Chegou ao fim um silêncio de três anos! «Arsenal» assinala a estreia em estúdio do novo baterista dos SLIPKNOT — e o adeus, ainda por explicar, de Sid Wilson.
Os norte-americanos SLIPKNOT acabam de surpreender os fãs com o lançamento inesperado de «Arsenal», single que assinala o regresso da banda ao circuito discográfico após três anos de silêncio e que marca, também, a estreia oficial em estúdio do baterista Eloy Casagrande. O tema chega numa altura de significativa reconfiguração interna para os SLIPKNOT. Este é o primeiro tema editada pela banda de Des Moines desde a saída do veterano Sid Wilson, tornada pública no início deste Verão, e representa ainda a primeira gravação oficial o percussionista brasileiro que tem acompanhado o grupo em digressão desde 2023.
«Arsenal», que já pode ser escutada em baixo, sucede a «Bone Church», tema avulso editado em 2023, e chega três anos depois dos SLIPKNOT terem, na altura, dado essa canção como um interlúdio isolado antes de um regresso ainda sem data anunciada… Com o lançamento de «Arsenal», esse regresso ganha finalmente uma forma mais concreta.
O tema surgiu totalmente de surpresa e acompanhado por um clip realizado por M. Shawn “Clown” Crahan, o percussionista e cofundador dos SLIPKNOT, e protagonizado pelo actor Jackson White, sendo este mais um exemplo do controlo criativo que a banda mantém sobre a sua própria iconografia, quase três décadas após ter imposto ao mundo a estética de máscaras e uniformes que se tornaria a sua assinatura mais reconhecível.
Essa estética, aliás, ultrapassou largamente as fronteiras do metal. A influência dos SLIPKNOT sente-se hoje tanto no universo mais underground como em artistas que encabeçam cartazes de festivais de metal, rock e pop um pouco por todo o mundo, e em praticamente tudo o que fica entre esses extremos. E, feitas as contas, poucas foram as bandas nascidas no midwest americano que conseguiram, sem ceder um único centímetro, moldar de forma tão transversal o percurso de tantos artistas.
A génese desta nova fase remonta à Primavera de 2024, quando a entrada de Eloy Casagrande nos SLIPKNOT foi tornada pública. Na altura, o baterista brasileiro — antigo membro dos SEPULTURA — revelou à imprensa que estava a trabalhar na adaptação às dinâmicas internas e estéticas da banda, um processo que incluiu a composição de um tema então intitulado «Long May You Die». Não é claro, para já, se «Arsenal» corresponde a essa mesma composição ou se resulta de um processo de escrita distinto, desenvolvido posteriormente.
Numa entrevista à revista britânica Kerrang, realizada há já dois anos, Casagrande descreveu o processo de integração como uma verdadeira prova de fogo criativa: “Penso que isso também fazia parte da audição, atiravam-me ideias novas para ver como era o meu processo de composição. Queriam testar-me de todas as formas.” Agora, passadas várias digressões com a banda desde então, «Arsenal» confirma que o músico superou esse teste, consolidando-se como uma parte integrante da identidade sonora actual dos SLIPKNOT — um dos grupos mais influentes e comercialmente relevantes do metal das últimas três décadas.
Como podes conferir, os SLIPKNOT recorrem a praticamente todas as armas do seu arsenal habitual: as dinâmicas demolidoras, as linhas vocais e letras afiadas como lâminas, teclados cortantes e riffs cujo peso só pode mesmo ser medido em toneladas… “I fought a fucking god and the god lost” , grita o vocalista Corey Taylor num tema que, a nível instrumental, funde metal, punk e versos de inspiração hip hop, invocando o seu rugido, segundo as suas próprias palavras, “do sétimo círculo do inferno“.
Com quase três décadas de existência, é notável que os SLIPKNOT continuem a reunir a energia, a criatividade e a cumplicidade de banda necessárias para produzir música com este fôlego. A sua ascensão a um dos grupos mais importantes e influentes do rock do século XXI foi marcada por tragédias pessoais profundas, enfrentadas de forma directa, ao lado dos próprios fãs. Ao longo do caminho, mantiveram intacto um espírito combativo que lhes permitiu continuar a inovar e a testar os limites mais extremos do seu som — e, aqui, soam mais afiados que nunca.
Note-se que o lançamento de «Arsenal» surge num período particularmente atípico para os SLIPKNOT em termos editoriais. No início deste ano, a banda editou o quase mítico álbum-irmão «Look Outside Your Window», composto por temas experimentais escritos e gravados durante as sessões de «All Hope Is Gone», de 2008, e que permaneceram inéditos durante quase uma década e meia. Esse projeto, no entanto, distinguia-se claramente de um álbum de estúdio convencional, servindo como arquivo alternativo de uma fase criativa já encerrada. O último álbum de originais propriamente dito continua a ser «The End, So Far», editado em 2022.
Com este novo single, os SLIPKNOT, que alegadamente estão em estúdio, parecem sinalizar agora o arranque de um novo capítulo, com uma formação parcialmente renovada e, aparentemente, disposta a explorar novas dinâmicas de composição — ainda que os detalhes sobre um eventual álbum completo permaneçam, por ora, em segredo.


