Os SEPULTURA vão despedir-se dos fãs com um concerto que promete ficar para a história.
No dia 7 de Novembro de 2026, o Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, no Brasil, será palco do último concerto dos SEPULTURA. Depois de mais de quatro décadas a moldar o metal extremo à escala global, a banda anunciou formalmente o fim da sua carreira com uma noite que promete reunir gerações, eras e músicos que marcaram o seu percurso — uma despedida concebida não como encerramento, mas como celebração.
A escolha do Pacaembu não é casual nem simbólica por acaso. O recinto está entrelaçado com a própria mitologia dos SEPULTURA no Brasil: foi ali, mais precisamente na Praça Charles Miller, frente ao estádio, que a banda realizou, nos anos 90, um dos concertos que cimentaram a sua relação com o público local e ajudaram a consolidar a sua dimensão enquanto fenómeno cultural. Regressar ao espaço para encerrar a história é, portanto, um gesto carregado de coerência e de peso emocional. Décadas volvidas, o círculo vai fechar-se onde parte do legado foi forjado.
O espectáculo está a ser concebido como muito mais do que uma simples despedida. A produção quer transformar a noite num momento de tributo, ligação e celebração do metal brasileiro e do seu impacto mundial, reunindo músicos de diferentes fases da banda e artistas que, de uma forma ou outra, cruzaram o caminho dos SEPULTURA ao longo de quatro décadas.
Entre as presenças internacionais já confirmadas conta-se o METAL ALLEGIANCE, supergrupo que reúne alguns dos nomes mais respeitados do metal global: Mike Portnoy (DREAM THEATER), Alex Skolnick e Chuck Billy (TESTAMENT), Phil Demmel (ex-MACHINE HEAD), Troy Sanders (MASTODON) e o baixista e fundador Mark Menghi.
O cartaz conta ainda com os brasileiros KRISIUN, uma das bandas de death metal mais conceituadas do planeta, e com os norte-americanos SACRED REICH, referência incontornável do thrash. Outros nomes convidados deverão ser anunciados nas próximas semanas.
Esperam-se igualmente no palco ex-membros e músicos ligados à história dos SEPULTURA, entre eles Jean Dolabella e Jairo Guedz — este último, guitarrista que antecedeu Andreas Kisser na formação da banda, e cuja presença encerra em si mesma uma dimensão histórica que a maioriados fãs mais antigos irão certamente saudar.
Fundados em Belo Horizonte em 1984, os SEPULTURA tornaram-se a banda de metal mais reconhecida internacionalmente alguma vez saída do Brasil — e uma das mais influentes da história do metal extremo, sem adjectivos de cortesia. Álbuns como «Beneath The Remains», «Arise», «Chaos A.D.» ou «Roots» não definiram apenas o seu percurso: redefiniram o que era possível fazer com guitarras afinadas em aberto, ritmos importados da percussão indígena brasileira e uma raiva que nunca soou ensaiada.
Nesse contexto, pode dizer-se que há despedidas que chegam tarde e outras que chegam a tempo. A dos SEPULTURA pertence, em todos os sentidos, à segunda categoria: uma banda que soube reinventar-se, resistir a todas as crises internas, atravessar décadas de mudança na indústria e chegar ao fim com a dignidade de quem não esgotou a razão de existir, mas escolheu deliberadamente fechar a porta.
O concerto de 7 de Novembro de 2026 no Mercado Livre Arena Pacaembu não será apenas a última noite dos SEPULTURA. Será, muito provavelmente, um dos momentos mais importantes da história recente do metal brasileiro — e um daqueles raros espectáculos que se contam às gerações seguintes.






