futuro traz. A Anneke tem, claro, a sua carreira a solo e os seus concertos para fazer, e isso vai acontecer em 2027. E mais tarde veremos o que isso trará.”

A abertura deixada pelo guitarrista é propositadamente ambígua — nem encerramento definitivo, nem uma promessa de continuidade. Para os fãs que acompanharam os THE GATHERING desde os anos 90, esta série de concertos representa provavelmente a única oportunidade de assistir, em contexto de tour internacional, ao repertório de «Mandylion» interpretado pela formação que o criou. Por cá, o colectivo neerlandês têm reencontro marcado com os fãs no dia 5 de Julho, na MEO Arena, em Lisboa, como parte do cartaz do EVILLIVƎ FESTIVAL.