O supergrupo progressivo TEMIC anunciou os primeiros detalhes sobre o seu segundo álbum e revelou um primeiro tema de avanço, filmado num cenote mexicano com a deusa Ah Puch como pano de fundo.
A editora Season of Mist confirmou esta semana a data de lançamento do segundo álbum dos TEMIC, banda que reúne músicos ligados a Devin Townsend, aos SHATTERED FORTRESS de Mike Portnoy, à NEAL MORSE BAND, HAKEN, SHINING, MARATON e BIG CITY. «Ceiba» chega aos escaparates e às plataformas digitais a 2 de Outubro de 2026, três anos depois de uma estreia que surpreendeu a cena do metal progressivo pela qualidade e pela ambição das suas ligações.
Como podes conferir no player em baixo, o anúncio foi acompanhado pela estreia do vídeo-clip de «Ceased To Be», tema que serve de cartão de visita ao novo trabalho e que cruza o metal progressivo com pop e hard rock, sem perder a densidade emocional que já caracterizava o primeiro álbum dos TEMIC.
O vídeo-clip de «Ceased To Be» foi realizado por Cesar Mendiburu e filmado na Península do Iucatão, no México, junto a uma ceiba e no interior de um cenote — cenário onde Ah Puch, o deus maia da morte, recebe uma mulher no além. A actriz Anna Kirse, que protagoniza as imagens, descreve a experiência como profundamente pessoal: “Desde aquele momento em que recebi o convite para participar no vídeo da «Ceased To Be», dos TEMIC, senti um chamamento imediato para dizer que sim. Representar toda a alegria e a dor da vida, a sua transformação depois da morte e o alívio da entrega em rendição absoluta ressoou imediatamente em mim. Foi um desafio artístico bonito.“
Sobre as cenas subaquáticas, Kirse admite ter enfrentado um medo antigo: “Filmar aquelas cenas debaixo de água foi também uma experiência profunda para mim. Obrigou-me a encarar o meu próprio medo de desaparecer debaixo de água. Entregar-me ao desconhecido e confiar que estava segura tornou-se um momento significativo de crescimento. Cada dia de filmagem esteve cheio de magia, criatividade, colaboração genuína e um espírito de equipa incrível. Estou profundamente grata, verdadeiramente feliz e muito orgulhosa de fazer parte deste vídeo dso TEMIC.“
Segundo os próprios TEMIC, «Ceiba» é “um álbum conceptual sobre a perda em todas as suas formas“. A descrição da banda é clara quanto à direcção tomada: “É mais progressivo do que o nosso primeiro álbum, mas as canções continuam guiadas pela honestidade e pelas emoções.” As letras, acrescentam, “lidam com dor, raiva, medo, culpa e silêncio, sentimentos difíceis à sua maneira, mas que fazem parte do processo de renovação da nossa força interior“.
O título do disco não é arbitrário. Na cultura maia, a ceiba é considerada um axis mundi, a árvore sagrada que liga a terra ao céu e ao submundo — um simbolismo que atravessa tanto a arte de capa como o conceito lírico do álbum. É também essa cosmologia que dá corpo a «Ceased To Be», tema narrado, segundo a banda, na perspetiva de alguém que está a morrer, rodeado pelos seus entes queridos. “A morte não é temida nem lhe resistimos“, explicam os TEMIC. “É antes observada como um rito de passagem sagrado.“
O teclista Diego Tejeida sublinha a dimensão universal do tema: “Vivi muitas perdas pessoais, tal como toda a gente. Embora não falemos muito sobre isso uns com os outros, a perda é algo tão universal que será sempre uma parte natural das nossas vidas, como uma árvore.“
Musicalmente, «Ceased To Be» abre com os riffs do guitarrista Eric Gillette e uma paisagem electrónica que se acumula como se fossem nuvens carregadas no horizonte. E o vocalista Fredrik Klemp conduz o refrão com uma afirmação quase litúrgica: “O sangue dará testemunho: a tua alma nunca morrerá.“
A secção rítmica ganhou também uma nova voz nesta fase da banda. O baixista português Miguel Pereira, o mais recente membro a juntar-se ao projeto, entrosa-se com o baterista Simen Sandnes ao longo de várias mudanças de compassos, registo que culmina num final grandioso, marcado por teclados triunfantes e um solo de guitarra que a banda descreve como transcendente. O processo de composição foi, segundo os TEMIC, verdadeiramente colectivo: “Escrevemos este álbum em conjunto, com contributos dos cinco elementos. Permitimo-nos explorar as canções e ir mais longe, mantendo sempre as emoções em primeiro plano.“
Antes de «Ceiba», os TEMIC já se tinham imposto como um dos projectos mais interessantes a surgir na órbita do progressivo internacional. O álbum de estreia, lançado em 2023, chegou ao topo das tabelas na Holanda e alcançou o #15 na tabela mundial de metal da iTunes, resultados que confirmaram o interesse gerado por um alinhamento de músicos com currículos tão distintos e tão respeitados. Agora, com o novo álbum, a banda promete aprofundar esse território, arriscando mais na escrita e mantendo o fio condutor que sempre distinguiu o projeto: a procura de sentido através da perda, tratada não como um fim, mas como mais um passo no caminho.

01. Asunder | 02. Ashes | 03. Beyond The Voice | 04. Ceased To Be | 05. Broken | 06. Casting Stone | 07. See Myself | 08. Parting The Waves Inside | 09. Night Of Veils | 10. Alone | 11. As Long As We Last


